POR CONTA PRÓPRIA

Hoje, é significativo o percentual de profissionais dessa área que se arrisca a abrir o próprio negócio ou prescinde da carteira assinada. De acordo com entidades do segmento, 30% dos Relações Públicas trabalham como autônomos e 10% suas próprias empresas.

A prestação de serviços de consultoria também é uma boa saída. Aliás, muitas empresas, ao enxugar custos, fecham departamentos inteiros, e os de marketing muitas vezes são tragados pela nova onda. É comum, porém, a contratação da mesma equipe como terceirizada. Assim como os personal trainers tratam da silhueta de sua clientela, os Relações Públicas também podem cuidar da imagem de personalidades presentes no noticiário. Quando optam pelo trabalho sem carteira assinada têm maior mobilidade.

 

Essa matéria foi publicada no GUIA SEMESTRAL DE CURSOS SUPERIORES DO ESTADO DE SÃO PAULO / No 2 – Outubro de l999 – Profissões 2.000, página 99.

O Guia pode ser encontrado nas bancas de jornais e custa R$ 5,00. Editora Segmento, Profissões 2.000 – Rua Cunha Gago, 412 1and. 05421-001 São Paulo – SP Tel.(0xx11) 867-9067. segmento@sol.com.br Home page: www.editorasegmento.com.br

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OPINIÃO Por Roberto de Castro Neves*

DATA VENIA, RP PRA QUÊ ? 
Não basta colocar a foto do presidente na coluna social

A S BRUXAS ANDAM SOLTAS NA EMPRESA. Houve aquela confusão com os clientes que resultou em várias cartas de reclamação aos jornais. Depois, na esteira dessas reclamações, uma jornalista escreveu uma série de matérias espinafrando a companhia. Teve até um político despirocado que andou tirando partido da questão dizendo coisas absurdas sobre o caso. No meio disso tudo, muito diz-que-diz-que entre os empregados, o pessoal parece desmotivado e a produtividade caiu. Para completar, as vendas desabaram nesse semestre. E desabaram feio. Este cenário surge na reunião de diretoria. Na verdade, o tema não fazia parte da pauta da reunião, até porque o tal desagradável episódio com os clientes era tido por todos como águas passadas. A grande vedete da reunião era, sim, o medíocre resultado de vendas do semestre que, para desespero do diretor financeiro, já mandara para o espaço o objetivo anual da empresa. 
Interessante é que o quadro acima descrito não foi apresentado pronto e acabado. Ele foi surgindo pouco a pouco, à medida que cada diretor comentava onde seus calos doíam. Cada elemento desse cenário - a insistência da mídia, a queda no índice de satisfação dos clientes, o clima de bode na organização - ia sendo apresentado um a um, como um fato independente, sem relação com os demais. Mas acabou sendo consenso que a coisa toda estava muito estranha. E, pela primeira vez numa reunião de diretoria, a culpa de todos os problemas não sobrava para o governo e sua política econômica.
- Deveríamos contratar alguém para fazer um trabalhinho de relações públicas - arriscou timidamente um dos diretores. 
A sugestão não é nova. Volta e meia ela ressurge e é sumariamente derrubada. Como sempre, o diretor financeiro diz que não há dinheiro e lembra os gastos maciços em propaganda. O de marketing torce o nariz. RH desconversa com um: "Não sei se é por aí". E o diretor jurídico pergunta: "Data venia, RP pra quê?" Como nenhum dos presentes sabe responder, a solução é: talvez no ano que vem. Pronto. É a senha para todos voltarem à realidade dos negócios. Momento seguinte, começa o desfile dos centenários concursos para estimular vendas e de outros tantos velhos conhecidos programas de redução de despesas, das viagens internacionais ao cafezinho, passando, é claro, pelo enxugamento dos efetivos.
Tenho certeza de que você já viu esse filme. Infelizmente é assim. O caminha a ser percorrido entre a relação desses fenômenos estranhos - às bruxas soltas - e a necessidade de um trabalhinho de RP é longo. Aliás, muitas empresas nem esse trecho, percorrem. Perdem clientes, bons funcionários, quebram, mas não se rendem a essas coisas de americano. Outras, de postergação em postergação, vão consumindo suas preciosas energias tapando o sol com a peneira. Um dia, porta arrombada, moral no chão, dá-se o salto qualitativo:
- Precisamos do trabalho de um RP. Contratemos um assessor de imprensa. 
Aleluia! Bem, aleluia em termos. Saltamos de uma situação em que se ignorava a necessidade de serviços de RP para outro estágio, em que ainda se desconhece o que vem a ser RP, seu alcance, suas tecnologias, seus fundamentos. No Brasil, assessoria de imprensa é uma espécie de porta de entrada da atividade de RP. O positivo é que as empresas podem, sem saber, estar plantando dentro delas a semente da atividade no seu sentido global. É claro que esse assessores vão pagar todos os seus pecados no processo entre a semente e o fruto. Cedo vão descobrir que, na verdade, foram contratados para dar um urgente "cale a boca" naquela jornalista encrenqueira. Seus préstimos também serão solicitados para colocar, na primeira página, as declarações inteligentes do presidente da empresa e, nas colunas sociais, notinhas simpáticas sobre ele e sua adorável família. E vão frustar aqueles que os contrataram se a tal jornalista resistir aos seus encantos, almoços, jantares e brindes e continuar pegando no pé da empresa. 
Esses hoje denominados assessores de imprensa terão prestado um grande serviço se, apesar de tudo, conseguirem vender o peixe - de que clientes, funcionários, acionistas, imprensa, autoridades, políticos, sindicatos, opinião pública em geral e outras tribos fazem parte de um mesmo ecossistema que precisa ser olhado e tratado como um todo. E mais: que o profissional para tratar dessas coisas chama-se relações-públicas. Aqui e na China.

O artigo Data Venia, RP pra quê?, foi publicado na revista EXAME/6 de outubro de l999 página 162. Roberto de Castro Neves é consultor de empresas.

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PÚBLICO É A ALMA DOS EVENTOS

Para a platéia, o bom regimento de uma orquestra depende do comando preciso da batuta, assim como para o sucesso de um evento, seja uma palestra ou um simpósio, é necessário a eficiência do profissional que organiza.

O organizador de eventos planeja, implanta e supervisiona todas as etapas do processo, como local, decoração, alimentação, shows, atrações, brindes, manobristas, bebidas, custos, promoções, tendo a responsabilidade de que tudo aconteça no tempo certo, sem esquecer nenhum detalhe.

O salário é bastante variado e depende da empresa em que se está atuando e da procura pelo serviço.

Apesar de a profissão não exigir nível superior, o organizador de eventos deve apresentar uma série de características para o exercício da profissão, tais como: saber lidar com o imprevisto, ter tranqüilidade segurança para passar credibilidade aos clientes, percepção quanto ao tipo de público que está lidando, ser comunicativo, ter uma visão estratégica, com definição de planos

Além desses atributos, é necessário conhecimentos gerais para não cometer gafes, como escolher carne de vaca para servir a uma comissão da Índia, exemplifica a organizadora de eventos, Gilda Fleury Meirelles. Na índia a vaca é sagrada e nunca usada como alimento.

A sócia-diretora da Partners Comunicação e Eventos Empresariais, Yara Lydia de Moraes, considera o profissional de relações públicas a pessoa mais indicada para este tipo de trabalho, pois "ele está preparado para executá-lo com tranqüilidade, definindo etapas importantes, como: objetivo a se atingir; planejamento detalhado; análise de identificação do público-alvo; orçamento equilibrado e avaliação dos resultados, através de uma pesquisa no momento em que o evento acontece."

O organizador Jorge Medauar Junior considera que qualquer pessoa pode atuar na área. "É só não ter medo da primeira vez". Jorge também conta que o mercado está crescendo, pois hoje em dia estão aproveitando como palco para eventos todos os espaços, como o vão do Masp ou estações do Metrô.

O profissional tem mais espaço para trabalhar, mas os grandes eventos não estão sendo realizados, pois com a crise, as empresas estão preocupadas com o custo, segundo a diretora da CIF Associados Promoções e Eventos, Lurdes Spinola. Ela recomenda os interessados em trabalhar na área a começar como recepcionista, para observar o funcionamento de um evento em todas as fazes.

SER CRIATIVO É FUNDAMENTAL

A Sócia Diretora da Partners Comunicação e Eventos Empresariais, Yara Lydia de Moraes, dá algumas dicas para que um evento tenha resultados positivos, como escolher a data, observando se não cai próximo de um feriado, ou em uma sexta-feira(conforme o evento), o local adequado de acordo com o número de pessoas que se quer levar; e a forma ideal, criativa e que desperte o interesse do que vai se apresentar, sempre com definição de estratégias, pensando no público e agindo com bom senso.

Ela também conta que a idéia de que um evento deve ter a presença de muitas pessoas é incorreta, pois não se deve confundir quantidade com qualidade. Uma palestra que cumpre seu objetivo com sucesso, não será pior porque só havia 50 pessoas.

Do mesmo modo, uma palestra pode contar com 1000 participantes e ser um fracasso, se o público presente não estiver plenamente adequado ao que foi proposto.

O artigo acima foi publicado no caderno de EMPREGOS do Diário Popular, página 4, (domingo) do 15 de agosto de l999.

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CURIOSIDADE

Último casamento real do milênio

"Windsor, Inglaterra – O príncipe Edward, de 35 anos, o caçula da Rainha Elizabeth II, casa-se hoje às 13 horas (horário de Brasília) com a relações públicas plebéia Sophie Rhys-Jones de 34 anos, na Capela de St. George, no Castelo de Windsor. Ela é considerada uma competente relações públicas. Há dois anos montou sua própria empresa. É descrita como enérgica, sensata e discreta".

A informação acima foi extraída do O Estado de S. Paulo de 19.06.99, página 22 A.

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VÍDEO PARA RELAÇÕES PÚBLICAS

O Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) lança o vídeo Relações Públicas e Comunicação Empresarial – Trajetória e Perspectiva para o Terceiro Milênio, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Nestlé, da Rhodia e da Companhia de Vídeo. Desenvolvido pela coordenadora do curso de Relações Públicas a professora Margarida Krohling Kunsch, o vídeo é dirigido a profissionais e estudantes do setor. O objetivo é definir o papel do relações-públicas, resgatar a história da profissão no País e fazer uma análise da profissão. O vídeo, que não será vendido, foi distribuído às bibliotecas de Faculdades de Comunicação Social de todo o País.

O texto Vídeo para Relações Públicas foi publicado no Meio e Mensagem, Ano XXI, n. 864, na coluna MIX, página 16, 28 de Junho de l999.

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RELAÇÕES GLOBALIZADAS

Grandes grupos mundiais estão de olho nas agências brasileiras de RP

Por Marcio Carrilho

A exemplo do que ocorreu com a maioria das agências de propaganda, as empresas de relações públicas nacionais tornaram-se alvos de acordos operacionais, compras ou associações com grandes empresas mundiais do setor. A causa do interesse é a abertura da economia e a entrada no Brasil de grupos empresariais de diversos setores produtivos, que já usam os serviços de RP em seus países de origem. Entre os grandes grupos que conversam com empresas nacionais encontram-se a Weber PR Worldwide, ligada ao Grupo Interpublic, e Ogilvy & Mather. As duas já conversaram pelo menos com a SPMJ.

Sem números oficiais, estima-se que o setor movimenta no Brasil cerca de US 50 milhões por ano, valor ainda considerado muito pequeno diante da potencialidade do mercado. Em comparação, o faturamento das 50 maiores empresas mundiais de relações públicas em l998 foi de US$ 2,26 bilhões. Ente as gigantes mundiais de RP, algumas já estão instaladas no País há algum tempo com estruturas próprias, caso da Burson-Masteller e da Hill and Knowlton, as duas líderes do ranking internacional. Outras, como a Porter Novelli e a Ketchum, preferem operar por meio de acordos operacionais enquanto não decidem impor a própria marca no mercado.

Do ponto de vista dos sócios das empresas nacionais não há unanimidade. Enquanto uns apregoam associações e acordos como fundamentais para sobreviver no mercado, outros acreditam que vale mais o trabalho bem feito e a satisfação do cliente do que contar com marcas famosas, o que, afirmam, não é garantia de bom atendimento e resultados satisfatórios para os clientes. Todos reconhecem, no entanto, que estar associado a um grande grupo do setor traz pelo menos um benefício, ainda que não implique necessariamente a conquista de novos clientes – a possibilidade de entrar em contato com modernos métodos de gestão e com elevada tecnologia.

Em negociação

Atualmente, pelo menos duas grandes empresas do mercado estão em negociação com grupos internacionais – SPMJ e In Press. Sérgio Poroger, sócio da SPMJ, afirma já ter feito contato com as multinacionais Weber PR Worldwide e Ogilvy PR Worldwide. Enquanto não se define, a empresa se mantém como único membro brasileiro da Pinacle World-wide, associação com sede nos Estados Unidos que reúne 70 empresas independentes médias em todo o mundo. O objetivo é promover negócios entre os associados e oferecer a clientes internacionais os mesmos pacotes de trabalho mundial que as grandes do setor oferecem. Poroger reconhece que, se fechar acordo com um grande grupo, deixará de fazer parte da Pinacle.

Cristina Moretti, sócia da In Press, diz que recebeu duas propostas de empresas dos Estados Unidos, mas não revela seus nomes. Seduzida pelo apelo de fazer parte de uma estrutura mundial, ela vê na possível associação uma chance de crescimento, especialmente por alinhamentos mundiais de clientes. Por outro lado, teme a perda da identidade da empresa e de sua filosofia de trabalho. "É preciso ter um conhecimento do mercado local. Foi por isso que conquistamos a conta da Bonari. Eles queriam uma empresa que entendesse a nossa realidade", afirma, referindo-se a empresa-espelho da Embratel.

Entre as agências que relutam em fechar negócio encontra-se a G&A. De acordo com o sócio Agostinho Gaspar, a empresa vem recebendo assédio de grupos de fora desde l996, mas resistem em fechar negócio. "Prefiro manter a minha marca e a minha independência. A parceria é interessante mas não fundamental, o sucesso em relações públicas depende da qualidade dos profissionais", afirma, categórico. Ele garante que frustração de clientes globais em ações locais é algo comum, pela dificuldade em manter um padrão mundial de atendimento e qualidade dos serviços. "Sempre haverá espaço para empresas nacionais competentes", finaliza.

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RANKING MUNDIAL DAS EMPRESAS DE RP EM 1998

Nome Faturamento (US$ milhões)

l. Burson-Marsteller 258,417
2. Hill and Knowlton 206,000
3. Porter Novelli Internacional 183,050
4. Schandwick 170,300
5. Fleishman-Hillard 160,692
6. Edelman PR Worldwide 157,840
7. Ketchum 125,248
8. BSMG Wolrldwide 118,963
9. Weber PR Worldwide 83,166
10.GCI/APCO 79,668

Fonte: Jack O’Dwyer’s Newsletter(Internet Edition)

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Concorrência bem-vinda

Em um mercado onde o trabalho de relações públicas ainda é subestimado e limitado à visão de "assessoria de imprensa", a vinda dos grandes grupos é apontada como um sinal positivo. Para as agências que já operam no Brasil, o empresário nacional começa a ver a importância que seus concorrentes de fora dão ao trabalho de relações públicas. "Deveremos crescer num ritmo de 30% anuais nos próximos quatro anos, o que mostra que ainda é pequena a verba para relações públicas dentro das empresas", prevê, otimista, Vivian Hirsch, presidente da Edelman do Brasil, braço nacional da sexta empresa mundial do setor.

Ex-sócia da VK & Associados, Vivian teve sua empresa comprada pela Edelman no início de l997, após um período de associação, e continua no comando da operação, conforme estratégia adotada pelo grupo em todos os novos mercados que explora. "Para nós foi ótimo, não perdemos nenhum cliente e ainda conquistamos novos. Hoje contamos com 24 funcionários e contas globais, como Johnson & Johnson , UPS e Erickson". Foram estes dois últimos, inclusive, que solicitaram à Edelman que se instalasse no Brasil", lembra Vivian.

Rosana Monteiro, sócia da Estratégia, empresa que representa há quatro anos no Brasil a Ketchum, sétima do ranking mundial, também tem uma visão positiva do mercado e espera maior profissionalização. "Na sua maioria, as empresas brasileiras não sabem, comprar serviços de relações públicas, pois não utilizam todas as ferramentas oferecidas. No entanto, aos poucos começam a ver os benefícios que elas podem proporcionar e passam a investir mais", acredita.

No mercado brasileiro desde l977, a número 1 do mundo, Burson-Masteller, tem interesse na entrada dos seus concorrentes globais no Brasil. "O mercado vai explodir na América Latina, especialmente por causa dos aspectos de saúde, meio ambiente e direitos do consumidor, que obrigam as empresas a se comunicar melhor com o mercado e o público em geral", analisa Ramiro Prudencio, presidente da empresa no Brasil. Ele diz que será interessante observar a forma como elas entrarão no País, seja por meio de estruturas próprias ou acordos operacionais. "A questão dos alinhamentos mundiais de contas, porém, não é tão consolidada em relações públicas como acontece na propaganda. As empresas locais sempre terão seu espaço", ressalta.

Antonio de Salvo, sócio da ADS, concorda com a afirmação e revela números. Há três anos representante no Brasil da Porter Novelli, terceiro maior grupo mundial de relações públicas, a empresa tem nas contas alinhadas apenas 10% do seu faturamento, segundo o empresário. Mesmo assim, ele acha que as empresas que não se associarem terão problemas no futuro e aponta as vantagens de fazer um acordo. "Participamos de seminários internacionais promovidos pelo grupo, além de termos acesso a pesquisas e know-how e fazermos intercâmbios profissionais", diz.

Fonte: Meio e Mensagem,Ano xxi n.864, 28 de junho de l999,página 57.

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Anos 50

Relações Públicas conquistam postura profissional

Nos anos 50 tomou forma mais definitiva e ganhou institucionalização a atividade de relações públicas no Brasil. Se até então muitas vezes o profissional de RP ocupava um cargo criado apenas para dar emprego a algum amigo ou parente de diretores, em meados daquela década empresas como General Motors e Ford contrataram profissionais específicos para a elaboração de publicações voltadas à comunicação com os concessionários, atividade típica do setor. E, em l954, foi criada a Associação Brasileira de Relações Públicas.

Apesar da constituição das relações públicas como um campo cada vez mais profissional, na década de 60 grandes agências como McCann-Erickson e J.W.Thompson ainda ofereciam essa ferramenta como um bônus para seus clientes, sem custos adicionais. Em l965, porém, a McCann-Erickson transformou seu departamento de RP na filial brasileira da Infoplan – empresa internacional do Grupo Interpublic -, que iniciou uma atividade independente nesse mercado. Outra empresa que se destacou na consolidação empresarial das RPs no Brasil a AAB – depois incorporada ao Grujpo Ogilvy & Mather -, criada em l962.

Essa matéria foi publicada na edição de 21o aniversário da revista Meio&Mensagem, de Abril/l999

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OPINIÃO DO LEITOR

Relações Públicas: a hora da virada

Antonio De Salvo*

Almoçando com um amigo, conversando sobre o oficio de relações públicas que exerço – e pelo qual batalho - há três décadas, lá pelas tantas ele sentenciou: "Olha, os empresários não sabem o que são relações públicas; por isso recorrem somente à propaganda e à assessoria de imprensa."

Tal juízo valia-me uma das minhas reflexões sobre o assunto quando recebi a pesquisa Tendências, Desafios e Oportunidades na Prática de RP, da qual também participei. Ela dá, com base na visão dos empresários sobre as consultorias de RP, um panorama da atividade no mundo e no Brasil. A pesquisa ouviu agências de 26 países.

Com a pesquisa, tive a certeza de que o cenário descrito pelo meu amigo deve se reverter. Ela aponta para um crescimento da atividade, desde já e para o futuro. A tendência à internacionalização dos serviços de RP seguirá rompendo fronteiras (como já ocorreu com a propaganda) – redes internacionais de RP já se instalaram no Brasil e agências brasileira atuam no exterior.

A pesquisa também sugere uma auto-análise: uma mão-de-obra sempre mais qualificada nas agências, mais responsabilidade no atendimento das necessidades dos seus clientes e serviços de mais qualidade são imperativos para que as agências cresçam e lucrem mais. Eu acrescentaria que a internacionalização das agências é irreversível – quem não fizer parte de uma rede mundial de relações públicas terá problemas com grandes clientes, cuja comunicação é unificada no mundo.

Haverá, diz a pesquisa, demanda crescente nos próximos cinco anos pela tecnologia de RP, pelas relações com com investidores e com a área de finanças e pelo gerenciamento de crises. A tecnologia de RP estará no topo das demandas, graças à continuidade do impacto da tecnologia dos negócios (informática e telecomunicações). Fatores como reestruturações, fusões, aquisições e privatizações, diminuição dos investimentos dos governos, entre outros, ajudarão a elevar a demanda de serviços de RP por parte das áreas de investimentos e finanças.

Se a pesquisa aponta caminhos razoáveis para os consultores de RP – e, em certa medida, já preconizados por nós, no Brasil – por outro lado nos mostra os obstáculos a vencer para trilhá-los, descortinando outra vez a impressão do meu amigo.

No Brasil empresas e entidades ainda não utilizam adequadamente a tecnologia de RP. Usam o caminho fácil da assessoria de imprensa e deixam lacunas na sua comunicação. A imprensa é um público. E funcionários, acionistas, comunidade, entidades de classe etc, como ficam? O maior patrimônio de uma empresa ou entidade é sua reputação, ou a imagem da sua marca, perante a sociedade. As empresas devem satisfação a ela, e a assessoria de imprensa, sozinha, não faz isso. Essa atividade engendra uma imagem perante a própria imprensa; e a propaganda é vital para gerar consumo de produtos e serviços. Mas a pergunta volta e o resto?

Hoje, homens do governo e de grandes empresas afirmam publicamente que "não sabemos nos comunicar". Aí estão multinacionais recém-chegadas ao País com as privatizações que não conseguem se comunicar bem com o público. Comungam da opinião que só o trabalho com a imprensa e propaganda constrói uma reputação. Não. Ela é construída, mantém-se e amplia-se utilizando todas as ferramentas de comunicação, com destaque às técnicas de RP.

É de se registrar que grandes grupos de propaganda estão ampliando suas redes de RP. Vêem que só publicidade, marketing direto e promoções não atendem a todas as necessidades de comunicação dos clientes. Lá fora, agências de publicidade fazem parceria com as de Relações Públicas – aqui muitos publicitários vêem os profissionais de RP como concorrentes e não – como deveria ser – como parceiros eficazes. Nos momentos de crise o cenário da comunicação das empresas ganha contornos dramáticos. Ações de assessoria de imprensa e publicidade são as primeiras a ter cortes de orçamento. A lição a ser aprendida aqui é: utilizar todas as ferramentas de comunicação e lançar novos produtos para manter o nome da marca em evidência para a sociedade.

À luz da pesquisa que nos abre perspectivas satisfatórias, tais considerações encerram uma certeza: antes do futuro promissor há um presente a ser transformado nas relações públicas do Brasil. É a hora da virada.

O artigo acima foi publicado no Meio & Mensagem do dia 26 de Abril de l999, página 2º. Antonio De Salvo é diretor-superintendente da ADS Assessoria de Comunicações, presidente do capítulo brasileiro da Internacional Public Relations Association(IPRA) e vice-presidente da ADVB.

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ENTIDADES

Abec reúne RP e jornalistas

Eleita primeira diretoria da entidade que agrega Anece e Aberp

A Associação Brasileira das Empresas de Comunicação (Abec), entidade recentemente criada para agregar as funções representativas da Associação Nacional das Empresas de Assessoria de Imprensa(Anece) e da Associação Brasileira de Empresas de Relações Públicas(Aberp), acaba de constituir sua diretoria(ver box). Carlos Eduardo Mestieri, fundador e primeiro dirigente da Aberp, é o primeiro presidente da nova entidade. Mestieri também é diretor da CWM Inform Comunicação, de São Paulo.

O objetivo da Abec é ser interlocutora das empresas de comunicação de todo o Brasil e nasce representando cerca de 100 delas, segundo informações da entidade. Dados divulgados na última edição do Guia de Comunicação Empresarial e Assessorias de Imprensa dão conta de 2 mil empresas atuando nas duas atividades no País. A Abec criou capítulos estaduais nas capitais e diretorias regionais nas grandes cidades do território nacional para atender o setor e promover a aproximação entre jornalistas e relações-públicas.

RELAÇÕES PÚBLICAS

Porter no Pódio

Com faturamento de US$ 183 milhões e crescimento de 23,6% no último exercício, a norte-americana Porter Novelli International, pertencente ao Grupo Omni-com, passa a ocupar a terceira posição no ranking das cem maiores empresas de relações públicas(RP) do mundo. O levantamento é divulgado todos os anos pelo América’Council for Public Relations, que neste ano foi anunciado durante a conferência anual da Porter Novelli, em Roma. Com isso a empresa, representada no Brasil há três anos com exclusividade pela ADS Assessoria de Comunicações, de São Paulo, quebra uma tradição dos últimos dez anos, quando a lista das maiores esteve sempre encabeçada pelas agências Bóson Masteller, Hill & Knowlton e Shandivik.

Segundo Antonio De Salvo, presidente da ADS, a Porter Novelli superou a Shandvik na terceira colocação e as lideres tiveram média de crescimento inferior devido à atuação na região Ásia-Pacífico, onde a Porter lidera. "A rede, presente em 45 paises com 80 agências, está entre as cinco primeiras colocadas em 15 países", acentua.

No Brasil, a ADS também vem registrando crescimento, segundo informa De Saldo. A empresa cresceu 13% em l998 e tem 19 clientes em carteira, entre eles Fazendas Reunidas Boi Gordo, Universidade Bandeirantes(Oneram), Word Tarde Centre e Microservice. Sem revelar faturamento, o executivo prevê crescer 15% e fechar o ano com 23 clientes.

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Art & Com Entrevista Relações Públicas

Publicidade Jornalismo
O ponta-pé inicial para muitos futuros publicitários são as agências júniores montadas dentro das faculdades. A partir daí, os estudantes têm um panorama mais verdadeiro e próximo do que os espera, além de começar com alguma experiência em projetos para clientes. Nesta reportagem você vai ver que não são apenas os estudantes brasileiros de Jornalismo que estão insatisfeitos com o currículo de seus cursos. Alunos canadenses, em visita ao Brasil, também querem mudanças "para estar melhor preparados para o mercado de trabalho".
Com apenas 24 anos, Juliana Pereira é produtora de campanhas para rádio e TV da DM9, uma das maiores agências do país. Ela conta, nesta entrevista, como conseguiu chegar ao posto e seus planos para o futuro. Os jornais de bairro sempre cumpriram um papel importante na vida das comunidades. Entretanto, parece que esta situação começa a ser ameaçada pela informação digital.
Um dos mais polêmicos publicitários do mundo, Oliviero Toscani, também fotógrafo e idealizador das campanhas da Benetton, é um crítico contumaz da publicidade tradicional, "com suas modelos lindas, felizes e bem sucedidadas". Comandar apenas 16 repórteres não seria tão complicado se não estivessem dispersos em várias cidades do Brasil. É o que faz a jornalista reponsável pela edição da Agência Folhas, Elizabeth Mathias. Leia como é o seu dia-a-dia.
Relações Públicas
A profissão de relações públicas, no Brasil, sempre foi cercada de dúvidas. Empresas contratam assessores no lugar de um RP, outras, vice-versa. E até mesmo governos municipais e estaduais acabam tendo problemas com sindicatos. Leia sobre o que pode ser feito.
O mercado de RP tem, prodominantemente, muitas mulheres pela exigência de "alto grau de detalhismo". É o diagnóstico de Marlene Marchiori. Segundo ela, isso não é fator para acirrar a concorrência, mas "para maior troca de experiências".
Rádio e Televisão
Sacrifício é a palavra cujo significado os recém-formados melhor conhecem. Em busca de seu espaço na carreira que escolheram, muitos não hesitam em trocar um salário fixo por ajuda de custo; outros agüentam desemprego até encontrarem uma vaga.
Ele sempre foi conhecido como o "companheiro de todas as horas". Fácil de levar e carregar, ele "pega" até nos locais mais distantes. O rádio tem papel fundamental no nosso dia-a-dia e as emissoras não medem esforços para aumentar a audiência, mesmo tendo que tirar o ouvinte da cama.
Turismo
Belas paisagens, lugares exóticos e... boa comida. Em todo roteiro de viagem, não pode faltar o item "pratos típicos". Por isso, além de praias e monumentos, muitas pessoas procuram o que há de melhor na culinária de cada lugar. Ser um chef é fazer o turista ficar com "água na boca".
Que tal viajar por todos os lugares que você já sonhou e, ainda por cima, ganhar por isso? Não se trata apenas de diversão. O "turista profissional" é sério e tem que prestar atenção a todos os detalhes para que outros não entrem em dificuldades.
Teatro e Cinema
José Mojica Marins sempre foi um personagem curioso no meio artístico. Em entrevista a Art&Com, ele conta como passou pelos diversos tipos de filmes (desde dramas até westerns) até se tornar cult como o rei do terror. Os filmes de Zé do Caixão (ou Coffin Joe, como é conhecido no exterior) já foram premiados na Europa e nos Estados Unidos.
Um dos maiores nomes do cinema brasileiro teria feito 60 anos em março. Glauber Rocha, expoente do Cinema Novo brasileiro, deixou um impressionante acervo de filmes, cuja marca é a reflexão e discussão de temas sociais. Reconhecido dentro e fora do país, Rocha foi homenageado por emissoras que televisão, que reprisaram sucessos como "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Terra em Transe".
Tecnologia
Cada vez mais a tecnologia melhora as condições de comunicação. Receber e-mails fora do computador não é mais privilégio de pagers. Os telefones celulares também fazem esse serviço. Agora não tem mais desculpa para "não receber um recado".
Jornais e revistas podem saber o tamanho de seu público pelos números da tiragem e vendas em bancas. As emissoras e rádio e TV, pelo IBOPE. Mas, e os sites? Como saber quantas pessoas e quais os interesses delas em seu conteúdo? Veja mais essa arma para o e-commerce.

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Composição da Abec

Presidente
Carlos Eduardo Mestieri

Vice-Presidentes
Enio Cambuí
Maristela Ramos
Koichiro maçou
Eduardo Ribeiro
Nicolau Amaral
Roberto Grada
Valéria Perito

Conselho Fiscal e Consultivo
Fátima Terce
Agostinho Gaspar
Mauro Lima Wu
Teodoro Meissner
Antonio De Salvo
Flávio Valsai
Reginaldo Finte
Mário Ernesto Humberg

A matéria acima foi publicada no Meio&Mensagem de 12 de Abril de l999, na página 11

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A GAZETA MERCANTIL do dia 9 de Abril de l999, na coluna OPINIÃO, página 2, Roberto Grad, Presidente da Hill and Knowlton Brasil, uma das maiores agências de Relações Públicas do Mundo, publicou um artigo que é um alento para as Relações Públicas em nosso país.

OPINIÃO Relações Públicas, esta incompreendida

O mercado de relações públicas(RP) no Brasil, como de resto a maioria das atividades, tem um enorme potencial para crescer. Toda vez que se compara o consumo de produtos e serviços do Brasil com o de outros países - particularmente com o dos Estados Unidos - os dados são assustadores. Também, pudera. Com um PIB correspondente a quase 30% do PIB mundial, os Estados Unidos não fazem mais do que obrigação. A pergunta, no entanto, é o que vem antes, a galinha ou o ovo. O país é tão grande, e por isso consome tanto, ou pelo fato de consumir tanto é que ficou tão grande. Com as relações públicas, podia ser diferente. A maior empresa de RP do mundo faturou, só em Nova York, um pouco mais do que o consumo de RP no Brasil inteiro - cerca de US$ 50 milhões por ano. Parece pouco, e é. No México, por exemplo, investe-se US$ 1,8 bilhão em propaganda, e 2,5% deste valor em relações públicas, ou seja, US 45 milhões. Se o mercado de propaganda no Brasil chega a pouco mais de US 8,5 bilhões por ano, reservar míseros O,6% para relações públicas é ignorar um importante instrumento de comunicação. Ou, melhor, desconhecer o que a relações públicas - esta incompreendida - pode fazer pela sua empresa:

  • planejamento estratégico da comunicação corporativa;

  • comunicação dirigida aos diversos públicos que a empresa precisa atingir;

  • relações com a imprensa;

  • gerenciamento de crises;

Enfim, relações públicas é toda a administração da reputação de uma empresa. alguma empresa pode ter sucesso sem administrar bem seus relacionamentos com esses públicos ? E, para esclarecer melhor a grande diferença entre propaganda e relações públicas, é simples. Propaganda é o que você fala de si mesmo. Relações Públicas é o que os outros falam de você. É fácil deduzir qual das duas tem maior credibilidade. De acordo com Paul Holmes, editor da revista Inside PR, "enquanto a propaganda é uma importante ferramenta da comunicação, RP é muito mais do que isto, é uma caixa de ferramentas, um processo, talvez até mesmo uma maneira de pensar". Dificilmente uma agência de propaganda vai recomendar uma solução que não envolva a compra de espaço através do qual a empresa vai expressar seu ponto de vista. Relações Públicas, ao contrário, é definida pela habilidade de passar mensagens através de uma ampla gama de veículos em espaços cedidos. Propaganda é um produto, enquanto relações públicas é um processo. Recentemente pesquisa feita nos Estados Unidos mostra que 76% dos principais executivos de empresas reconhecem que RP tem se tornado mais importante para a eles do que era há cinco anos e 82% a consideram uma função da alta cúpula da empresa. "As empresas, independentemente do seu porte, precisam ter imagens positiva junto às suas comunidades ou certamente falharão." A pesquisa, realizada pela Um pulso Research há apenas três meses e publicada na revista Inside PR, vai além: "Estamos indo em direção a um mercado de relacionamento, e RP é a melhor maneira de influenciar os seus públicos". É por tudo isso que o mercado de relações públicas está crescendo a uma respeitável taxa de 25% ao ano, com especial destaque para as áreas de saúde, tecnologia, relações com investidores e relações governamentais. Comece a reparar como as empresas de sucesso atuam junto aos seus diversos públicos, como elas são vistas pela imprensa e como os consumidores as prestigiam.

V O L T A R


 

 

 

O perfil do profissional para o século 21

Tibor Simcsik e Ombretta simcsik

O traço que une família-escola-empresa não possui fronteiras perfeitamente definidas pela própria dinâmica do mercado e da vida em comodidade. Entretanto, um fator direto incide sobre os três blocos de sustentação da sociedade: o trabalho e as conseqüentes teorias administrativas sobre ele e os seus artífices, ou seja, os profissionais do mercado de trabalho.

Da teoria clássica de Taylor e Fayol, com as múltiplas divisões de tarefa gerenciais e operacionais, até os aspectos sociocráticos de uma teoria de participação nas tomadas de decisão(sociocracia) - , tendo em vista a final repartição de lucros e resultados na empresa(democracia participativa)-, um pequeno lapso de tempo passou. Não mais que duas ou três gerações, mas muita coisa mudou e ainda está mudando.

O novo profissional do século 21 só mantém a característica de humanidade em relação ao profissional do início do século 20. Os demais perfis foram mudados, ou por necessidade da empresa ou por necessidade de sobrevivência do próprio operário, seja ele de linha de produção ou de mesa de escritório.

A estrutura, antes formal, pesada e burocrática, tende a transformar-se numa disposição de pessoas e coisas, com determinada organização, mas leve e matricial – até mesmo ad hoc, pela qual todos se unem no consenso para a formalização de uma diretriz, no estabelecimento de objetivos, na busca de metas e na execução de projetos, o que chamamos de os "Domps" da empresa.

Essa passagem de adolescentes para adultos, de amadores para profissionais, não tem sido simuladas com fidelidade, principalmente nas universidades. O hiato entre a teoria e o sistema empírico é grande, tornando verossímil a idéia e o preconceito de que, na pratica, a teoria é outra.

O profissional do ano 2000 é o aluno de hoje das faculdades. Como ele está sendo preparado para o novo século? Além das empresas juniores, inscrições em centros cadastradores de mão-de-obra para o mercado, o que o governo, as empresa e as próprias universidades estão fazendo?

As perguntas que pairam no ar, podem ser resumidas em duas principais: há uma preparação ou orientação para a nova filosofia sociocrática na qual a riqueza de um um povo é mais importante, de uma forma contínua, que o livro individual, imediatista e passageiro ? Há uma atenção especial, não apenas para os alunos, mas principalmente para os professores, alguns altamente teóricos porque nunca entraram numa área de produção, visitaram um escritório de serviços ou participaram de uma simples negociação ?

Hoje, as empresas já procuram e contratam profissionais conhecidos como generalistas, possuidores da chamada macrovisão, reservando a especialistas as tarefas em que se exige a microvisão. Os líderes do ano 2000 serão aqueles que terão, além da macrovisão, a sua tenção voltada para o fenômeno que alguns chamam de indicador holístico, ao pretenderem analisar o homem e todos os fatores que o cercam e atuam sobre o seu comportamento.

O profissional do ano 2000 antes de tudo será um relações públicas, um político, envolvido com a transmissão de cultura, de idéias, de missões, de uma filosofia de vida e de trabalho. Deverá ser filósofo e possuir uma aura de teólogo, além de discernimento político para a disputa do poder dentro das regras democráticas e sociais disciplinadoras. Como bom missionário, misto de vendedor e comprador, será um negociador. Para tanto não bastará ter informações, pois o banco de dados será igual para todos, via computador.

Este novo profissional deverá em primeiro lugar, saber respeitar os seus semelhantes como seres humanos, isto é, com humanidade.

Em seguida, a humildade será a atitude do vencedor ou pelo menos do dominador, pois o poder de hoje não será eterno. A glória sempre será passageira e até hoje, na história da administração, a maioria dos executores é esquecida e raramente lembrada com fotografias em galerias de honra ou de ex-empregados.

Outra atividade será a organizacional, que determina o comportamento dos indivíduos na empresa, função básica no novo milênio. Um aspecto, hoje, desta função é a corrida para a certificação ISO. Não é nada mais que uma camisa de força de rotinas, normas e manuais, cerceadora da criatividade do empresário e empregado, talvez visando à redução da competitividade das empresas brasileiras e de países do Terceiro e Quarto Mundo, no mercado mundial. É também uma forma de abertura para o domínio total das multinacionais, interessadas em impor seus padrões e parâmetros, como se fossem reivindicações dos consumidores.

A reengenharia de materiais e pessoas é a filha perversa desta atividade organizacional identificada como "selvagem" pela forma como é aplicada por empresas interessadas em lucros imediatos, por diretores impressionados com os valores da Bolsa e os conseqüentes ganhos de "bônus" em seus salários.

Alguns deles atuando numa tentativa sincera, porém desesperadas, de alcançar o bonde da história, que está seguindo e que em alguns casos, até já passou.

Entretanto, o humor será a arma do futuro administrador para vencer os desapontamentos das derrotas, pois no processo de negociação, apesar da tentativa de todos levarem vantagens, no chamado "Ganhar & Ganhar", sempre haverá um ganhador, na opinião do outro. Mas a cultura do humor, forma de ver a vida sob a opção de "trabalho" para viver" e não "vivo para trabalhar, permitirá que o profissional do ano 2000 tenha uma vida de lazer e uma qualidade de opções melhor e maior que dos atuais empregados nas empresas, sejam públicas ou privadas.

Mas um alerta paira sobre os futuros líderes empresariais, profissionais do ano 2000: a curva da produtividade tenderá a uma estabilidade, como a da qualidade dos produtos. Teremos uma quase igualdade entre as empresas, os produtos e os serviços. E a pergunta será: o que fará a distinção entre o que é oferecido no mercado? Nossa hipótese é simples: o diálogo, forma de comunicação com respeito mútuo, será a técnica do profissional do século 21 para a sua realização pessoal e profissional.

Simples para os macrovisionários preocupados com a riqueza da nação, com o bem-estar do povo e a realização profissional e pessoal. Impressionantemente difícil para os "fazedores de lucro fácil e rápido dos portadores de títulos e cargos elevados na empresa e dos manipuladores de opinião e de pessoas".

É o chamado diálogo através da CAE(Comunicação Aplicada às Empresas). CAE não é relações públicas ou marketing de guerra; também não é venda agressiva ou competitivas e muito menos uma função do capitalismo selvagem.l Não é a teoria administrativa ensinada nas escolas ou a adquirida na prática. É o simples saber comunicar-se, hoje apresentado como uma atividade neurolíngúistica, mais uma moda de tanto agrado dos artistas que atuam no palco dos chamados recurso humanos.

É coerente julgamento crítico da atividade humana, seja na família, na comunidade, na empresa ou na escola. É a formação de uma opinião própria ou de grupos, que por meio do diálogo, honesto e justo, coloca-se como uma missão, e como tal deverá ser seguida na busca do objetivo final: a melhor qualidade de vida em todos os momentos e em todos os lugares.

É possível ou é mais uma utopia ? Uma sugestão: o mentor, figura que transcende o consultor, o orientador e o monitor, pois tem em si os fatores que determinam o perfil de cada um dos outros profissionais. "Mentorear", nas universidades e faculdades, os alunos de hoje para que sejam os profissionais do ano 2000 pode ser uma das soluções para a dramática passagem de século, na qual a figura do desemprego, causado principalmente pela introdução da informática em larga escala, torna a idéia de Darwin mais presente: Só os mais capazes sobreviverão.

Os Professores Tibor simcsik e Ombretta simcsik são Diretores da Proselco – Consultoria Empresarial e Recursos Humanos S/C Ltda.

O artigo foi publicado no jornal O ESTADO DE S. PAULO, no caderno de empregos, página N7, em 14 de Agosto de l997, quinta-feira. Por ser atual, resolvemos divulgar, principalmente levando em conta que há uma recomendação. No artigo já se anuncia, "O profissional do ano 2000 antes de tudo será um relações públicas".

V O L T A R