Clipping 2000

 

PRIMEIRA COLOCADA NO VESTIBULAR 2000 - CÁSPER LIBERO

Carolina Alves Borges, 17 anos, foi a primeira colocada no vestibular 2000 da Faculdade de   Comunicação Social Cásper Líbero, no curso de Relações Públicas.

Primeiro lugar no vestibular. Como você vê essa colocação?
É uma honra. Eu fiquei muito surpresa, não esperava mesmo. Claro que isso não faz nenhuma diferença no curso, afinal, todos os outros alunos têm seu mérito.

Quantos vestibulares você prestou?
Eu prestei apenas dois vestibulares, o da USP e o da Cásper. Fui aprovada apenas no da Cásper.

Como você se preparou para o vestibular?
O colégio onde eu estudava realizou um curso preparatório de 6 meses. Li os livros e, no intervalo entre os vestibulares da Fuvest e da Cásper, preparei-me para a parte de atualidades. Eu lia Veja, IstoÉ e Folha de São Paulo. Nesse período, parei de sair um pouco.

Quais são as características que você acredita ter, que se encaixam com  a profissão de relações públicas?
Dinamismo, boa comunicação e criatividade. Acredito que essas características sejam importantes para o profissional.

Como você despertou o interesse pela profissão?
Acredite ou não, no início eu queria fazer Medicina, o curso que minha irmã estuda. Logo vi que era um pouco de fantasia, pois eu não gosto de Biológicas. Eu tenho maior afinidade com a área de Humanas e decidi pesquisar as profissões da área. Aos poucos, fui descobrindo a profissão de relações públicas, que até então, eu não conhecia direito.

E o que você descobriu que a fez optar pelo curso?
A profissão de relações públicas não é limitada. Você não fica preso a uma mesa, entre quatro paredes. É uma profissão dinâmica, você pesquisa muito, atua diretamente com as pessoas, com assuntos diferentes e em setores diversos.

Você chegou a pesquisar o mercado de trabalho?
Essa não foi minha preocupação principal. Porém, o pouco que eu descobri, deixou-me tranqüila. Toda empresa precisa de um relações públicas. As empresas que ainda não perceberam isso, um dia irão perceber, o mercado continuará crescendo. Há um enorme espaço de atuação.

O que a fez se inscrever no vestibular da Cásper Líbero?
Pesquisando sobre as faculdades de Comunicação Social, li que o curso de Relações Públicas da Cásper está em segundo lugar no ranking da Playboy.


COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA E RELAÇÕES PÚBLICAS NA ÁREA RURAL

Marlene Marchiori

O mercado rural brasileiro vem sofrendo uma transformação profunda, processo que se acentuou  nos últimos anos. O acirramento da concorrência e a conquista de mercado nacional e internacional têm exigido dos produtores agropecuários brasileiros uma mudança de atitude e posicionamento. Esta evolução tem possibilitado um imenso mercado de trabalho para os profissionais de comunicação, já que a qualidade do produto final exige a total reformulação de conceitos.

Na área rural especificamente, é crescente o número de propriedades que passaram a visualizar a administração com os mesmos critérios de empresas, se profissionalizando e investindo maciçamente em comunicação e treinamento de funcionários, bem como em novas tecnologias. Este movimento tem proporcionado maior lucratividade, produtividade e reconhecimento internacional do padrão dos produtos agropecuários.

É uma área que vem se consagrando com a atuação dos profissionais de Relações Públicas, onde, além das ferramentas convencionais, demanda crescimento contínuos de novas técnicas  e programas, visando adequar este trabalho à uma linguagem , realidade e característica totalmente diversas, que são as propriedades rurais, industriais e serviços que englobam a cadeira produtiva do agribusiness.

O trabalho de Relações Públicas desenvolvido tem como foco o que nosso querido colega Valentim Lorenzetti preconizou em sua “Filosofia do Sol”- “olhar para o poente, tendo a compreensão objetiva da paisagem”.

Relações Públicas na área rural não é diferente. A profissionalização se inicia no proprietário e aos poucos é disseminada e valorizada por todos que compõem a empresa agropecuária. A atividade nasce em conversas informais, onde há necessidade se perceber o interesse do proprietário rural em um plano. Assim, podemos passar a segunda etapa: apresentação de uma proposta envolvendo ações básicas e primordiais, buscando a fidelização  dos públicos. O que diferencia é o fato de muitas empresas agropecuárias estarem vendo hoje e necessidade da comunicação estratégica, aquela que cria valores efetivos para a organização.

A estratégia básica é a aproximação da organização dos públicos, proporcionando um atendimento que possa ser identificado pelo receptor como único. Podemos alavancar inúmeras ações: histórico e aspectos relevantes, sistema de pré-venda, venda e pós-venda, planejamento de eventos - leilões particulares ou participações como convidado -, comunicação continua, levantamento de opiniões com lideranças externas, posicionamento do produto, envolvimento dos funcionários, assessoria de imprensa, pesquisas, comunicação dirigida e na mídia especializada, identidade visual, brindes, banco de dados, controle de registros e envio de documentação dentro de estratégias que visam basicamente o incentivo para a criação da raça, por exemplo, aos mais diferentes criadores.   Criadores estes com potencial para o desenvolvimento da genética em suas propriedades ou até mesmo para o cruzamento industrial.

O que importa, mais uma vez, é o conhecimento profundo da linguagem e do respeito ao transformar uma informação.   Assim, fica mais fácil e inteligível a mensagem, o produtos, o serviço, o conceito institucional - por que não ? - entre tantas outras áreas a serem trabalhadas. Na realidade, o que fazemos é profissionalizar a comunicação estratégica da empresa agropecuária, sendo necessário encontrar formas de manifestar sua filosofia, mantendo-a próxima, ativa e pró-ativa junto aos públicos.

O trabalho do profissional de Relações Públicas não pára por aqui. É um crescimento contínuo, personalizando cada ação, direcionando as atividades para as expectativas e necessidades dos objetivos traçados em parceria com a empresa agropecuária. A percepção, embasada em levantamentos qualitativos e quantitativos para a determinação de estratégia que conduzam a organização agropecuária para sua excelência, evidencia a pratica das Relações Públicas.

Marle Marchiori: Doutoranda em Ciências pela USP, COM ATUAÇAO NA ÁREA DE Cultura Organizacional e Comunicação interna. Sócia proprietária da March Comunicação & Marketing, desde l992.
Fonte: Revista Aberje,Ano 9, No 33, 4o.trimestre de 99.


GOVERNADORES CRIAM PROBLEMAS PARA PROFISSIONAIS DE RELAÇÕES PÚBLICAS

por Cleonice Oliveira

O sindicato de relações públicas está enfrentando problemas com ouvidorias criadas pelo governo estadual e federal. Segundo Wilson Soares um dos diretores do sindicato, o cargo de ouvidor toma o lugar de um profissional de relações públicas: "Os governadores colocam qualquer funcionário da instituição para ouvir e responder as reclamações, o que deseja o cliente, como é que está sendo atendido, etc.

Isso seria da área de um relações públicas". O sindicato resolveu defender sua categoria, mandando uma carta para todos os deputados estaduais e federais, com o texto da lei. Com isso pretendem informar que os governos estão contrariando as leis, e que alguma atitude, seja tomada para que contratem um relações públicas ao invés de um ouvidor: "Caso contrário, vamos perder um pedaço do mercado" - desabafa o diretor. Já Teresinha de Andrade Leal, presidente do Conselho Regional de Relações Públicas, tem outra maneira de pensar. Para ela, a ouvidoria não precisa ser obrigatoriamente, vinculado ao um profissional de relações públicas: "Existem grandes ouvidores que não tem nada com a área de comunicação e acabam fazendo o serviço".

Ela explica que o cargo de ouvidor ou onbudsman, já existiu na história do mundo, e funcionou até no Brasil colônia: "O governo tem uma preocupação grande que as pessoas conheçam, entendam e percebam de maneira correta e transparente o seu conceito. Então o onbudsman é mais um elo dessa cadeia, para que este objetivo seja atingido". Teresinha diz que a lei que regulamenta a profissão, está defasada. Ela foi elaborada há 30 anos atrás.

Já existiu um movimento chamado Parlamento Nacional de Relações Públicas, onde a categoria manifestou o desejo de alterar a lei para possibilitar que profissionais de outras áreas, pudessem cumprir determinadas funções: "O registro deixaria de ser exclusivo de um profissional de relações públicas, podendo ser dado a outras pessoas, desde que cumprissem as exigências que estão nesse novo projeto de lei" - comenta a presidente do Conselho. Sobre a posição do sindicato, Teresinha responde que na época do Parlamento - de 1994 a 1997 - a questão do onbudsman ou ouvidor, não preocupava a categoria.

Por isso o Conselho não tem ainda uma posição oficial. Mas já que estão tentando possibilitar o exercício a mais pessoas que estejam habilitadas, irão propor esta alteração na lei: "As pessoas vão fazer uma pós graduação ou prestar um exame de qualificação para saber se podem exercer a profissão com este nome. Teresinha é presidente do Conselho Regional há um ano e sua gestão vai até Dezembro de 2000.


Relações Pública nos EUA

A esperteza e o carater do personagem Calvin são amplamente conhecidos em todo o mundo. O pequeno menino, que tem como amigo e parceiro o boneco Haroldo, que ganha a vida somente na intimidade dos dois, parece ser o reflexo de nossa sociedade, com suas dúvidas e contradições.
    Nessa tirinha publicada anos atrás pelo jornal "O Estado de São Paulo", podemos ver como o conceito de
Relações Públicas está presente na sociedade norte-americana.

Fonte: Ação Relações Públicas Ano 1 no 3 Jan.Fev.2000, pág. 18


HISTÓRIA

MOISÉS, O RELAÇÕES PÚBLICAS

A revista PR Week é especializada em RELAÇÕES PÚBLICAS. Circula nos Estados Unidos e na  Europa. Em sua última edição sustenta a seguinte tese: Moisés (a quem Deus entregou os Dez Mandamentos) foi o melhor Relações Públicas de todos os tempos.

Motivo: demonstrou eximia habilidade na “mediação entre o chefe (Deus) e o público (o povo judeu)”. Jesus Cristo e o profeta mulçumano Maomé também estão na lista como grandes comunicadores: “Jesus soube difundir sua mensagem semeando palavras como boas sementes.”

Essa nota foi publicada na Revista Isto é/1584-9/2/2000 página 21, na coluna A SEMANA


 

SERVIÇOS

 A TURMA DA BRONCA

O país descobre o ombudsman, profissional treinado para ouvir queixas e providenciar soluções

 A palavra sueca, inalterável no masculino, feminino e plural, é de difícil pronúncia - OMBUDSMAN. No entanto, entrou para o vocabulário cotidiano dos brasileiros. A primeira explicação  para o fenômeno é numérica: cinco anos atrás, havia cerca de 30 ombudsman no país.  Hoje, são 300. Antes, ficavam restritos à iniciativa privada. Atuavam em supermercados, bancos ou administradoras de cartões de crédito. Hoje, pontificam em órgãos públicos.. Integram uma categoria das mais beneficiadas pela onde de privatizações do país

Pode-se dizer que existe uma “ombudsmania” nacional, reconhecida além-fronteiras. Em  recente relatório, a Human Rights Watch, entidade americana voltada para a proteção dos direitos humanos, chegou creditar a redução dos índices de violência policial no Rio de Janeiro , durante o ano de l999, em parte à criação do cargo de ombudsman nos quadros da policia fluminense. É certo que estatísticas um pouco menos sombrias não resolvem o problema. Mas os militantes da organização já acusaram a presença de um novo profissional no organograma da polícia.

Ao procurar os serviços de um ombudsman, o cidadão começa a perceber que ele pode ser um aliado. Há outras atribuições a esse perfil profissional. Em geral, é um funcionário com acesso direto à cúpula da companhia em que trabalha. Goza de imunidade: não pode ser demitido no exercicio do cargo. Há casos de um período de estabilidade pós-ombudsman. O fato de criticar modelos de gestão  o distingue de um mero repassador de reclamações.  Esse foi o sentido dos serviços de atendimento ao consumidor que pipocaram nas empresas a partir de l990. Nem sempre o cidadão se deu bem ao recorrer a eles.

A primeira vez que se ouviu falar de ombudsman no Brasil foi em l986, quando a Prefeitura de Curitiba implantou a novidade. O termo se popularizou em l989, quando o jornal Folha de São Paulo indicou um jornalista para ser o representante do leitor. A prática perdura. Na rede de supermercados Pão de Açúcar, a figura desse superfuncionário no caso, a Relações-Públicas Vera Giangrande - existe desde l993. Em sete anos, Vera lidou com 40 mil reclamações. A maioria são  queixas relacionadas a produtos de má qualidade, substituídos gratuitamente . A situação é duplamente vantajosa: o consumidor ganha no atendimento e a empresa melhora a imagem.

No final dos anos 90, as privatizações ampliaram o mercado de trabalho para profissionais como Vera. As companhias tefônicas e as concessionárias de estradas foram rápidas  em adota-los.

“Antes, o cidadão nem chegava a se queixar às estatais. Não acreditavam que seria bem atendido”, explica Narciso James, ombudsman da Ecovias, uma das gerenciadoras de estradas de São Paulo. “Ao saber que a empresa  é privada, ele reclama.” Trabalho é o que não falta para James: o ombudsman das estradas atende por mês 2 mil telefonemas de usuários insatisfeitos. Queixa mais comum: avaria em carros provocados pela má conservação das rodovias. Quando isso ocorre, James investiga a fundo o acidente. Confirmada sua responsabilidade, a empresa paga o prejuízo. O médico paulista Renato Barreto teve o pára-brisa   de sua Cherokee trincado na Rodovia Anchieta, num trecho de recapeamento. Três dias depois, ao trafegar no local, o acidente se repetiu com o segundo carro do médico, um Gol. Barreto foi ressarcido pelas duas vezes.

Na Telefônica, operadora de São Paulo, casos como o da aposentada Eloah Mello*- demora na transferência de linha - são um desafio para o ombudsman Antonio Guedes. “Fico na cola da empresa. Se ela não resolve o caso, o cliente muda de operadora”, admite.

O ombudsman conquista espaço em órgãos públicos, onde é chamado de ouvidor, nome dado aos juízes das capitanias hereditárias no Brasil colonial. Desde maio do ano passado, 120 ouvidorias atuam, no Estado de São Paulo, na polícia, nos hospitais, nas secretarias e empresas controladas pelo governo. “Em meu setor, foi uma revolução”, garante Benedito Mariano ouvidor da polícia paulista. Como não existe escola para ombudsman, o governo de São Paulo ministra cursos de formação. O treinamento de duas semanas inclui sessões de psicodrama. No mês passado, 21 funcionários de concessionárias de estradas encenaram atropelos do dia-a-dia num dos módulos do curso. Sempre na defesa do consumidor, maneira eficiente de ficar do lado dos interesses do empresário.

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     Vera Giangrande

A ombudsman do Pão de Açúcar vai completar uma década na função.

Ombudsman - O termo surgiu na Suécia, em l809. Significa o funcionário que representa o cidadão nos órgãos públicos. Na França, ombudsman é mediateur. Na Espanha, ganhou expressão superlativa: defensor Del pueblo.

*Elloah Mello, de 65 anos. reclamou do atraso de um mês na transferência de uma linha de telefone. Resolveu o problema ao apelar para o ombudsman da Telefônica.

Fonte: Época 31 de janeiro de 2000, coluna Sociedade, páginas 68 e 69


 

ADOLFO BLOCH ESCREVE

BRASÍLIA E MANCHETE CRESCERAM  JUNTAS

 

A 21 de abril de l960, pela primeira vez na vida vestia uma casaca. Olhei-me no espelho e verifiquei que era eu mesmo. Apenas estava com roupa nova para assistir a um fato histórico: o nascimento de uma capital. No Brasília Palace Hotel onde me hospedei tudo estava por terminar mas todos estavam felizes. Na Praça dos Três Poderes, assisti à missa oficiada pelo Cardeal Cerejeiras e ouvi pelo rádio a benção do Papa. Na hora da Consagração, soou o sino de ouro e bronze que viera de Ouro Preto especialmente para a cerimônia: aquele mesmo sino anunciara a maorte de Tiradentes, mártir de nossa independência. E vi o Presidente JK chorar de emoção. Ao cair da noite, uma chuva de fogos de artifício iluminava o novo coração do Brasil. Fui à recepção no Palácio do Planalto. Só então descobri que não tinha sapatos próprios para o uso de casaca. Usei outros, pretos, esportivos, que foram censurados pelo Justino Martins quando, dias depois, ao examinar com a lente as fotos para paginar a revista, descobriu que eu estava com sapatos impróprios. Durante a festa, JK se aproximou e me disse:

- Bloch, você não podia faltar nesta festa.

Guardei essas palavras para sempre, como recompensa por ter acreditado em Brasília e ter ajudado a torná-lá conhecida de 85 milhões de brasileiros. Tivemos a felicidade de acreditar no projeto da nova capital desde o primeiro momento. Cada semana publicávamos grandes reportagens mostrando as obras que ali se erguiam. Nossas tiragens se esgotavam rapidamente. Testemunhavamos cada novo palácio, cada nova avenida, cada quilômetro da Belém-Brasília. Por isso mesmo, nao há exagero em afirmar: Brasília é Manchete e cresceram juntas.

Assim que o lago chegou à cota mil - contra a vontade de alguns técnicos que juravam  ser impossível  a construçao de um lago  na região - enviei para o Murilo Melo Filho uma lancha com o seguinte bilhete: - "Ai vai esta lancha para você fazer Relações Públicas. Não faça economia. Os judeus perderam Cristo por falta de Relaçoes Públicas e fizeram um mau negócio: um homem desses nao se perde."

Fomos pioneiros em Brasília, pois em l957 já instalávamos nossa sucursal no setor gráfico. Mandei para lá meus  melhores homens, Murilo Melo Filho e o fotógrafo Jader Neves. Há poucos dias, estive em nossa capital fazendo uma visita de cortesia ao Presidente José Sarney, depois de ter estado em São Paulo, onde leveu meu abraço de solidariedade a Dona Risoleta, bem como os meus votos de pronta recuperação ao Presidente Tancredo Neves. Da janela do meu apartamento, contemplando a grandiosa obra de Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek, fiquei emociado: eu havia visto aquela cidade nascer. Deus me deu a felicidade de ter visto o nascimento de um novo Brasil.

Fonte: Revista Manchete. Década de 80. Recorte fornecido pela Presidente da FENAPRORP


RP acabou?

O antigo funcionário que organizava coquetéis e recebia convidados, hoje passeia com os netos e prepara reuniões de condomínio.
Flávio Valsani

Lembram-se daquele senhor, de unhas cuidadosamente manicuradas, cabelos irrepreensivelmente penteados e mantidos no lugar à custa de quilos de “Glostora”, vestindo sempre ternos cinza ? Lembram-se dele ? Sempre atarefado - não havia ninguém como ele para organizar um coquetel, receber uma visita, mandar um cartão de aniversário. ra sempre ele quem todos procuraram para saber qual a posição correta da bandeira brasileira ou a ordem de precedência das autoridades. Só ele era capaz de responder qual o tratamento adequado para um bispo ou como endereçar um ofício.           Pois é, creio que todos nós tivemos a oportunidade de cruzar, pelo menos uma vez na vida, com este nosso personagem, mesmo que não tenhamos a menor idéia do que significa essa tal de “Glostora”       - aliás, se você sabe o que é isso, certamente já passou dos quarenta...

Sabe, portanto, que ele era conhecido como o RP da companhia e que acabou por cair mais ou menos por acaso nesta função. Afinal, já tinha tempo de casa suficiente para ser promovido - mas não possuía nenhuma habilidade específica, ou título, ou padrinho... Por outro lado, lidava bem com o público, era metódico e cuidadoso, não ameaçava ninguém, era amigo de todos.

Verdade seja dita, ao receber o encargo, ele procurou se informar. Associou-se a entidades, solicitou seu registro profissional e procurou desenvolver seu trabalho com consciência e seriedade até onde lhe era possível. Foi, de fato, o que fez, durante vinte anos.  Da mesma maneia, sempre da mesma maneira até se aposentar, com todas as honras e glórias. E, ao receber a placa comemorativa, saiu decepcionado com a festa, um evento que não havia ninguém como ele para organizar.

Pois é, meus amigos, nosso personagem recolheu-se às delicias da vida em família e agora passeia com os netos, lê jornal e, vez por outra, relembra seus tempos de organizador de eventos ao preparar as reuniões de condomínios do edifício onde mora.

Esperamos todos que ele seja feliz, por muitos anos, ainda, mas não venham me dizer que este nosso personagem era profissional de RP. Nem ele o era, nem era RP o que ele fazia. Embora, certamente, não só ele como os que o colocaram nessa função tivessem a mais absoluta certeza de que o fosse.

Estranho, não é ? E, todavia, não interpretem mal essa minha afirmação um tanto azeda. Não que com ela desfazer das pessoas de idade ou de várias das atividades que mencionei ao longo destas linhas. A postura do nosso personagem nada tem a ver com sua idade física. Conheço muitos profissionais com mais de 5o anos que são verdadeiros garotos, no entusiasmo, na busca e novas tecnologias e novos caminhos. Gente, em uma palavra, que não tem medo do novo.

 Gerar mudanças

E este é o ponto. Dizer que RP acabou é o mesmo que dizer que se esgotou nossa capacidade de gerar mudanças. Talvez esta seja a principal explicação para a alegação de que os profissionais de RP venham sendo preteridos por seus pares da tão abrangente área da comunicação, especialmente jornalistas. De maneira geral, as pessoas odeiam mudanças. Toda mudança enfrenta uma resistência inicial, que tem de ser trabalhada e esclarecida.  Além disso, para a média das pessoas, RP é assessoria de imprensa ou, pelo menos, assessoria de imprensa é considerada a parte mais visível da atividade de RP. E, para falar com a imprensa, melhor ser jornalista.

Se esta afirmação é verdadeira ou não, isto não tem a menor importância porque, em nossa atividade, lidamos o tempo todo com proporções de fatos. Mais que o fatos propriamente ditos.

E já que estamos falando de  percepções que bombardeamos o estereótipo do RP, é justo apresentarmos nossa percepção deste profissional.  Para começo de conversa, ele(ou ela) tem alguns pré-requisitos: fala mais de uma língua, tem sólida cultura geral e está em permanente busca de novos desafios. Além disso, tem uma visão abrangente do processo. Está envolvido em programas de qualidade, proteção ambiental, atividades comunitárias e, o mais importante, tem consciência  de que comunicação não é um fim, mas um meio. Extremamente poderoso, é verdade, mas meio. Meio de facilitar o atingimento dos objetivos estratégicos da entidade para quem ele presta serviços. Meio de garantir uma postura ética e cidadã dessa entidade, disseminando internamente a transparência como valor fundamental. Meio de assegurar, pelo trabalho solidário e produtivo, o entendimento entre a entidade e todos os seus públicos-alvos.

E, em caso de crise, é a pessoa adequada para garantir que a expectativa da comunidade e dos diversos públicos que buscam esclarecimento seja atendida desde o primeiro instante e não apenas quando a emergência tiver sido resolvida e todos os vizinhos, curiosos, palpiteiros e transeuntes tiverem dado já suas entrevistas, contribuindo para a desinformação geral.

Tudo isso é trabalhar com RP. E mais outras tantas atividades, de patrocínios culturais e informativos, de prêmios científicos a lançamentos de produtos, de programas de comunicação voltados para empregados àqueles voltados para a reciclagem de lixo.  A partir do momento em que a entidade precisa se relacionar com alguém, RP esta lá.  E mesmo antes de que a entidade adquira essa  consciência, lá está o embrião de RP, contido na clássica frase “precisamos fazer  alguma coisa”, leia-se, “gerar alguma mudança”.

Não desejo, porém, arvorar-me em dono da verdade. Pode ser que RP tenha acabado e eu tenha estado tão ocupado  que nem tenha percebido. Pode ser, mas ainda acho que o que realmente acabou foi apenas uma forma ultrapassada de encarar o próprio processo de comunicação, já que vivemos, hoje, o on-line/real-time.

Explode uma bomba em Timor Leste e um escriturário no Recife se horroriza com o fato. A Turquia sofre um terremoto e o pescador barriga-verde dá graças a Deus por viver num país sem cataclismas. Da mesma forma, as ações  de comunicação precisaram ganhar em agilidade, dinamismo. Precisaram rever não apenas seus processos, mas até seus conceitos.

Comunicação no geral, e RP em particular, deixaram de ser atividades para amadores. Uma ação inadequada pode reverter em danos catastróficos para a imagem de instituições que, até ontem, eram consideradas modelos de solidez. A democracia e a participação da sociedade no gerir seus próprio destino tornaram esta nossa atividade ainda mais essencial. Principalmente porque, além de lidarmos com percepções, fundamentamos nossas mensagens no racional, na informação partilhada em fatos, não em discursos.

Pode ser, porém, que RP tenha acabado. Talvez tenha sido inadvertidamente substituída apor algum outro conceito pretensamente mais ao gosto da modernidade como “administração de reputações” ou “marketing social”. O que quer que tenha acontecido, o fato é que tenho visto cada vez mais e mais profissionais - jovens e velhos - competentes e entusiasmados, desenvolvendo novos, interessantes eficazes caminhos para a geração de mudanças.

Se todos eles são profissionais de RP, médicos, engenheiros, publicitários, jornalistas, administradores, isto é uma outra história, que fica para outra vez.

Flávio Valsani é diretor da LBVA. E-mail: Flavio@lbva.com.br.
Fonte: Revista Comunicação Empresarial  Ano 9 n.33 4o Trimestre de l999.


CRIE SEU FUTURO VIVENDO SUAS APTIDÕES

César Romão

Descobrir aptidão profissional é fundamental para alcançar sucesso.

    O escritor e conferencista César Romão comenta sobre os problemas enfrentados por quem acaba fazendo um curso universitário para o qual não tem aptidão. Segundo ele, as pessoas precisam descobrir qual o seu verdadeiro talento antes de investirem em curso e programas de treinamento.
    O resultado de uma pesquisa que realizei junto a universitários, profissionais e pessoas já com carreiras avançadas, apresenta um fator primordial que poderia ter definido de maneira mais feliz e produtiva a vida de cada uma delas.
    Hoje, os jovens cursam universidades por imposição dos pais ou por visão equivocada do mercado de trabalho e quando terminam o curso, normalmente, a maioria deles percebe que fez o curso errado e acaba atuando em área diversa daquela para a qual se preparou.
    Dentro das diversas áreas profissionais, encontram-se pessoas exercendo atividades e funções totalmente incompatíveis com seus desejos de atuação.
    Nas carreiras já concretizadas, a maioria das pessoas trabalhou e executou um serviço ou praticou uma atividade que não era aquilo que gostaria.
Impulsionar seres humanos a tarefas incompatíveis ou adversa às suas qualidades e aptidões tem sido uma dura maneira de fazer com que eles não criem seu futuro e vivam com o que o mundo lhes oferece.
    Isso vem causando infelicidade e, muitas vezes, fracasso profissional, expandido para a vida pessoal de cada uma dessas pessoas.
    Empresas preocupadas com excesso de qualificação, como por exemplo os cursos do MBA, sendo hoje vendidos com o mesmo marketing de franquia de hambúrguer no Brasil, tem gerado uma fila enorme de desempregados com grife.
    As empresas preocupadas apenas com o treinamento, onde o colaborador tem de fazer aquilo que a organização manda, acabam sepultando a capacitação, pois com esse método não permitem que o colaborador ofereça à organização aquilo que ele têm de melhor.
    Em vez de semearem dentro de processos organizacionais um campo gerador de talentos, estão edificando criptas para sepultar aptidões. Toda pessoa tem dentro de si uma aptidão nata. Apenas aguarda a oportunidade de coloca-la para fora.     Descubra-a antes de atuar em qualquer atividade. Será fundamental  para você, pois o sucesso é uma combinação de competência  e aptidão.
    Ser competente é transformar esforço em resultado positivo e para saber se você está sendo competente basta aferir seus resultados.

Não enfrente a vida sem descobrir a sua verdadeira missão.

    Procure-a através do conhecimento de suas aptidões e não das que querem  que você possua. Somente assim você sentirá prazer em tudo aquilo que faz e poderá brilhar em sua atividade de existência.
    Para auxilia-lo nesta jornada sugiro uma visita ao site www.cesarromao.com.br, onde você encontrará um Teste de Aptidão. Realize-o. Descubra suas aptidões. Quando termina-lo, leia também o livro O Seu Futuro Depende de Você. Eis aí dois companheiros importantes, e talvez decisivos, nesta viagem particular para ser feliz e obter sucesso na sua estrada profissional e pessoal.
    Nenhum mercado de trabalho necessita apenas de um profissional que se encaixe nas exigências, mas sim de um colaborador que transcenda as exigências. Somos o que somos, porque vivemos onde vivemos e sabemos aquilo que aprendemos. Descobrir e aplicar sua aptidão não fará simplesmente de você uma pessoa realizada.
    Fará muito mais que isto: dará a oportunidade de viver a vida que está escrita dentro de sua capacidade humana trazendo benefícios a todos  os envolvidos em sua jornada e ao espaço de vida que ocupa.
Fonte: Caderno de Empregos do Diário Popular, pág. 2, domingo 13 de fevereiro de l999


PERFIL

O INIMIGO NÚMERO 1 DOS VERDES

Robert Shapiro, o homem por trás dos transgênicos, tem medo do ecoterrorismo.

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Alexandre Mansur e Vladimir Netto

    O Americano Robert Shapiro é presidente de uma das maiores empresas do mundo, a Monsanto. Com faturamento de 9,6 bilhões de dólares por ano e investimento anual de 4 bilhões de dólares  em pesquisas, a companhia tem uma lista de produtos inovadores que trazem benefícios a milhões de pessoas. No ano passado, por meio da subsidiária Searle, lançou o remédio Celebrex, contra artrite. Foi o medicamento novo mais vendido do ano nos Estados Unidos. Presidentes de empresas desse porte geralmente têm status equivalente ao de chefes de Estado. Por onde vão, são recebidos com festas, discursos, palanques e afagos de políticos preeminentes. Com Shapiro é diferente. Ele evita aparições públicas, entra e sai sorrateiramente dos países. Há duas semanas, veio ao Brasil sem nenhum anúncio, conversou com senadores e ministros em Brasília e foi embora no dia seguinte para os Estados Unidos, tão silenciosamente quanto chegou. O comportamento discreto não deve ao medo de seqüestro - mas, sim, à fúria dos ambientalistas, que o perseguem com protestos por onde vai. Isso ocorre porque os ecologistas de todo o mundo escolheram  como o inimigo número l.

    O pesadelo de Shapiro é resultado de um sonho ambicioso. Até 1993 a Monsanto era uma empresa que fabricada pesticida e produtos químicos para uso industrial, como fibras para carpete. Recém-empossado como presidente da empresa, Shapiro apostou que o futuro da companhia estava no que batizou de “ciência da vida”. Com base na biotecnologia, a Monsanto criaria vegetais capazes de revolucionar a medicina: sementes que baixassem o nível de colesterol das pessoas, batatas que não apenas alimentassem mas servissem como vacina. Os problemas começaram com o lançamento do primeiro produto da nova tecnologia,   soja transgênica. Trata-se de uma semente que, graças  à manipulação genética, resiste ao mais potente herbicida. A vantagem é que é possível exterminar as ervas daninhas sem prejudicar seu crescimento. Mais tarde vieram novas variedades de milho, algodão e canola mais resistentes aos insetos, reduzindo a necessidade de pesticidas.

    O sucesso comercial foi espetacular. O FDA, o rigoroso órgão do governo americano que fiscaliza remédios  e alimentos, aprovou os produtos. Os transgênicos estão hoje presentes em cerca de 60% de toda a comida processada no país.  Estima-se que sejam consumidos por 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo. O desastre foi de Relações Públicas. Os ambientalistas reagiram aos transgênicos como se a Monsanto tivesse libertado frankenstein. São preocupações justificáveis, pois se mexeu no material genético de plantas e ninguém sabe com certeza em que isso pode dar. Temeu-se que as sementes se espalhassem pela natureza criando uma vegetação  de pesadelo ou fizessem mal à saúde. Nenhuma pesquisa cientifica confirmou essas suspeitas de forma séria e definitiva. No ano passado, a empresa anunciou que passaria a fornecer sementes transgênicas estéreis, de modo a eliminar o risco de proliferação na natureza. A notícia foi recebida porque se viu que embutia uma estratégia comercial perversa: também iria impedir que o agricultor usasse parte da produção no plantio da próxima safra, obrigando-o a comprar novo estoque da Monsanto. “Essa é uma empresa que as pessoas adoram odiar”,observa o americano Richard Stover, analista do mercado farmacêutico.

    O principal foco de resistência está na Europa, onde vários paises impõem restrições ao plantio e ao consumo. Alimentos transgênicos são proibidos no próprio restaurante da fabrica da Monsanto na Inglaterra, por exigência dos funcionários. No Brasil é proibido plantar, exceto em estações experimentais. Shapiro veio ao país exatamente para pedir às autoridades urgência na liberação do produto. Olhando para trás, o presidente da Monsanto acha que, no momento do lançamento da soja transgênica, avaliou mal a reação do público. “Tínhamos imensa confiança na tecnologia e sempre vimos nossos produtos como benéficos para os agricultores e para o meio ambiente”, diz Shapiro. “Acho que acreditamos ingenuamente que o resto do mundo iria chegar à mesma conclusão”.  O erro de estratégia talvez tenha sido começar com um produto cujas vantagens são difíceis de explicar ao público em geral. Em lugar dos prometidos alimentos com propriedades medicinais, o que a empresa esta vendendo é um produto cujos benefícios diretos só são plenamente percebidos pelos agricultores.

    Em vez de se acomodar, o alarido dos ecologistas só cresceu com o passar dos anos. A Monsanto investiu 8 bilhões de dólares para comprar grandes empresas de sementes, como a Cargill, alimentando o medo de que vá monopolizar a produção mundial de sementes.  “Quem controla as sementes também controla o suprimento de alimentos”, alerta a americana Hope Schand, , diretora da organização ambientalista Rafi. No final de l998, ao ser atingido no rosto por uma torta vegetariana, Shapiro entendeu que sua cabeça está a prêmio entre os ecoterroristas. Na sua casa em Chicago, onde vive com a mulher e os dois filhos pequenos, a segurança foi reforçada. Ele ainda sai nos finais de semana e faz programas normais, como levar a família no zoológico, mas sempre com esquemas especiais de segurança. “O perigo é real. Recentemente explodiu uma bomba no laboratório de manipulação genética na Universidade de Michigan”, diz Shapiro. “Uma coisa é você não concordar com meus argumentos, outra bem diferente é a violência”. Ele tem certeza de que a biotecnologia agrícola será mais cedo ou mais tarde, reconhecida pelos críticos como um “instrumento valioso para alimentar a população do mundo e para proteger o meio ambiente”. Mas então o senhor transgênico já terá saído de cena. Depois da fusão da Montasanto com a Pharmacia & Upjohn, uma megaempresa farmacêutica, o presidente de Pharmacia & Upjohn, Fred Hassan, assumira a direção da nova corporação. Shapiro, de 61 anos, vai se afastar da Monsanto em meados do ano que vem.
Fonte: Veja 8 de março de 2000, página 51 número 1.639