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Educação

MBA DE RENOME É ATALHO PARA O SUCESSO PROFISSIONAL

Mauricio de Oliveira

de São Paulo

O Máster Business Administration(MBA) mudou a vida do economista carioca Marcio Eduardo Fortes, 28 anos. Ter investido um ano e meio nos estudos lhe valeu um novo emprego, com salário quatro vezes maior do que o anterior, e permitiu que ele redirecionasse a carreira para a área desejada. Satisfeito com os resultados, Márcio recomenda a experiência a todo executivo, especialmente os recém formados. “A graduação já deixou de ser diferencial há muito tempo, mesmo que tenha sido feita numa boa universidade”, considera. E, em pouco tempo, o próprio MBA  dentro ou fora do País, pode se transformar numa exigência básica para candidatos a determinadas funções dentro de uma empresa.

O depoimento de Fortes reforça opinião unânime dos especialistas em carreira: acrescentar ao currículo o MBA de uma instituição de peso - que deve ser selecionada com cuidado, para escapar das dezenas que usam indiscriminadamente sigla no Brasil - é o melhor atalho profissional que se pode encontrar hoje em dia, embora tenha custos elevados e exija a dedicação de até 50 horas semanais.

Formado em economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, Fortes havia acabado de enfrentar um longo processo de seleção no Banco Francês Brasileiro(BFB). Apesar de ter sido escolhido entre mais de 1.500 candidatos, decidiu trocar o novo emprego pelo MBA em finanças do Ibmec Business School. “Eu queria trabalhar com comércio exterior, mas sentia que, antes de entrar nessa área, era preciso ampliar meu ferramental teórico”, explica.

Márcio pagou R$ 16 mil do próprio bolso e dedicou-se  integralmente às aulas durante um ano e meio,, o que permitiu um desempenho acima da média - entre 187 alunos, foi um dos dois a obter conceito “A” em todas as matérias. Quando concluiu o curso, já havia assegurado o cargo de analista de logística da Multiterminais, que administra o armazenamento de cargas do porto do Rio de Janeiro. Passou a receber um salário quatro vezes maior do que ganharia no BFB. E propôs, ao Ibmec do Rio de Janeiro a criação de um curso MBA específico para a área de comércio exterior.  A idéia foi adotada e será colocada em prática já no próximo semestre, com Márcio participando da organização.

Quem também reconhece   benefícios práticos  do MBA é a gerente de recursos humanos da Clorox do Brasil, Leia Galina Moreli, 36 anos. “Foi o verniz que faltava para o meu currículo brilhar mais”, atesta. Formada em nutrição, ela começou a trabalhar como especialista nessa área mas aos poucos enveredou para a administração de pessoal. Passou por vários cargos de recurso shumanos durante 11 anos na Editora Abril, mas sentiu falta de embasamento teórico para o que sabia na prática.  Depois de fazer pós-graduaçao na Fundação Armando Álvares Penteado(FAAP), decidiu-se pelo MBA em recursos humanos da Universidade de São Paulo.

Logo no começo do curso, Leia recebeu um convite do Carrefour. Transferiu-se como gerente de recursos humanos. Um pouco depois, no entanto, quando já havia concluído o MBA, foi procurada por um “headhunter”que representava a Clorox, empresa norte-americana de produtos de limpesa que fatura US$ 4,5 bilhões por anos e esta ampliando a atuação no Brasil. Leia considera que seu desempenho na entrevista para o novo emprego simboliza toda a mudança proporcionada pelo MBA. “Eu estava dominando melhor a minha área e me sentia muito mais segura do que antes do curso”, compara.

Leia trocou a gerência no Carrefour, onde era subordinada a um diretor de marketing, pela condição de principal executiva de recursos humanos numa multinacional com grandes perspectivas no Brasil. A Clorox , cujos principais produtos  no mercado  nacional são o inseticida SBP e a água sanitária homônima à empresa. ka tem 650 funcionários no País. Quando resolveu investir R$ 16 mil e dedicar 20 horas por semana ao MBA, entre aulas e estudo extra-classe. Leia iniciou o trajeto em direção não apenas de um salário duas vezes maior do que o da época da editora Abril, mas também  desenhou uma nova realidade profissional. Em menos de um ano na Clorox, já viajou três vezes para os Estados Unidos e outras três pela América Latina -  e, mais importante, sente que está numa empresa repleta de oportunidades.

Quem faz um MBA de bom nível cita como vantagem adicional a rede de contatos que surge do convívio na sala de aula, algo que pode ser útil em vários momentos da carreira, tanto para quem procura emprego como para quem precisa contratar.

Ex-aluno do MBA da Business Scholl São Paulo(BSP), Roberto Moreira do nascimento, 29 anos, conhece as duas faces dessa moeda: foi indicado para o atual emprego por um professor da BSP e entregou  a administração da empresa que havia fundado a uma colega do curso. Ex-gerente comercial da ZipNet, ele passou para a gerência de vendas da Internet Security Systems(ISS) no começo do MBA e, ao final, foi contratado como diretor de produtos do portal Planeta Imóveis, depois da indicação de um professor da BSP.

Sem tempo para administrar a 360 graus, empresa que produz imagens para a Internet da qual é um dos fundadores, confiou a tarefa a uma ex-colega de MBA.

“O curso exige dedicação, e isso favorece o espírito de união na turma”, conta o gerente financeiro da  TV Globo, Frederico Borer, 32 anos, que está cursando o prestigiado MBA da Fundação Getulio Vargas(FGV), em São Paulo. São dois anos de aula, aoa custo de R$ 42 mil (24 prestações de R$ 1.750,00). Ainda assim, cada vaga é disputada por cinco candidatos, que se submetem a critérios de seleção idêntica aos dos mais renomados MBA norte-americanos - fluência em inglês e necessidade de indicações profissionais, entre outros requisitos.

Direcionado a executivos que já ocupam posições relevantes em grandes empresas - a maior parte dos freqüentadores esta na faixa dos 30 anos -, o curso tem carga horária de 14 horas por semana, mas é necessário pelo menos três vezes isso para dar conta da bibliografia, quase toda em inglês. Dedicar-se é obrigatório, já que o aluno estará eliminado se obtiver seis conceitos “C” entre as 32 matérias que compõem  o curso.

Promoções, aumentos de salário e convites são freqüentes para os graduados.

“Com o MBA a gente passa a entender as outras áreas da empresa, o que nos deixa preparados para cargos que, além das habilidades específicas, exijam comando estratégico”, avalia Borer, formado em economia. Ele é um dos raros casos no MBA da FGV de aluno que banca o próprio curso.

Já o gerente de produtos da Philips, Luiz Francisco Bortolazzi, 35 anos, conta com o inteiro apoio da empresa para realizar o MBA na FGV. Além de liberá-lo do trabalho às sextas-feiras, quando há aulas em período integral, a empresa financia todo o curso.

Com 14 anos de casa e experiência em diversas áreas, ele considera que o MBA  é fundamental para alcançar o ambicioso objetivo que traçou - chegar à presidência da multinacional holandesa. “Sonhar alto nos obriga a dar passos maiores para chegar lá”, diz.

O Apelo irresistível do exterior

O Brasil já tem boas alternativas do MBA, mas os cursos no exterior continuam tendo o irresistível apelo do contato com outra cultura e do domínio pleno de um idioma. Por essas razões a     administradora Melissa Duarte, hoje com 30 anos, decidiu vender todos os bens no Brasil para financiar o MBA no Canadá - decisão que mudou em definitivo os rumos de sua vida profissional e pessoal. Ao final do curso, que se estendeu de junho de l997 a maio do ano passado, ela foi chamada por um “headhunter”a ocupar a gerência de vendas para a América Latina e o México da Connors Brothers, uma das principais produtoras de sardinhas enlatadas na América do Norte. Menos de um ano depois de assumir o cargo, Melissa está decidida a permanecer no Canadá. “Aqui tenho qualidade de vida e uma excelente perspectiva profissional”, descreve. O curso da Universidade St. Mary’s, na província de New Scotland, custou US$ 25 mil, o mesmo que ela gastaria no Brasil com o MBA da Fundação Getulio Vargas.

Quando deixou o Brasil, Melissa era gerente de importação  e exportação da Fuchs, multinacional alemã da industria alimentícia. Logo ao primeiro emprego em território canadense, conseguiu um salário melhor do que recebia depois de quatro anos no cargo. “E no Brasil eu já era conhecida pelo mercado, enquanto aqui estou apenas começando, ressalta Melissa, formada em administração com habilitação  em comércio exterior pela Fundação Armando Álvares Penteado(FAAP). Nos próximos dias, ela estará dividindo o tempo entre as atribuições de executiva e uma tarefa burocrática: providenciar a papelada de imigração.(M.O.)


Comunicação Empresarial

Ferramenta de Gestão Empresarial

Paulo Nassar

Ética e  responsabilidade social são temas quentes para os gestores empresariais brasileiros. Alguns slogans, tais como Empresa Amiga da Criança, Empresa Cidadã, Amiga da Natureza e outros que são amplamente utilizados pelas empresas e comunicados expressam essas atitudes e preocupações. Para nos falar dessa nova consciência empresarial estamos recebendo Mário Ernesto Humberg, coordenador da PNBE - Pensamento Nacional das Bases Empresariais e presidente da CLA Comunicações, uma das mais importantes empresas de Relações Públicas brasileiras.

P.N. Mário Ernesto Humberg, a questão da ética já faz parte do produto e dos serviços das empresas brasileiras?
M.E. Ética e responsabilidade social são dois aspectos distintos e complementares. Eu acho que a responsabilidade social é algo que hoje está bastante enfronhado na atitude dos empresários brasileiros. Cada vez mais você vê empresas se dedicando a alguma atividade de responsabilidade social, num nível cada vez maior. Então você tem alguns institutos e fundações e as próprias empresas agindo em favor de programas de responsabilidade social, como estes que você mencionou.

A questão da ética empresarial eu acho que é mais ampla. A responsabilidade social é um dos aspectos dela e ainda estamos um pouco atrasados no desenvolvimento da ética empresarial no país.

P.N. Que tipo de programa as empresas estão fazendo para refletir isso?
M.E. Na área de responsabilidade social as empresas têm buscado o engajamento em alguns programas de entidades, de organizações não governamentais, como é o caso por exemplo do programa Empresa Amiga da Criança, que é um programa que envolve uma série de empresas em programas específicos e em um programa geral.

A Fundação Abrinq mantém uma série de crianças e instituições diversas, e precisa para isso de colaboração de empresas e de pessoas físicas, e as (pessoas) têm investindo nisso. Além disso desenvolve alguns programas específicos. Existem outras empresas que criaram o seu próprio instituto, como é o caso da C&A, que tem o instituto C&A de Ação Social, de responsabilidade social. É o caso também da Fundação Iochpe, que tem o seu trabalho especifico. Existe até uma associação das fundações do grupo de fundações empresariais, que se dedica a estas atividades de responsabilidade social.

Na área de ética empresarial há ainda, como eu disse, uma certa limitação, algumas empresariais ainda estão começando a desenvolver programas de ética, mas de modo geral as empresas têm se limitado a criar um código do que pode ou não pode e a expectativa da empresa é em relação ao comportamento do funcionário.

P.N. E na sociedade brasileira há um processo enorme, muito intenso, de fusões e aquisições de empresas por grupos de origem estrangeira. E você tem transitado fora do país em contato com empresários que têm interesses aqui. Essas empresas também estão investindo na questão de ética da responsabilidade social?
Da inovação. O que distingue uma empresa de outra já não é mais o produto. Você faz uma televisão com cinco botões, ai vem outro e faz uma televisão M.E. Nos Estados Unidos, mais de 90% das empresas que constam nas listas de grandes empresas tem um programa de ética empresarial. Isso se iniciou no final da década de 70, quando houve alguns escândalos  de corrupção e pagamentos a funcionários de outros governos. Então as empresas passaram a desenvolver isso. E hoje nos Estados Unidos é fundamental que as empresas tenham um programa de ética e tenham um programa de responsabilidade social. No mundo em que estamos vivendo as empresas se distinguem pela sua imagem, pela qualidade da prestação de serviços. A sociedade viveu uma mudança muito grande de paradigma com essa questão da informática, com a rapidez com seis botões no dia seguinte, de modo que a rapidez em adaptar produtos faz com que o grande diferencial seja a imagem. Tem que ser um pouco reflexo do que a empresa faz na área de responsabilidade social.

Nos Estados Unidos existe um instituto que mede a aceitação das empresas pela população, e esse ano foi feita uma pesquisa e quem ganhou novamente foi a Johnson & Johnson, que é considerada uma empresa que garante os produtos que fabrica e tem um grande envolvimento e responsabilidade social. se você olhar as outras empresas da lista das empresas mais respeitadas nos Estados Unidos, em todas elas a responsabilidade social é um fator fundamental.
Na Europa isso está um pouco menos desenvolvido, mas a (Europa) vem crescendo muito nessa área.

P.N. E quais são os desafios na questão da ética empresarial, mas no Brasil?
M.E. O Brasil enfrenta algumas dificuldades culturais. Nos temos ai problemas do passado, algumas daquelas famosas leis, como a “lei do Robertão”, é dando que se recebe; a “lei Belisa Ribeiro”, uma importante jornalista que ficou conhecida pelo slogan “se todos podem, porque eu não?”Então existe uma série de hábitos brasileiros que as pessoas tendem a querer ser espertas-“o outro faz eu também faço”, “ele não paga imposto, porque eu vou pagar?””ele paga mal os seus funcionários, não recolhe direito os impostos ou as contribuições, eu também vou fazer a mesma coisa”. De modo que existe um pouco arraigado este hábito de passar gato por lebre, fugir um pouco da responsabilidade em relação a tributos, em relação ao consumidor, em relação com os próprios funcionários. Eu acho que isso esta mudando um pouco, mas é um processo lento, é um processo educacional, que tem muito que ver com o desenvolvimento da sociedade.

Fonte: Canal Universitário - TV Uniban - Dezembro de l999 - Essa entrevista encontra-se no site da Aberje, cedida gentilmente por Paulo Nassar.