Suzana Munchen nos bastidores do Via Funchal

Entrevista
 
Por: Deborah Peixoto dos Santos 3o RP/B

Já se sabe que um Relações Públicas pode aplicar seus conhecimentos em diversas áreas. Sabe-se também que é um profissional de “bastidores”.

Mas como atua um RP que decide trabalhar na produção de shows?
Para obter essa resposta e conhecer um pouco mais dos bastidores do meio artístico visitamos uma casa de shows para ver como o espetáculo é preparado.

Você compra seu ingresso. Entra. De repente o escuro domina o espaço. Tudo pronto para uma divertida viagem. Luzes. Som. O show vai começar! Mas o que realmente esta por trás das toneladas de equipamentos de som, luzes, cenários, telões? Não é apenas o artista que trabalha em seu show. A equipe que fica por trás dos bastidores tem um trabalho árduo, cheio de imprevistos e prazos curtíssimos para realizar cada espetáculo. As etapas de preparação são muitas e bastantes trabalhosas, onde os profissionais do “show business”trabalham duro para que tudo saia conforme o planejado. aliás, “um bom planejamento e, principalmente, disciplina e organização são  elementos essenciais para quem trabalha(ou pretende trabalhar) nessa área”. Alguma semelhança com os princípios básicos das relações públicas não é mera coincidência. Suzana Munchen, gerente de produção executiva do Via Funchal trabalha desde a época da faculdade com shows. Fez Relações Públicas na PUC - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e, desde então, dedica seu tempo fazendo que gosta - produzindo shows. É claro que ela não trabalha sozinha, mesmo porquê seria impossível diante de inúmeras  providencias a serem tomadas. “Nos trabalhamos em conjunto. Cada um com sua função especifica, mas tudo funciona com todos trabalhando juntos. Não se consegue fazer a produção  sem ter, por exemplo, a parte operacional da casa trabalhando ao lado, como portaria, bilheteria, bares, tudo”. A equipe do Via Funchal ainda conta com áreas próprias para a organização de eventos, que fica sob responsabilidade de outro grupo, assim como a assessoria de imprensa, exercida por uma empresa contratada e que não fica na própria casa.

Quanto a parte técnica - equipamentos, palco cenários - e a produção do palco, Alexandre Nogueira, o “Xandico”, como é conhecido, cuida de tudo. Ele é o produtor de palco e trabalha com shows há vinte anos, tendo passado pelas suas mãos artistas e grupos como Queen, Madonna e outros. Trabalha com uma equipe enxuta, porem é extremamente confiante nas pessoas que o acompanham. “As vezes eu  não posso estar aqui o tempo todo. O que me adiante ter muitas pessoas trabalhando se eu não puder confiar no trabalho delas? O negócio é muito rápido, exige soluções imediatas e eu sei que a minha equipe resolve o problema na minha ausência . “Sobre os imprevistos na parte técnica, Xandico diz que “às vezes acontecem e temos que resolver o problema imediatamente. Se possível, antes da entrada do público, pois as pessoas pagaram o ingresso e não querem saber de problemas. Todos estão lá para ver o show e sair satisfeitos. É isso que temos que fazer”.

Satisfação total - só que dos artistas - também é meta para Jackson Maia, camareiro. Trabalhando na casa desde a inauguração, em 1998, ele é responsável por tudo que o artista precisar  de  serviços de camarim, bastidores durante o(s) dia(s) de show. Ele cuida da alimentação, acomodações, roupas e até  mesmo algumas “frescuras” dos artistas durante a estada no Via Funchal. Checar gostos e preferência de cada um,  preparar materiais que serão utilizados, fazem parte de seu trabalho. “Eu faço tudo o melhor  que posso, pois eu quero a satisfação do artista. Gosto de fazer tudo da melhor forma possível, para uma próxima vez já ser reconhecido pela competência”, diz ele. A seguir, Suzana nos contara um pouco mais de como une o trabalho de Relações Públicas com o dinamismo do mundo dos shows.

Quais são as etapas de seu trabalho depois de fechado o show?
Depois  que a produtora executiva fecha o show é que começa o meu trabalho. A nossa parte, a da produção executiva, cuida basicamente de hotel, hospedagem, transportes, passagens, credenciamento, camarins e do funcionamento do show dentro da casa. Quando o show é fechado, são passadas para a produção executiva todas as necessidades do artista, o que ele e a equipe vão precisar. Quando a casa é responsável por tudo isso, já se começa a acionar as outras partes envolvidas e providenciar tudo o que vai ser preciso.

Qual é aparte que da mais trabalho para ser feita?
Isso varia de show  para show. Normalmente, o que se pode ter de mais complicado é a parte de montagem de palco. Quando uma banda tem um cenário muito grande, muito equipamento, tornas-se um pouco mais complicado. Às vezes gasta-se 2 ou 3 dias em algumas montagens, e por isso pode enrolar o calendário. Para cuidar d;isso existe o produtor de palco, que é o Xandico. Para ele também é passado tudo o que o artista vai precisar em relação a parte operacional, o chamado “rider técnico”. Se o artista for precisar de equipamento que a casa não possua, as providencias são tomadas. O Via Funchal possui uma estrutura básica, mas quando não temos vamos atrás do equipamento extra necessário para a montagem do show.
Por isso que as áreas tem que se comunicar e trabalhar muito bem sintonizadas - para que os resultado sejam os melhores possíveis.

Como se sabe, imprevistos acontecem. Como você trabalha isso e em que área são mais comuns de acontecer?
Pode-se ter imprevistos em qualquer parte. Na nossa também pode ocorrer, principalmente na área de transportes, passagens. Mas isso depende da organização que você tem. Quanto mais organizado você é, menos chance você tem de errar. Mesmo assim, há imprevistos que acontecem fora do nosso alcance e ai temos que tentar resolver.

Como é trabalhar com produções internacionais?
Normalmente as produções internacionais são mais trabalhosas porque eles são mais exigentes. Eles pedem mais coisas, tem horários mais rígidos, são menos flexíveis. Isso ate acaba sendo bom, pois a maioria deles tem os horários certos de inicio e termino de ensaio, super pontuais. Se você conseguir fazer sempre as coisas certas, seguir o que eles pedem, não tem maiores problemas. Com as bandas nacionais você sempre consegue dar um jeito.

Qual o tempo ideal para se preparar um show?
O que acontece, geralmente, é ter um mês de antecedência para fazer o show, ate mesmo por uma questão de agenda dos artistas, de negociação. Mas, se falarem que fecharam um novo show para semana que vem, vamos fazer. Vai ser mais corrido, com certeza, mas vamos fazer. Em uma semana dá para se fazer tudo, dependendo do porte do show. Em estádios, você precisa de um mês, no mínimo. Você tem que montar tudo. Aqui na casa, já temos boa parte da estrutura do show.

Quais os comentários dos artistas sobre a organização do show?
Quando; acaba o show tem sempre a produção deles, que fica com a gente, que desmonta tudo e aponta o que gostou ou não, o que funcionou ou não. Se tiver mais que um dia de programado, a gente adequa o que for necessário, tem sempre ;isso. Isso tudo dentro de uma tolerância. Você tem que tentar  atender o máximo a produção deles, tem que trabalhar, mas não pode deixar de ter o meio termo também. Tem que ser flexível, tentar ajudar, fazer o lado da produção internacional e fazer o meio de campo sem mudar a rotina. As pessoas que fazem turnê já estão acostumadas. Aqui na casa temos muita facilidade em trabalhar com isso. Pela boa estrutura conseguimos atender bem o artista. Quando se sai pelo Brasil, você pega lugares super difíceis de se trabalhar. Aqui já temos meio caminho andado com isso. A estrutura da casas funciona bem e todo mundo que vem fala bem.

O que é importante, durante os preparativos, para que o show de certo?
Tem que ser muito organizado. Começar a conhecer, saber exatamente o que esta fazendo, fazer as coisas da melhor forma possível. Não tem muito segredo e com o tempo se vai fazendo e aprendendo. É claro que a pessoa tem que saber se virar bem porque é um trabalho corrido. Às vezes aqui na casa, se pega 3 shows na mesma semana, vai emendando um nos outro e a pessoa tem que ter pique, ser rápida, ter organização e disciplina. E também tem que gostar, porque todo mundo que entra nessa área e porque gosta, faz um show e fica. Tem que ser disponível, porque ocupa o tempo. A gente fica aqui durante a semana, de noite, em finais de semana, em feriado. Principalmente em uma casa de espetáculos, acontece de você muitas vezes  não ter mais sua vida pessoal, ficar trabalhando direto. Então, tem que gostar realmente ter pique, porque às vezes  “bicho pega”e tem que resolver de imediato. E tudo esta acontecendo ao mesmo tempo.

Fonte: Ação - Relações Públicas - Órgão Laboratorial da Coordenadoria de Relações  Públicas da Faculdade de Comunicação Social “Casper Libero”. Ano 1 - No 3 - Jan./Fev. 2000 páginas 10-11.