CRESCE A PROCURA POR CURSOS DE MBA

Na economia atual, competidores internacionais emergem sem aviso , enquanto clientes conhecem tudo em tempo real.  Porém, a antiga formação americana, o Máster Business Administration (MBA), ainda  é requerida. Ela expandiu-se pela Europa há somente 40 anos, e agora esta invadindo o Brasil.  Na era da globalização , as universidades americanas permanecem com o melhor MBA, lideradas pela Harvard Business School. No Brasil, a competição apenas começou e inúmeras universidades já oferecem  programas de MBA.

Todavia, MBAs  brasileiros custam entre R$ 8,5 mil e R$ 38 mil, uma média de R$ 15 mil, o que ainda é considerado alto para um país emergente. Como candidato para o MBA,  você deve primeiro analisar  quem são os professores e qual sua experiência internacional. Então, você pode avaliar se o

programa do MBA e o objetivo da formação são relevantes para as tendências do mercado de trabalho e para seu próprio projeto profissional.

Por outro lado, esta se tornando vital para os executivos brasileiros que têm um MBA trabalhar no exterior para adquirir verdadeira experiência internacional. O futuro crescimento do Brasil está nas mãos dos nossos executivos internacionais, e universidades deveriam trabalhar próximas às companhias para oferecer um treinamento prático avançado e global de primeira classe.

Franck Renand - Diretor do MBA Executivo Internacional da Universidade Estadual de Santa Catarina.

Fonte: Gazeta Mercantil, 7 de julho de 2000 - página 2  - Cartas & Opiniões.


ÉTICA

Comportamento

SEMINÁRIO INTERNACIONAL NA FGV DISCUTE  ÉTICA

Roberto Lippi
de  São Paulo

O cliente senta-se em frente à mesa do gerente do banco e pede uma sugestão sobre como aplicar seu dinheiro. Se oferecer Certificados de Depósitos Bancários(CDB), o gerente leva uma comissão maior. Entretanto, a melhor alternativa para o cliente seria mesmo a poupança. Dilemas como este vão além do bom negócio: envolvem ética profissional.

Maquiar pesquisa de opinião, computar despesas pessoais como gastos com treinamentos, pedir nota fiscal de valor mais alto no restaurante ou aceitar presentes caros são outros exemplos de atitudes mais que comuns nas empresas - e não é de hoje. A diferença é que agora as companhias estão de olho. E uma atitude antiética pode interromper uma carreira de sucesso.

Para discutir questões como estas, a Fundação Getulio Vargas (FGV) vai sediar, entre os dias 19 e 23 de julho, o II Congresso Mundial da ISBEE - Sociedade Internacional de Negócios, Economia e Ética. Organizado pela professora Maria Cecília Arruda, uma das maiores especialistas em ética empresarial no País e coordenadora do Centro de Estudos de Ética nas Organizações(CENE) da FGV, o evento terá como tema "Os Desafios Éticos da Globalização". Palestrantes de toda parte estarão presentes no congresso.

No dia 20, o presidente do conselho do Grupo Shell, Mark Moddy-Stuart, será um dos conferencistas. Com experiência de coordenação de projetos nas diferentes regiões do mundo, o executivo deve dar um panorama de como as questões éticas são vistas e discutidas em diversas regiões. Outros debates no mesmo dia abordarão a ética no mercado de capitais, microcrédito, conflitos étnicos e religião(impacto da globalização nas minorias étnicas), internet e o papel das mulheres nos cargos gerenciais. No último dia, haverá um debate específico sobre a conduta ética dos executivos brasileiros.

"O jeitinho brasileiro, por exemplo, traz uma flexibilidade muito interessantes, mas muitas vezes é usado na malandragem, com o objetivo de burlar a lei", diz Maria Cecília. "E o grande erro é usar o artifício 'isso todo mundo faz' pela justificativa pelas ações incorretas".

Na realidade, não faz muito tempo que essas preocupações passaram a ser encaradas com seriedade pelas empresas brasileiras. Maria Cecília acredita que a forte entrada de multinacionais depois da abertura comercial, no início da década de 90, teve importante papel nisso. "Essa cultura de preocupação com valores éticos e morais é muito forte nos países desenvolvidos", lembra Cecília

idéia de sobrevivência da organização  dá origem a atitudes antiéticas

 No evento, a pesquisadora vai apresentar um estudo que vem sendo realizado pelo CENE, da Getulio Vargas, desde l998, sobre as aplicações dos indicadores de clima ético na indústria brasileira. Foram consultadas 20 empresas.

Os resultados apontam que a idéia de sobrevivência da organização origina boa parte das atitudes antiéticas. "A falta de honestidade é aparentemente ensinada pelas autoridades da empresa. Quando falta ética nesse aspecto, a pressão dos colegas e subordinados sacrifica os padrões éticos em favor de resultados somente financeiros", diz o texto da conclusão do estudo.

Fonte: Gazeta Mercantil, Empresas & Carreiras, página C-2 11 de julho de 2000.


MULTINACIONAIS DE RP COBIÇAM EMPRESAS BRASILEIRA

Daniel Bruim
de São Paulo

Jackie Leslie, Chairman da Multinacional de Relações Públicas BSMG, esteve no Brasil  no inicio deste mês para analisar as empresas locais do setor e escolher uma para comprar e iniciar suas operações aqui. Visitou varias e descobriu que, entre as maiores, restam muito poucas disponíveis.

É que nos últimos três anos o mercado brasileiro sofreu uma silenciosa invasão dos grandes grupos globais de RP, que fizeram parcerias ou associações  com empresas locais ou, em alguns casos, decidiram se instalar no Brasil com escritórios próprios. Após uma pequena trégua no ano passado motivada pela desvalorização do real e pelo desaquecimento  da economia do País, a disputa pelas companhias nacionais voltou a se acirrar.

Neste momento, três dos maiores conglomerados de comunicação do planeta trocam cotoveladas para desposar as ultimas grandes empresas do mercado brasileiro de RP, aquelas oferecem serviços mais completo do que a simples assessoria de imprensa que caracteriza a maioria das medias e pequenas. Além  da BSMG, que pertence ao grupo True North - que controla no Brasil a agência de publicidade Giovaninni, FCB - estão na briga a Ogilvy PR (WPP)  e a Euro RSCG (Havas). Elas querem disputar o bolo de verbas estimado entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões por ano - o setor não possui números oficiais. Estes números, tímidos perto dos valores movimentados por publicidade e marketing, podem se tornar significativos  se o segmento de RP continuar a crescer  cerca de 30% ao ano.

Segundo fontes do mercado, a Ogilvy PR mantém negociações adiantadas com a Companhia de Noticias, uma das ultimas “noivas” disponíveis . A empresa tem entre seus principais  clientes Carrefour, McDonald’s Mattel, Gillette, Lucent Vésper, Pfizer e Perdigão. “Estamos apenas na paquera”, desconversa  Yara Peres, sócia diretora da empresa. Para ela, os grupos estrangeiros estão voltando a carga no Brasil porque a América Latina é a sua escala natural., depois de terem  se expandido pela Europa e Ásia.

BSMG, Euro RSCG e Ogilvy negociam com as últimas grandes ainda disponiveis

“Eles são movidos pelas necessidades dos clientes globais, que precisam ser atendidos em vários mercados”, diz Yara. Se o negocio com a Ogilvy se concretizar, não será a primeira vez que a CDN trabalha com uma multinacional. Até 1998 ela manteve um acordo operacional com a Shandwick, encerrado com a compra da companhia inglesa Interpublic.

A Euro RSCG enviou representantes ao País, há dois meses, para conhecer a X-Press, que atende Peugeot, Embratel, Arisco, Kaiser, Panamco e Bayer. As conversas ainda são preliminares, mas há boas chances de sair negócio, principalmente porque a Peugeot e a MCI - companhia norte-americana de telefonia dona da Embratel - são clientes globais da multinacional francesa em publicidade.

Mesmo quem escolheu o cuidadoso caminho de iniciar suas operações no Brasil por meio de acordos também já começa a intensificar o relacionamento com os parceiros locais. Depois de representar por cinco anos a Kentchum, do grupo Omnicom, a Estratégia prepara-se para fechar uma associação com a companhia norte americana. “Vamos partir para uma união mais concreta, pois já deu tempo para nos conhecermos bem e unificar nossas filosofias de trabalho”,  diz Valéria Perito, sócia-diretora da empresa, que tem em sua carteira Revlon, Nestlé, Caloi, Arno, Eucatex, Fedex e Delta Airlines.

Para Valéria, os anos de relacionamento com a Ketchum têm sido valiosos. “Eles nos ofereceram oportunidades de aprimoramento e em diversas áreas, como branding, healthcare, tecnologia e pensamento estratégico, e nos proporcionam a experiência de atender clientes globais”. Em outubro, a Ketchum promove pela primeira vez no Brasil um curso de especialização para seus parceiros mundiais.

Outro namoro que já está virando casamento é o da In Press com a Porter-Novelli. As empresas mantêm um acordo de filiação desde o ano passado, mas já começaram a estudar uma forma  de associar. A companhia brasileira atende no Brasil os clientes da multinacional norte-americana, como IBM e Motorola. Mas também ocorre o contrário: a In Press, que também tem na carteira Intelig, Brahma e Rede Globo, entregou a Porter-Novelli a tarefa de fazer o RP do Portal Submarino na América Latina e nos Estados Unidos.

“Quem quer crescer globalmente não pode ficar de fora dos grandes grupos mundiais de comunicação, pois eles têm o know-how e os maiores clientes internacionais”, explica  Claudia Rondon, sócia-diretora da In Press. Mas ela alerta quanto aos perigos da descaracterização do atendimento: “Não podemos perder nossa identidade, o jeito local de trabalhar, pois é isso o que nos torna valiosos para os grupos estrangeiros”.

Uma outra forma de trabalho conjunto com a adotada pela G&A e a Fleishman Hillard.”Mantemos somente um acordo operacional, sem participação acionaria, porque queremos continuar 100% donos do negocio”, diz Ciro Dias Reis, um dos sócios da G&A, que atende Pirelli, Nortel, Dell e Procter & Gamble.

A In Press vai transformar a filiação com a Porter-Novelli em sociedade até o fim do ano

Abrir seu próprio escritório foi a opção de algumas multinacionais. A pioneira foi a Burson-Marsteller, no Brasil desde l976. Com empresas como Gessy Lever, Aventis-Pharma e Visteron em sua carateira, a Burson tem 70 escritórios em 40 países. “Preferimos montar um operação própria para garantir nossa marca, reputação e métodos, o que não estaria assegurado se tivéssemos sócios locais”, diz o presidente Ramiro Prudêncio.

Para ele, o crescimento do interesse pelas empresas de RP esta ligada à mudança no perfil da comunicação de massa e a globalização: “Os consumidores ficaram mais sofisticados e exigentes, e as as empresas descobriram que a publicidade não é mais a única ferramenta viável de mídia; ela é mais cara, segmentada e muitas vezes apresenta menos retorno do que outras disciplinas”.

A Eldman, que tem 38 escritórios em 22 países, chegou ao Brasil há três anos comprando a V&K. A carteira de clientes aumentou e hoje inclui Grupo VR, Grupo Pão de Açúcar , Ericson, Sun. UPS, Bombardier, Miller, Mastercard e FGV. “O RP está crescendo mais rápido do que outros segmentos da comunicação, porque as grandes empresas nacionais e multinacionais estão investindo mais na imagem”, diz o vice-presidente Ronaldo Mincheff.

A atuação da Eldman aqui tem sido tão boa que a filial brasileira recebeu este mês o prêmio de melhor escritório mundial, sob critérios de crescimento, qualidade, treinamento e lucratividade. Mas Mincheff acha que os empresários locais precisam explorar  melhor o segmento. “Ainda há falta de conhecimento sobre os serviços que uma empresa de Relações Públicas pode oferecer”.

Há quatro anos com escritório próprio no Brasil, a Hill & Knowlton tem 66 filiais em 34 países e atende aqui GE, Delphi, Banco Santander, Continental Airlines e Novelli. Parte do grupo WPP, esta se reposicionando no mercado e deve adquirir em breve duas empresas locais. Segundo seu presidente, Robert Grad, o momento é favorável à expansão: “Temos de aproveitar que o Brasil é a bola da vez para as multinacionais do setor para consolidar o papel do RP na estratégia das grandes empresas”.


Globalização

AULA DE ETIQUETA PARA EXECUTIVOS BRASILEIROS

Em alguns países, erro de protocolo pode provocar perda de um negócio, diz o professor suíço Michel Rochad

Adriana Fernandes Farias
de São Paulo

Cometer erros de etiqueta pode significar o fim de uma negociação em alguns países. Para mostrar a diversidade de costumes do exterior e dar dicas de comportamento para homens e mulheres de negócios, o professor suíço Michel Rochad veio a São Paulo para dar um curso de protocolo e de etiqueta - o que chama de “saber viver”- no Instituto Internacional de Hotelaria e Gastronomia.

É preciso abrir a cabeça dos brasileiros para a importância de conhecer esses hábitos, principalmente com a globalização”, diz Jose Celso Martinelli, diretor do IHG. Ele cita o exemplo de um amigo, gerente executivo de uma multinacional, que foi aos Estados Unidos e deixou uma colega estática ao cumprimenta-la com um beijo no rosto.

Rochad, que é diretor da MGR Consultores Internacionais, empresa de consultoria no ramo hoteleiro, deixa claro que, em matéria de protocolo, o brasileiro ainda tem muito a aprender. Em lugares como Alemanha e China, cometer erros pode dar fim a uma negociação. “Na China, por  exemplo, não pode tocar na pessoa”, ensina. “Na Inglaterra, não se dá a mão.”

O professor adquiriu esses conhecimentos nos inúmeros cursos que deu a estrangeiros e nas viagens a trabalho que fez. “Antes de viajar eu consulto o consulado do país para saber quais são os costumes locais.”

Enquanto na Espanha é conveniente chegar meia hora atrasado para um encontro, na Inglaterra e Alemanha é preciso chegar no horário exato para passar uma boa impressão. Na Suíça, uns cinco minutos antes.

O ponto fraco no País é não saber escutar. “Os brasileiros são recordistas nisso”, comenta Rochad, frisando a importância em interessar-se  pelo que o outro fala. “É preciso escutar antes de falar.”Outro dia, o professor observou um europeu negociando com um brasileiro e notou que só o último falava, sem dar oportunidade ao primeiro. “Se  o europeu quiser fechar o negocio terá uma atitude passiva. Se for o contrário, o contrato não se confirma.”

Em compensação, o suíço elogia a receptividade e curiosidade nacional. “Em outros países, as pessoas acham que sabem tudo”, critica. O brasileiro também é um grande homem de negócios, porque tem flexibilidade e é simpático.

Erro cometido com freqüência por executivos é a pressa em fechar um contrato. “Na Tunísia, por exemplo, você tem que esperar ate uma hora pela pessoa com quem vai negociar.”

Para obter sucesso, não há diferença de importância em se vestir, falar ou se portar. Tudo conta igualmente. “A voz tem que ser agradável, e para isso há exercícios”, ensina o suíço.

Ser charmoso (não no sentido de sensual, mas de agradável) ajuda e muito nas negociações e, ao contrário do que se imagina, é algo que pode ser trabalhado. Isso inclui também a apresentação, escolher as roupas, não exagerar no perfume e, no caso de mulheres, saber usar a maquiagem.

“Duas coisas são muito importantes: o olhar e a voz”, resume. O olhar deve ser direto, mas demonstrar interesse e gentileza. Saber se portar à mesa também é essencial, já que grande parte dos contratos é fechada após um almoço ou jantar.

Existe um acordo internacional de boas maneiras, mas há países que têm regras particulares. Sorrir muito durante a negociação não é bom sinal quando vem de chineses ou japoneses. Se eles ficam sérios é porque o negócio será fechado.  Outra peculiaridade dos orientais é arrotar após as refeições. “Mas eles sabem que em outros países não devem fazê-lo”, diz o professor.

Já os árabes costumam até ser educados, mas nunca fecham negócios com mulheres, o que tem mudado lentamente em alguns países.

“Os grandes homens e mulheres de negócios têm a sensibilidade de ver as diferenças culturais, porque sabem que isso é importante para negociar”. Ao errar, pedir desculpas nem sempre é uma boa saída , pois só prolonga a situação .

No curso Rochad ensina ainda como se portar a mesa, receber convidados e organizar eventos.

Fonte: Gazeta Mercantil - Grande São Paulo, pág. 7, 24 de Julho de 2000