Por Roberto J. Samuelson
IMAGEM É TUDO
Política pública está virando Relações Públicas
O VERDADEIRO ESCÂNDALO DO FINANCIAMENTO das campanhas eleitorais não é a corrida maluca de candidatos e partidos atrás de contribuições individuais. Muito mais grave é a transformação de programas federais de vulto em veículos de propaganda partidária financiada pelos contribuintes. Os benefícios públicos desses programas são pequenos, se é que existem. Eles dão a impressão de que as autoridades estão agindo para resolver problemas. O resultado é propaganda política paga com impostos. Seus custos ultrapassam de longe a soma das contribuições privadas às campanhas eleitorais.
Um bom exemplo é o Cops, o programa criado pela administração Clinton para aumentar em 100 000 o úmero de policiais nas ruas (a sigla é formada pelas iniciais, em inglês, de Serviços de policiamento Orientados às Comunidades). O programa vai custar certa de 7,5 bilhões de dólares neste ano. Em comparação, os gastos com as campanhas eleitorais para o Congresso, em l998, totalizaram 1,5 bilhão de dólares, diz Michael Malbin, do Instituto de Financiamento de Campanhas, em Washington
A Cops já rendeu dividendos políticos de vulto. Ajudou o governo Clinton a tirar a questão da criminalidade das mãos dos republicanos. Num discurso, o presidente disse: “Reduzimos a criminalidade com 100 000 policiais comunitários”. O problema é que essa afirmação é em grande medida infundada. A queda dos índices de criminalidade teve inicio em l992. O Congresso só aprovou o Cops em l994. O Departamento de Justiça estima que policiais novos levam cerca de 18 meses para ser treinados e chegar às ruas. Em l996, o programa afirmou ter colocado 20 000 policiais adicionais em ação. Contrariando as declarações de Clinton, as estatísticas oficiais mais recentes indicam que apenas 60 000 policiais novos foram às ruas. Comparece-se esse número com os mais de 650 000 policiais estaduais e municipais que já haviam no país.
Mesmo esses números superestimam o impacto do Cops, porque muitos dos policiais teriam sido contratados de qualquer maneira. No programa, os municípios recebem até 75 000 dólares para pagar até três quartos dos custos com novos policiais nos primeiros três anos de atividade. Para imaginar que o Cops tenha aumentado o efetivo policial de maneira permanente, seria preciso acreditar que os governos locais fossem tão burros que não conseguissem traçar planos para além desses três anos.
Os municípios vêm ampliando suas forças policiais desde o inicio da década de 80. Entre l988 e l995, o efetivo cresceu aproximadamente 20% - ou 100 000 policiais. O Cops no Maximo acelerou a contratação de alguns deles.
O programa exemplifica o que poderia ser chamado de “a nova política eleitoreira”. Os políticos de hoje precisam causar boa impressão a um público bem mais amplo que o de antigamente. É fundamental parecerem preocupados com o bem-estar da população. Cada vez mais, os programas governamentais são pensados por seu simbolismo políticos, e não pelos benefícios reais que possam proporcionar.
A nova lógica política penetra mesmo programas mais antigos. Considere o caso do salário mínimo. As pessoas acham que é uma maneira fácil de reduzir a pobreza. Não é verdade. Muitas das pessoas que ganham salário mínimo, nos Estados Unidos, são adolescentes de classe media. Alguns trabalhadores mais pobres terão seus salários aumentados, mas, por outro lado, o salário mínimo maior vai fazer com que parte deles perca seu emprego. Quando se pesam os pros e os contras, vê-se que o beneficio para os pobres é pequeno ou inexistente.
Outro exemplo é a legislação que destinou 7 bilhões de dólares em ajuda “emergencial” ao setor agrícola. A idéia é que esse dinheiro garante alivio financeiro aos fazendeiros. Em longo prazo, porém, não vai ajudar a salvar o ícone americano das fazendas familiares. os subsídios são conferidos desde os anos 30 e não impediram o surgimento de fazendas maiores e que operam com custos menores. Entre l935 e l970, o número de fazendas familiares nos Estados Unidos caiu de 6,8 milhões para 3 milhões; em l977, estava em apenas 1,9 milhão.
Apesar disso, o Congresso continua aprovando os subsídios. Cada vez mais, política pública esta virando Relações Públicas. A idéia não é fazer o bem, mas ser visto como estar fazendo o bem. E o melhor de tudo isso - para os políticos - é que o trabalho de Relações Públicas é pago pelos contribuintes.
Fonte: Exame/9 de agosto de 2000 - página 145
OMBUDSMAN FAZ PALESTRA SOBRE MARKETING DE RELACIONAMENTO
Profissional do grupo Pão de Açúcar participou do ciclo promovido pela RAC
A ombudsman do Cliente do Pão de Açúcar, Vera de Mello Giangrande, foi a sexta profissional a participar do ciclo de palestras “Profissionais em Ação, Talento é a matéria-prima”, promovido pela Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), publicadora dos jornais Correio Popular e Diário do Povo, Vera proferiu uma palestra abordando o tema “Marketing de Relacionamento e Comunicação”. O evento aconteceu no último dia 25 às 18h no salão de eventos do The Royal Palm Plaza.
Vera ocupa o cargo de ombudsman do Cliente do Pão de Açúcar desde 1993. Presidente fundadora da VG&S Consultoria, ela se especializou em Comunicação Empresarial e Relações Públicas e vem trabalhando no ramo há 40 anos.
Na visão de Vera, o mais importante para uma empresa é construir um relacionamento onde as partes envolvidas podem ter uma confiança mútua. “As empresas têm de respeitar a dignidade do indivíduo sendo ele funcionário, cliente ou fornecedor. Para melhorar esses relacionamentos acredito que as empresas tenham de desenvolver o usufruto da palavra por todas as partes que se envolvem com elas. Temos de ouvir e resolver os problemas”, afirma
Em sua palestra, Vera discursou sobre as melhores maneiras de se buscar um bom relacionamento com todas as partes envolvidas, e sobre a função do ombudsman dentro da empresa. Falou desde a melhor forma de se recrutar um funcionário até a melhor maneira de ser resolver um problema sendo com clientes ou fornecedores. “Cerca de 68% das pessoas deixam de freqüentar alguma loja por estarem descontentes com o atendimento que recebem no estabelecimento. O cliente busca muito mais que preço baixo. É disso que temos que cuidar. Nós temos que analisar o fato em si, não importa a maneira como ele é no passado. O nosso principal compromisso é com a cidadania, é nela que temos de nos focar”, afirma.
A palestra de Vera de Mello Giangrande é a sexta do ciclo de palestras promovido pela RAC. A última, que aconteceu no final do mês passado, teve a participação do presidente do Instituto MVC-M, Marco Aurélio Ferreira Vianna. Também participaram o publicitário Washington Olivetto, da W/Brasil, Fátima Bastos Dias, diretora da Factor-8 Consultoria, além do diretor da agência Giovanni FCB, Paulo Giovanni e o profissional de marketing Eduardo Souza Aranha.
O objetivo do ciclo de palestras promovido pela RAC é de contribuir para o desenvolvimento do segmento de negócios da região, segundo o diretor de marketing da RAC, Paulo Hansted. “A palestra da Vera mostra como o relacionamento com o cliente é fundamental para uma empresa. Ou você consegue a fidelização dos clientes, ou você está fora. São esses pontos que são importantes para os empresários, argumenta”.
Correio Popular -CAMP - 27/7/2000- Pg. 2 - Seção Economia.