HILL & KNOWLTON E O LOBBY PROFISSIONAL

Presidente da Hill & Knowlton, segunda maior companhia de relações públicas do mundo, Edward G. Paster iniciou uma ofensiva de aquisições na América do Sul. Comprou agências no Chile e na Argentina. No Brasil, onde opera há quatro anos e quer aumentar o poder de fogo, descobriu que a maioria das melhores do setor já se associou às concorrentes multinacionais. Assessor do presidente norte-americano Bill Clinton em 1993, Edward G. Paster deseja firmar aqui o lobby como atividade profissional de relações públicas

Daniel Bruin, São Paulo

Chairman da multinacional de relações públicas veio comprar  mais uma companhia do setor e descobriu que há poucas disponíveis

Para aproveitar a temporada de caça às empresas brasileiras de relações públicas, Howard   G. Paster veio ao país fazer compras. O chairmanan da Hill & Knowlton admite, entretanto,  que há pouco puro-sangue do setor ainda disponível. A maioria foi vendida ou associou-se a multinacionais.

No atual giro pela América do Sul, Paster adquiriu a Captiva, do Chile, e uma empresa da Argentina que, por motivos contratuais, ainda não pode ter o nome divulgado. O executivo esperava sair do Brasil com pêlo menos dois contratos de compra assinados. “Estamos estudando as empresas que sobraram; conversamos com algumas, mas ainda não encontramos uma que se encaixe em nosso modelo.”

Há quatro anos no Brasil, a Hill & Knowlton teve um início tímido, funcionando dentro de uma sala da agência de propaganda Ogilvy. Explica-se: as duas fazem parte da gigantesca holding de comunicação WPP. Somente há dois anos é que a companhia começou a deslanchar. Embora no Brasil não haja um ranking oficial de RP, analistas acreditam que a Hill & Knowlton esteja entre as dez maiores do setor.

Mas Paster não acredita que a simples aquisição de empresas seja suficiente  para garantir uma expansão sólida:  “Ela agrega números no começo, mas uma integração mal feita pode gerar fuga de clientes e prejuízo”. A solução seria comprar agências de RP especializadas  em setores em evidência, como tecnologia - leia-se internet, informática e telefonia - e healthcare.

As novas aquisições irão se somar aos 66 escritórios em 34 países da rede Hill & Knowlton, segunda do mundo, que faturou US$ 243 milhões em 1999. Perdeu somente para a Burson-Marsteller, também da WPP, que arrecadou US$ 273 milhões. Clientes internacionais como Delphi, Banco Santander, Continental Airlines e GE também são atendidos pela agência  no Brasil.

A sanha expansionista de Paster justifica-se pelo fato de o setor de RP ser o que mais cresce do ramo da comunicação.  Avançou 37% no ano passado, contra 14% da publicidade. As quatro   empresas de relações públicas da WPP - Burson-Marsteller, Hill & Knowlton, Ogilvy PR e Blanc & Otus - faturaram juntas cerca de US$ 700 milhões no ano passado. “Vamos chegar a US$ 1 bilhão este ano, para a alegria do senhor Martin Sorrel”, comemora Paster, referindo-se ao chairman da holding.

Uma boa fatia deste dinheiro vem de segmentos de RP pouco desenvolvidos no Brasil, como as relações com  investidores e os lobbies empresariais e governamentais. Paster observa que esta última atividade ainda é mal vista no Brasil, por causa de problemas de corrupção. “Mas nos Estados Unidos o lobby é considerado uma atividade lícita”.

Ele sabe do que está falando. Em 1993 foi assessor legislativo do presidente Bil Clinton, ou “chefe dos lobistas da Casa Branca”, como gosta de dizer. “Foi uma época dura, em que o presidente estava tentando aprovar no Congresso mudanças radicais”, lembra.   Antes de trabalhar com Clinton, Paster fazia lobby para o Union Auto Workers, poderoso sindicato dos trabalhadores das indústrias automobilística e aeronáutica dos Estados Unidos.

O setor de “public affairs”, em sua opinião, também vai se desenvolver no Brasil: “Não há razão para que se perpetue como algo escuso, pois a sociedade sabe que há tráfico de influência em todos os níveis; se tudo for feito às claras, não há motivo para desconfianças.”

Outra atividade que promete encher os cofres da Hill & Knowlton é a assessoria estratégica a empresas de internet que desejam financiamento ou abrir seu capital na bolsa. “Elas não possuem os contatos necessários, e neste aspecto o RP pode ser utilizado para aproxima-las de bancos e investidores”.

Gazeta Mercantil, 14/08/2000 - Caderno Empresas & Carreiras, e chamada de capa

Daniel Bruin, Gazeta Mercantil, capa,  24/8/2000


50+ Os cinqüentões ainda têm muito a oferecer

Roberto Grad*

Faz tempo que se debate a (in)conveniência da contratação de pessoas com mais de 40 anos. Só que o preconceito vigente no mercado de trabalho brasileiro em relação à idade - retratado por EXAME em recente matéria de capa - fica muito pior quando o profissional vira a curva dos 50 anos. É como se, ao assoprar a qüinquagésima velinha, o sujeito perdesse de imediato e por completo o talento que o levou até ali e visse secar a sua fonte de idéias, murchar a sua força de vontade, caducar por completo tudo o que ele aprendeu até aquele momento.

Isso não pode dar certo. Não é possível que um sujeito seja bom até um determinado dia e que, na manhã seguinte, acorde fracassado, obsoleto, fora de moda. Não é possível que perca, de repente, todas as suas vantagens competitivas e vire alguém que deva - é o que dizem - ficar em casa, vestindo pijama o dia inteiro, atirado no sofá em frente da TV, em vez de estar no mercado  tirando o emprego de gente mais jovem.

Com a prerrogativa da provecta idade, quero questionar essa visão distorcida. Se me permitem, tomo como exemplo minha própria experiência. Assumi a presidência de uma multinacional com 55 anos e, pelos resultados que já obtive, estou certo de que a empresa não fez uma má escolha.

Minha condição de veterano tem lá as suas vantagens. Graças à idade, minhas filhas estão todas crescidas - a menor tem 19 anos - e, portanto, não exigem mais tanto a minha presença. Antigamente, eu tinha que levá-las à escola, acompanhá-las ao médico, comparecer a reuniões de pais e mestres, feiras de ciências no colégio, ensinar a andar de bicicleta, a dirigir o carro, buscá-las nas festinhas no meio da madrugada etc. Hoje tudo isso é passado. Acreditem: acordo muito mais tranqüilo e descansado para trabalhar do que há 10 ou 20 anos.

Por causa da minha quilometragem, também, entendo melhor os mercados em que atuo, as necessidades dos clientes que atendo - boa parte deles na minha faixa etária, diga-se de passagem.  De fato, mantenho um relacionamento pessoal com vários de meus clientes e gozo de um círculo de amizades que só consegui criar e consolidar com o tempo. Esse network traz muitos benefícios para a minha empresa. Os moços conhecem menos gente e é inevitável que seja assim: ainda não tiveram tempo de ampliar suas amizades e têm que dedicar muito mais tempo à família e aos filhos - ou, o que dá ainda mais trabalho, a escolha do parceiro ou da parceira. Essa tarefa, todo mundo sabe, demanda e consome vasta quantidade de energia, paciência, concentração e pensamento estratégico, que poderia estar sendo empregada no trabalho.

A idade também me deixou mais paciente, tolerante, criterioso. São virtudes que um jovem, via de regra, não tem. E só quem já viveu um pouco sabe como reações intempestivas e ordens fora do tom podem jogar para baixo o moral de uma equipe.

Com a idade, a situação econômica também fica mais definida. De novo: a estabilidade que o tempo me deu neste campo se traduz em maior energia, dedicação e concentração canalizados para a corporação. Normalmente, um cinqüentão já quitou a casa em que mora - e também a sua casa no campo ou na praia. Já pagou a escola dos filhos e está terminando de financiar-lhes a faculdade. Além disso, pessoas mais maduras tendem a se preocupar menos com status e mais com as coisas essenciais da vida. E não apenas em casa, mas também no trabalho. Eu não sonho, por exemplo, em chegar ao  pátio da empresa roncando o motor de uma Ferrari. Meu sonho é motivar o mais possível as pessoas que trabalham comigo, disseminar os valores que considero fundamentais, gerar resultados que me façam entrar para a história da companhia.

As pessoas mais maduras têm quase o mesmo gás que os jovens, com a vantagem adicional de desperdiçarem bem menos seu tempo e suas energias. Afinal, estão muito mais focadas no trabalho. Mas não pense que homens mais maduros não têm hobbies e não se impõem desafios. Muitos praticam golfe ou tênis - o que também pode ser extremamente útil para a empresa pelo relacionamento que proporcionam. Outros, como eu, correm maratonas. Corri a primeira aos 50 anos e gostaria de desafiar você, que tem a metade da minha idade, a fazer o mesmo. Alguém se habilita?   Nada como ter mais de 50.