Quarta-feira, 23
de agosto de 2000
Enfarte mata executiva do Grupo Pão de
Açúcar
A ombudswoman do Grupo Pão de Açúcar, Vera
Giangrande, 69 anos, morreu
ontem à noite, vítima de enfarte,no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Ela aguardava o embarque a Porto Alegre (RS), onde faria palestra, quando
sentiu-se mal. O corpo de Vera será enterrado hoje, no Cemitério do
Morumbi, onde também será realizado o velório. Ela deixa irmãos e
sobrinhos.
A
partir de hoje, o Céu vai ser um lugar melhor para morar.
Hoje
cedo, quando Deus foi abrir a porta do céu, a Dona Vera estava lá.
Olhando tudo, observando, querendo saber, perguntando e ouvindo todos.
E quando alguém lhe disse:
-Mas,
Dona Vera, aqui é o Paraíso! - ela provavelmente respondeu:
-Tudo bem, mas se der para melhorar, a gente melhora.
E
nós que ficamos aqui sem ela, sentimos um vazio, um nó na garganta, uma
saudade
grande. E só deixamos transparecer nossa tristeza
porque Dona Vera não está mais aqui. Senão ela ia dizer:
-Que
cara é essa, gente? Vamos pra frente, consumidor não gosta
de cara triste, bota um sorriso nesse lábio e vamos fazer melhor.
Tá
bom, Dona Vera. A gente vai chorar por dentro e sorrir por fora, mas só vamos
fazer isso porque já faz parte da gente sua alegria de encantar a todos
e
também porque sabemos que as suas idéias nunca vão morrer.
Vera
Giangrande * 04/01/31
+ 22/08/00
Ombudsman do Grupo Pão de Açucar
Uma homenagem do Grupo Pão de Açúcar e todos os seus funcionários
Anúncio
de pagina inteira no jornal O Estado de S. Paulo, 24.08.2000, página 8.
São
Paulo, 23 de Agosto de 2000
Ao
GRUPO
PÃO DE AÇÚCAR
At.
Sueli Renberg
Coordenadora do GRC
R Capitão Pinto Ferreira, 236
01423-020 Capital - SP
Os
profissionais de Relações Públicas, consternados, lamentam a ausência da
querida companheira e amiga que nos deixou no último dia 22 de agosto.
Profissional competente, Vera de Mello Giangrande, deixa muita
tristeza, mas também as boas lembranças de pessoa entusiasmada e alegre que
continuarão a servir de exemplo para os que trabalham pela manutenção da
categoria unida. Incansável, foi Ombudsman e destacada profissional de Relações
Públicas, tendo ocupado os mais altos cargos em empresas e instituições da
área, zelando sempre com orgulho pela profissão.
Ronaldo
Fernandes Canedo
Presidente do SINPRORP
CNPL
- Confederação Nacional das Profissões Liberais
Federação Nacional dos Profissionais de Relações Públicas
SINPRORP - Sindicato dos Profissionais Liberais de Relações Públicas/SP
SINPRORP - Sindicato dos Profissionais Liberais de Relações Públicas/RJ
ABRP - Associação Brasileira de Relações Públicas
Diretório Nacional - Brasília
ABRP
- Associação Brasileira de Relações Públicas/DF
ABRP - Associação Brasileira de Relações Públicas/SP
ABRP - Associação Brasileira de Relações Públicas/RJ
CONRERP - Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas / 1a
Região
CONRERP - Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas / 4a
Região
CONRERP - Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas / 6a
Região
 |
A FAMÍLIA
E OS AMIGOS DO GRUPO PÃO DE AÇÚCAR
convidam para a missa de 7º Dia, em homenagem a: |
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VERA GIANGRANDE |
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que será
realizada no dia 29 de agosto (terça-feira),
às 11:00 horas na Igreja Nossa Senhora do Brasil - Jardim América
(cruzamento da Rua Colômbia com a Av. Brasil). |
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Brasília,
25 de Agosto de 2000.
Colegas,
Vera
de Mello Giangrande morreu.
A
profissional exemplo de todos os Relações Públicas do Brasil morreu no dia
22 à noite, de infarto.
Vera
foi presidente do CONRERP/SP, do CONFERP, da seção brasileira da IPRA (International
Public Relations Association), membro do comitê científico do IEAG
(Instituto de Estudos do Agri-Business), da Cátedra Acadêmica UNESCO-UMESP
de Comunicação, Prêmio PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais) de
Cidadania 1998, Personalidade da
Comunicação 2000 eleita durante o Congresso Brasileiro de Jornalismo
Empresarial, Doutor Honoris Causa em Relações Públicas pela Faculdade Cásper
Líbero. Escreveu livros, proferiu inúmeras palestras e desde 93 estava no
Grupo Pão de Açúcar como Ombudsman do Consumidor, onde liderou um trabalho
pioneiro de atendimento a clientes.
Foram
muitas Veras e todas eram, verdadeiramente, Relações Públicas.
O
Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas 6ª Região (CONRERP/DF),
em nome dos profissionais de Relações Públicas do Distrito Federal, Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins, e a Associação Brasileira de
Relações Públicas (ABRP), seção DF, convidam os amigos, admiradores,
estudantes e profissionais de Relações Públicas para a missa de sétimo dia
que será celebrada na Igreja de São Camilo, no próximo dia 29, terça-feira,
às 18 horas.
Dois
estudantes de Relações Públicas, um do IESB e outro do UNICEUB, vão
prestar homenagem a Vera em nome de todos os profissionais.
Elizabeth
Pazito Brandão
Presidente
do CONRERP/DF
OBITUÁRIO
VERA GIANGRANDE, 69
"Ombudsman" (ouvidora) do Grupo Pão de Açúcar
desde l993, Vera Giangrande foi uma das primeiras mulheres a exercerem a função
no Brasil. Ela nasceu em São Paulo e especializou-se em comunicação
empresarial e Relações Públicas. Era fundadora
da VG&S Consultoria e foi ainda presidente de várias entidades do setor,
inclusive da representação brasileira da Internacional Public
Relations Association.
A "ombudsman"- que atendia aos
consumidores do grupo - era também membro do Comitê Cientifico do Instituto
de Estudos do Agri-Business e da Cátedra Acadêmica Unesco-Umesp de Comunicação.
Entre os vários trabalhos que publicou está o livro "O cliente tem mais
do que razão", escrito com José Carlos Figueiredo.
Ao longo de sua carreira, Vera recebeu o prêmio
PNBE de Cidadania l998, na categoria melhores relações com o consumidor.
Ela foi também eleita personalidade de comunicação
2000 pelos participantes do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial do
ano passado e recebeu da Faculdade Casper Libero, de São Paulo, o título de
doutor Honoris Causa em Relações Públicas.
De acordo com a empresa, Vera Foi uma
"brilhante profissional da área de Relações Públicas
e atendimento ao consumidor".
- Ela incorporava de corpo e alma o papel de
representante do consumidor. Usou e abusou de uma franqueza desconcertante com
as pessoas e assim conseguia transmitir valores e princípios de forma
contagiante - afimou Ana Maria Diniz, vice-presidente de operações do
Grupo Pão de Açúcar.
Vera, 69 anos, morreu na noite da última terça-feira
vítima de um enfarto. O enterro aconteceu ontem, no Cemitério do Morumbi, na
Zona Sul da cidade. Ela era solteira e não tinha filhos. O Pão de Açúcar
informou que ainda não definiu o seu sucessor.
Fonte: O Globo, 1o caderno, página 22, Rio de
Janeiro, quinta-feira, 24 de agosto de 2000
VERA
GIANGRANDE
Vera
Giangrande, ombudsman do Grupo Pão de Açúcar, morreu ontem à noite, Ela
estava no Aeroporto de Congonhas, aguardando vôo que a levaria para Porto
Alegre, onde proferiria uma palestra em seminário sobre sua especialidade.
Segundo a assessoria de imprensa do Grupo, Vera, que tinha 69 anos, passou mal
e, mesmo atendida, faleceu. Até o fechamento desta edição, as causas da morte
não tinham sido divulgadas. Vera foi pioneira no setor de Relações Públicas
no Brasil e desde 1993 tornara-se ombudsman do segundo maior grupo de
supermercados no país, de acordo com o Balanço Anual. Uma das funções que
dizia preferir era dar agilidade e eficácia à comunicação interna.
Gazeta
Mercantil - SP, 23/8/2000 - Pág. A-8, Seção Nacional.
Falecimentos
Conhecida
pelo vigor e carisma, Vera de Mello Giangrande, ombudsman do Grupo Pão de Açúcar,
foi a pioneira no setor de supermercados no País. Nascida em São Paulo, fez
seus estudos no Mackenzie College e especializou-se em Comunicação Empresarial
e Relações Públicas. Uma profissional com grande potencial e disposição,
Vera organizou um Grupo de Representação do Consumidor, composto por 20
profissionais que recebem reclamações, elogios, sugestões e pedidos de
informação através de carta, fax, e-mail, telefone e pessoalmente. Vera foi a
primeira mulher a ingressar no Rotary Club, sendo presidente na unidade do
Jardim América. Também foi membro do comitê científico do Instituto de
Estudos do Agribusiness (IEAG), além de ter vários trabalhos publicados, entre
eles o livro O cliente tem mais do que razão, em parceria com José Carlos
Figueiredo. Graças ao seu profissionalismo, o reconhecimento veio na forma de vários
prêmios ao longo da carreira, dentre os quais o Prêmio de Pensamento Nacional
das Bases Empresarias (PNBE) de Cidadania em 1998.
“Com
seu imenso carisma e forte personalidade, Vera foi única. Perdemos uma grande
companheira,mas seu legado fica. Resta-nos o consolo de saber que Vera viveu
seus últimos momentos como queria: trabalhando e lutando para fazer sempre o
melhor”, declarou o presidente do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz.
Solteira e morando sozinha, Vera Giangrande faleceu no último dia 22, aos 69
anos, a caminho de Porto Alegre, onde faria uma palestra na Universidade de São
Leopoldo. Seu corpo foi enterrado no Cemitério do Morumbi, São Paulo.
Diário
Popular- 27/8/2000 Pg 14
MORRE
OMBUDSMAN
O
Grupo Pão de Açúcar comunica falecimento de sua ombudsman, Vera Giangrande,
ocorrido ontem, de parada cardíaca, na cidade de São Paulo. Em Fortaleza será
celebrada uma missa comunitária em sua homenagem, às 17 horas, na paróquia de
Nossa Senhora de Fátima. Toda a comunidade está convidada, especialmente os
funcionários do Grupo Pão de Açúcar. Vera
Giangrande ocupava o cargo de Ombudsman do
Grupo desde abril de 1993. Ela esteve em Fortaleza recentemente quando da
inauguração do Extra Iguatemi.
Tribuna
do Ceará - Fortaleza - 24/8/2000 - Pg. 8B - Seção Economia
VERA
É MORTA, IL MONDO É MENO VERO
Luiz
Antonio Viana
Vera
Giangrande se foi. Decidida e direta até na hora de ir. “She
died with her boots on”. Morreu
em combate, no Aeroporto, indo para Porto Alegre onde faria mais uma de suas
brilhantes palestras de ombudsman, a ombudsman. Seu coração parou de repente.
Coração valente, velho de guerra, coração muito usado. Porque Vera amou.
Amou homens alguns, privilegiados de um lado por tê-la tido, incompetentes
talvez para tê-la no todo e no sempre. Amou intensamente o seu trabalho e nele
foi a melhor entre os melhores. Amou seus semelhantes menos ajudados pela vida
de forma concreta e honesta.
Vera
amou Abílio, Ana, João Paulo e a mim, nos tempos lindos da ressurreição do Pão
de Açúcar. E amou tantos outros
bravos colegas e lutou conosco uma luta difícil e bela. E amava
do mesmo jeito que sabia desprezar, desprezar os mentirosos, os
acomodados, os pusilânimes. Vera
era isso, Vera, a Verdadeira, pleonasticamente Verdadeira.
E
era alegre nos almoços descontraídos do restaurante em frente. Com seus
cigarros coloridos que merecidamente chamávamos de cigarro de bordel. Elegante
e discreta ao vestir, direta e sem rodeios ao falar.
Já
viram uma galinha defendendo seus pintinhos? Essa era a Vera, defendendo seus
pintinhos, os clientes. Milhões de pintinhos, milhões de clientes. E os
defendia com a franqueza e a veemência que eram dela. Contra quem quer que
fosse, custasse o que custasse.
Deve
haver uma lógica para Vera ter ido tão cedo. Eu até hoje não entendi bem
qual é. Uma grande perda para o Pão de Açúcar. Uma grande perda para nossa
coletividade. Uma grande perda para a espécie humana. E me perdoem ser tão
pessoal, uma enorme perda para mim. Perdi uma irmã, uma confidente, uma amiga
das minhas horas mais difíceis. Sei que você volta, Veruska. Nossas crenças
dizem que sim. Sei que você volta um dia, pra de novo fazer este mundo um pouco
melhor, um pouco mais verdadeiro. Sei que você volta, minha irmã, mesmo que a
gente não saiba como e onde. Choro muito, agora me sinto mais só. Mas a gente
se encontra de novo. “Here,
there, anywhere...”
Luiz
Antonio Viana, presidente da BR Distribuidora, trabalhou com Vera Giangrande no
grupo Pão de Açúcar, onde ela exercia a função de ombudsman. Vera faleceu
terça-feira, dia 22/8. Valor Econômico - 24/8/2000 - pg B2 - Seção Empresas.
MORRE
OMBUDSMAN DO CLIENTE DO GRUPO PÃO DE AÇÚCAR
A
ombudsman do Cliente do Pão de Açúcar, Vera de Mello Giangrande, morreu vítima
de infarto, aos 69 anos, quando viajava para uma palestra em Porto Alegre, na
noite de terça-feira. Vera foi sepultada ontem no cemitério do Morumbi, em São
Paulo.
A
ombudsman do Pão de Açúcar esteve recentemente em Campinas onde participou da
sexta edição do ciclo de palestras “Profissionais em Ação, Talento é a
matéria-prima”, promovido mensalmente pela Rede Anhanguera de Comunicação (RAC),
publicadora dos jornais Correio Popular e Diário do Povo. “É uma
grande perda para o meio publicitário em geral e um exemplo de vida”, lamenta
o diretor de Marketing da RAC, Paulo Hansted.
Trabalhando há 40 anos no ramo de Relações Públicas e Publicidade,
Vera foi fundadora da VG&S Consultoria e presidente de várias entidades,
entre elas o Capítulo Brasileiro da IPRA - International Public Relations
Association.
Correio
Popular-CAMP - 24/8/2000 - Pg 5 - Seção Economia
MORRE
A OMBUDSMAN DO PÃO DE AÇÚCAR
Morreu
na noite de terça-feira, de parada cárdio-respiratória, a ombudsman do Grupo
Pão de Açúcar, Vera Giangrande. Vera tinha 69 anos e há sete ocupava o cargo
de ouvidora da empresa, a profissional responsável por receber críticas e
sugerir mudanças, atendendo às solicitações dos clientes. “Perdemos uma
grande companheira”, lamentou o presidente do grupo, o empresário Abílio
Diniz.
Considerada
uma das principais responsáveis pelo redirecionamento da marca nos últimos
anos, Vera gerenciava uma equipe de 20 profissionais, que atendiam
aproximadamente 35 mil ligações por mês. Entre as mudanças sugeridas por ela
estão a instalação de cachorródromos em algumas unidades e a mudança de
tampas de alguns produtos da empresa.
Diário
Popular - 24/8/2000 - pg 18 - Seção Economia
VERA
GIANGRANDE, UMA REVOLUÇÃO NO PÃO DE AÇÚCAR
Ana
Maria Diniz
Uma
lição de vida. É o que foi Vera Giangrande. Ela incorporava de corpo e alma o
papel de representante do consumidor. Usou e abusou de uma franqueza
desconcertante com as pessoas e assim conseguia transmitir valores e princípios
de forma contagiante e apaixonada, sempre com muito bom humor. Uma das mais
queridas e talentosas colaboradoras do Grupo Pão de Açúcar, Vera morreu aos
69 anos, de parada cárdio-respiratória, na noite de 22 de agosto. Hoje os 47
mil funcionários da empresa amanheceram sentindo falta de sua grande
companheira.
Brilhante
profissional da área de relações públicas e atendimento ao consumidor, Vera
assumiu o cargo de Ombudsman do Cliente no Grupo Pão de Açúcar em 1993, tendo
sido uma das primeiras profissionais do ramo no País e uma referência
profissional para outras empresas, instituições e órgãos de defesa dos
direitos do consumidor.
Enérgica
na resolução de problemas e extremamente amável no relacionamento com seus
colegas, foi para todos nós da companhia um exemplo de conduta ética e de
determinação. Durante os sete anos em que esteve na empresa, quebrou
paradigmas e nos instigou, incansavelmente, a repensar sempre os nossos
procedimentos, agarrada a uma missão que cumpriu com vigor: a de defender o
cliente. “Com seu imenso carisma e forte personalidade, Vera foi única. É
uma perda irreparável, mas seu legado fica”, diz o presidente do Grupo Pão
de Açúcar, Abílio Diniz.
Para
nós, Vera foi uma revolução. Nos ajudou a direcionar o foco para o cliente e
reconstruir a nossa imagem. Mais do que qualquer coisa, ela soube viver. Viveu
plenamente, teve prazer em cada minuto e a cada missão, e sempre soube que sua
fé era sua estrela-guia.
Ana
Maria Diniz é Vice-Presidente de Operações do Grupo Pão de Açúcar.DCI- Diário
do Com/Ind-SP - 26/8/2000 - Pg. 2 - Seção Opinião.
O
ÍCONE NA VIRADA DA IMAGEM
Ana
Maria Diniz
A
reconquista da imagem do Grupo Pão de Açúcar foi uma luta apaixonada. Digo
“foi” porque acreditamos que a grande virada já foi feita, embora o
trabalho seja interminável. Como dizia um amigo meu, “tenha sucesso, mas não
acredite nele”.
Para
essa luta, a reconquista da nossa imagem, unimos todas as nossas forças, as
nossas crenças e um exército de notáveis. Dentre eles, Vera Giangrande, a
melhor de nossas guerreiras, uma das mais queridas e talentosas colaboradoras.
Ela incorporava de corpo e alma o papel de representante do consumidor. Com uma
franqueza desconcertante com as pessoas, transmitiu valores e princípios de
foram contagiante e apaixonada por onde passou. Seu papel no Pão de Açúcar
era muito mais amplo do que defender os direitos do consumidor.
Vera
foi uma figura fundamental para a empresa. E não apenas por ter nos ajudado,
com toda a sua sabedoria e carisma, a mudar tão positivamente a nossa imagem
perante os milhões de consumidores que todos os dias freqüentam as nossas
lojas. Ela fez muito, muito mais do que isso. Atuou internamente, provocando uma
grande reviravolta na forma como vínhamos enfrentando os problemas por que passávamos,
entre eles as constantes reclamações dos clientes. Por acreditar que tudo
tinha solução, e que se não tinha deveríamos admitir e comunicar isso ao
consumidor com total transparência, Vera nos ajudou a encarar as dificuldades
com mais confiança. Nos ajudou a recobrar a auto-estima, deixando como grande
lição que a reconstrução de uma imagem começa de dentro para fora.
Ela
tinha uma habilidade incomum de falar coisas desagradáveis e de dizer não de
forma tão clara e tranqüila que as pessoas nem se importavam. Aprendemos com
ela que é muito melhor receber um não direto do que ser enrolado. E o
consumidor gosta disso.
Com
os funcionários da companhia - do presidente às equipes de loja - ela também
ia direto ao ponto. Seu papel no Pão de Açúcar passava por ensinar nosso
pessoal a entender os problemas, criar soluções e atender com educação e
encantamento até o mais irado cliente. Essa missão ela transmitiu a todos
dentro do Pão de Açúcar com muita paixão e entusiasmo. Costumava dizer que
um dos encargos do GRC - Grupo de Representação do Consumidor era contagiar a
empresa com os anseios do cliente. E isso ela fez com grande espírito de luta.
Comprava brigas, quebrava resistências e contagiava pessoas de áreas distintas
da companhia para, no final, ver o cliente satisfeito. Por causa dela,
promovemos mudanças em muitos setores, do departamento de engenharia e obras à
área de treinamento de funcionários. Ela, mais do que ninguém, queria fazer
de nossas lojas um “lugar de gente feliz”. E aqui ela também foi feliz,
tenho certeza.
Vera
foi realmente um ícone para a nossa imagem - tanto a imagem que os outros fazem
de nós quanto a imagem que temos de nós mesmos. Foi uma lição de vida, um
exemplo de conduta ética e de determinação. Assumiu o corpo de Ombudsman do
Cliente do Pão de Açúcar em 1993 e durante os sete anos em que esteve com a
gente, quebrou paradigmas, instigou novos pensamentos e nos fez repensar os
nossos procedimentos para que pudéssemos cumprir de forma cada vez melhor a
nossa missão: Vender Qualidade de Vida.
Para
nós, Vera foi uma revolução. Nos ajudou a direcionar o foco para o cliente e
reinventar a nossa história. Mais do que qualquer coisa, ela soube viver. Viveu
plenamente, teve prazer em cada minuto e a cada missão, e sempre soube que sua
fé era sua estrela-guia.
Ana
Maria Diniz,vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar.E-mail:
pa.imprensa@paodeacucar.com.br
Valor
Econômico - 29/8/2000 - Pg.B2 - Seção Empresas / Marketing & Propaganda
Acontece
no meio
Faleceu,
na última terça-feira, dia 22, de parada cardíaca, a ombudsman do Grupo Pão
de Açúcar, Vera Giangrande, na cidade de São Paulo. Vera era presidente e
fundadora da VG&S Consultoria e ocupava o cargo desde 1993.
Fonte:
Meio & Mensagem - Seção Gente -
Pg 52 -28/08/2000
Gente
VERA
GIANGRANDE
Mais
do que ter sido a primeira ombudsman do Brasil, ela marcou pela defesa incansável
do consumidor
Quando
os serviços de atendimento ao consumidor nem sequer eram discutidos no Brasil,
Vera Giangrande já brigava pela importância de as empresas ouvirem seus
clientes. Relações-públicas
, consultora e primeira mulher ombudsman no País, ela deixou sua marca no
mercado como uma das profissionais que mais ajudaram a propagar
o conceito de que o cliente tem sempre razão.
Aos
69 anos, ela morreu na noite de 22 de agosto, após sofrer uma parada
cardiorrespiratória no saguão do aeroporto de Congonhas, onde aguardava um vôo
para Porto Alegre. Nascida em São Paulo, em 1931, Vera fez seus estudos no
Mackenzie College e no Sedes Sapientae, especializando-se em Comunicação
Empresarial e Relações Públicas,
área onde atuou por 42 anos. Era presidente e fundadora da VG&S Consultoria
e ocupava também, desde 1993, o cargo de ombudsman do cliente do Grupo Pão de
Açúcar.
Durante
sua trajetória profissional, foi presidente de várias entidades de relações
públicas, entre elas o Capítulo Brasileiro do International Public Relations
Association (Ipra). Participou de inúmeros congressos de RP, proferindo conferências
em diversos deles, inclusive em cinco eventos mundiais.
Foi
a primeira mulher a ingressar no Rotary, sendo sócia do Rotary Club Jardim América
de São Paulo, onde também assumiu a presidência no biênio 93/94. Era membro
do comitê científico do Instituto de Estudos do Agri-Business (Ieag) e da Cátedra
Acadêmica Unesco-Umesp de Comunicação. Possui vários trabalhos publicados,
entre eles, O cliente tem mais do que razão (Editora Gente), em parceria
com Jose Carlos Figueiredo.
Vera
recebeu vários prêmios ao longo de sua carreira, como o Premio PNBE de
Cidadania 1998, na categoria Melhores Relações com o Consumidor, concedido
pelo Pensamento Nacional das Bases Empresariais. Foi eleita Personalidade da
Comunicação 2000 pelos participantes do Congresso Brasileiro de Jornalismo
Empresarial de 1999. Recebeu ainda o titulo de Doutor Honoris Causa em Relações
Públicas da Faculdade Cásper Líbero.
Segundo Ana Maria Diniz, vice-presidente de operações do Grupo Pão de Açúcar,
Vera era uma referência profissional para outras empresas, instituições e órgãos
de defesa dos direitos do consumidor. “Durante os sete anos em que esteve na
empresa, quebrou paradigmas e nos instigou, incansavelmente, a repensar sempre
os nossos procedimentos, agarrada a uma missão que cumpriu com vigor: a de
defender o cliente”, completa.
Já
Abílio Diniz, presidente do Grupo Pão de Açúcar, deixou a seguinte mensagem:
“Com seu imenso carisma e forte personalidade, Vera foi única. Perdemos uma
grande companheira, mas seu legado fica. Resta-nos o consolo de saber que Vera
viveu seus últimos momentos como queria: trabalhando e lutando para fazer
sempre o melhor.”
Fonte:
Revista Propaganda 592- Seção
Gente - Pg 82
- 01/09/2000
Ombudsman
“O
desempenho de Vera Giangrande como ombudsman no grupo Pão de Açúcar pode ser
considerado como algo excepcional em matéria de estratégia de marketing e em
termos mundiais. Ele levou esse trabalho extremamente a sério e não poupou
esforços na defesa interna dos consumidores. O Pão de Açúcar recuperou posições
e voltou a ser uma das empresas líderes no setor por ter acreditado no trabalho
de Vera. Espero que o desaparecimento de sua magnífica ombudsman não altere
essa orientação do grupo”.
José
Roberto Whitaker Penteado - Rio de Janeiro - RJ.
Propaganda
E Marketing - 28/08/2000 - Pg.03 - Seção Geral - Cartas
A
REVOLUCIONARIA CERRA OS OLHOS
Lutadora
incansável em defesa dos clientes do Grupo Pão de Açúcar, Vera
Giangrande, referência para as questões
envolvendo o consumidor, faleceu em São Paulo em 22 de agosto
Em
entrevista concedida à Supervarejo de junho, o presidente do Grupo Pão de Açúcar,
Abílio Diniz, falou da felicidade de ter uma ombudsman como Vera Giangrande.
Ressaltou sua personalidade, sua autoridade e sua história em defesa do
consumidor, lembrando a importância de seu trabalho para o crescimento e a
melhoria da empresa. “Ela é a cabeça, analisa e resolve os problemas mais
importantes”, disse Diniz.
Mais
do que cabeça, a ombudsman foi também coração, pela franqueza desconcertante
e pela transmissão de valores e princípios de forma contagiante e apaixonada,
conforme Ana Maria Diniz, vice-presidente de operações do Grupo. “Durante os
sete anos em que esteve na empresa, quebrou paradigmas e nos instigou,
incansavelmente, a repensar sempre os nossos procedimentos, agarrada a uma missão
que cumpriu com vigor: o de defender o cliente”, afirma Ana Maria.
Relações
Públicas, com 42 anos de experiência, Vera
representou e defendeu os direitos do cliente nas lojas do Grupo Pão de Açúcar
tempo suficiente para ser reconhecida e respeitada de Norte a Sul do País. O
cargo de ombudsman que assumiu em 1993 era uma espécie de senha para Vera
percorrer o Brasil fazendo o que mais sabia: levantar a bandeira do consumidor e
estimular as organizações a repensarem a forma como se relacionavam com seu público.
“O atendimento na loja é a hora da verdade”, disse Vera no Fórum do
Consumidor, evento promovido pela Associação Paulista de Supermercados durante
a APAS 2000.
Parceira
da APAS em sua empreitada de valorizar o atendimento nos supermercados, Vera
Giangrande foi peça chave no Fórum, quando delineou como deve ser um SAC, o
tradicional serviço de atendimento a clientes, que tem um longo caminho de
desenvolvimento até atingir o nível ideal. Para ela, a empresa que decidir
manter um SAC deve levar a serio três atos: olho no olho, escutar e fazer. “O
que o cliente quer mesmo é ser bem atendido”, resumia.
Currículo
não lhe faltava. Vera formou-se no Mackenzie College e Sedes Sapientiae,
especializando-se em comunicação empresarial e relações públicas. Foi
presidente do Capítulo Brasileiro da International Public Relations Association
(Ipra) e era membro do comitê científico do Instituto de Estudos do
Agribusiness (IEAG) e da Cátedra Acadêmica Unesco-Umesp de Comunicação.
Entre os trabalhos que publicou está o livro “O cliente tem mais do que razão”,
em parceria com José Carlos Figueiredo, pela Editora Gente.
Os
prêmios recebidos ao longo da carreira foram muitos, incluindo o de Cidadania
1998 na categoria Melhores Relações com o Consumidor, conferido pela
Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE). Outros reconhecimentos a sua
contribuição vieram do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial
realizado em 1999, quando foi eleita Personalidade da Comunicação 2000, e da
Fundação Cásper Líbero, que lhe outorgou o título de Doutor Honoris Causa
em Relações Públicas.
No
último dia 22 de agosto, quando embarcaria num avião para proferir mais uma
palestra sobre o consumidor, o jovem coração de Vera rebelou-se e não
prosseguiu viagem. Parou. Vera havia cumprido sua tarefa. Mesmo assim, engana-se
quem pensa que o consumidor está órfão. As sementes que ela plantou podem ser
vistas germinando por todos os lados. O atendimento ao consumidor nos
supermercados, a partir do exemplo deixado por ela no Pão de Açúcar, pode ser
classificado em dois tempos distintos: antes e depois de Vera Giangrande.
Revista
Supervarejo - Seção Memória -
Pg.38 - 01/09/2000, por J.Ferreira
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2000
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Vera
Giangrande
Ela é considerada um dos nossos mais respeitados nomes da
Comunicação. Dona de um carisma e simpatia contagiantes,Vera
Giangrande foi, ao longo de toda a sua vida, uma daquelas
pessoas especiais que inspiram respeito, confiança, admiração
e reconhecimento, não apenas em razão de seu trabalho
cotidiano, mas também pela atitude dedicada e firme que sempre
teve nas frentes que representam sua categoria profissional.
Começou sua carreira como redatora de publicidade na Colgate
Palmolive, depois integrou a equipe de Relações Públicas da
J. Walter Thompson, e foi empresária de sucesso na sua Inform,
uma das mais importantes empresas brasileiras de Relações Públicas.
Nossa Dama de Ferro também fez história à frente do Conselho
Regional de Relações Públicas - 2a Região e do Conselho
Federal de Relações Públicas, exercendo um decisivo papel
apaziguador na antes conturbada relação entre jornalistas e
relações públicas. Naquela oportunidade, através de um
importante trabalho de parceria com o Sindicato dos Jornalistas
Profissionais no Estado de São Paulo, contribuiu
significativamente para o redirecionamento das funções dos RPs
e dos Assessores de Imprensa .
A partir de 1994, Vera Giangrande entregou-se a um novo desafio
profissional, assumindo de corpo e alma o papel de defensora dos
interesses dos clientes da rede de supermercados Pão de Açúcar.
Deixou de lado o conceito de ombusdsman de gabinete para sair a
campo, colocando seu rosto em cada um daqueles estabelecimentos,
assumindo, pessoalmente e com a sua assinatura, a garantia do
compromisso de que o "cliente tem sempre razão".
Inovou, mais uma vez, pela atitude corajosa de quem conhece como
poucos a sua profissão, sempre teve plena consciência da sua
responsabilidade como profissional da Comunicação e sempre
soube da importância social do seu trabalho. O Prêmio
Personalidade da Comunicação do Ano 2000 foi a última
homenagem pública recebida em vida por Vera Giangrande, nossa
eterna Dona Vera.
Prêmio
Personalidade da Comunicação - 2000 - Vera
Giangrande
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Fonte:www.megabrasil.com.br |
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A história das atividades de relações públicas e
ombudsman no Brasil não pode ser contada sem Vera Giangrande, que
dedicou 32 anos à luta pelo reconhecimento da profissão de relações
públicas e mais sete anos como ombudsman no Grupo Pão de Açúcar,
pioneiro a criar o setor no varejo em 1993. No livro Na Trilha da Excelência
– Uma lição de relações públicas e encantamento de clientes, da
Editora Negócios, o jornalista Alexandre Volpi narra sua caminhada.
Vera, falecida em 2000, foi durante dois anos colunista de Consumidor
Moderno e “era unanimidade no Pão de Açúcar”, declarou Abílio Diniz, diretor-presidente do grupo, que apóia a publicação. O livro já
se encontra nas principais livrarias.
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Fonte: Consumidor Moderno/outubro de 2002
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Adeus
ao fantasma
CECÍLIA ZIONI E JANE SOARES
O balanço dos oito anos, completados em setembro, da
aprovação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) é
positivo em praticamente todos os aspectos. O que surgira
como uma forte ameaça a muitos empresários é hoje tido
como valioso aliado de quem produz e vende. O CDC é
considerado item indispensável nas prioridades de qualquer
estratégia empresarial bem-feita.
O código, transformado na lei 9.078, foi discutido
durante dois anos no Congresso e entrou em vigência em março
de 1991, seis meses depois de aprovado. Gerou polêmica
desde o início e não faltou, entre lideranças
empresariais, quem temesse ver o CDC transformado numa espécie
de camisa-de-força, cerceadora das atividades normais da
produção e do comércio. Decorridos oito anos, os 119
artigos do código permanecem praticamente sem alteração,
e a maioria dos especialistas que o estudam parece acreditar
que não se deve mexer em time vencedor.
Do lado do consumidor (ver texto abaixo), embora o
sistema ainda não funcione à perfeição, o código valeu
principalmente por ter ensinado as pessoas a serem mais
exigentes e, por isso, mais atentas tanto a seus direitos
como a seus deveres quando compram produtos ou encomendam
serviços. Do lado do governo, o CDC produziu efeitos
positivos, e já existem valiosas experiências que mostram
ter o poder público aprendido a tratar melhor o
contribuinte e o cidadão. E o empresariado é praticamente
unânime ao apontar vantagens no CDC, considerado um
eficiente meio de aproximação com o cliente, alavancador
de negócios e fator de contínua atualização do produto
no mercado, funcionando também como indutor de ações que
visem o aumento de competitividade.
Mais que dar vigência legal a um conjunto de normas em
garantia da defesa do consumidor de todo tipo de bens e
serviços, o CDC acabou por criar comportamentos diferentes
na prestação de serviços e oferta de produtos, abrindo
canais de comunicação com o público não limitados a
receber queixas e tentar soluções. Bem estruturados, os
Sistemas de Atendimento ao Consumidor (SAC) são vigorosa
alavanca de negócios. A expansão da Internet no país
amplia ao infinito essa abertura.
Quem fabrica ou vende produtos ou quem presta algum serviço
está agora mais preocupado em antecipar - para evitar -
problemas que possam surgir na relação com o cliente. Em
outras palavras, uma das principais vantagens do Código de
Defesa do Consumidor foi criar condições para que o
consumidor nem precise ser defendido.
Se isso é bom para o consumidor, é ótimo também para
o empresário, cujo produto ou serviço ganha qualidade e,
portanto, se reveste de um diferencial no mercado que nem
sempre seria obtido por meio de grandes campanhas
promocionais ou pesquisas de opinião.
Ganhar esse diferencial tem como efeito, também,
melhorar o padrão da indústria brasileira. Isso funciona
até em empresas que não atendem diretamente o consumidor
de seu produto, como o grupo Rhodia, que fabrica matérias-primas,
fios, fibras e medicamentos, e mesmo na General Motors, que
monta carros, mas não os vende diretamente.
Fábricas e prestadores de serviços se empenham em
cumprir três pontos principais: oferecer informações
completas ao consumidor, cumprir os prazos combinados e
tratar todas as questões com clareza, para que todo o
processo ganhe qualidade e transparência.
Pioneirismo
O grupo Rhodia tem uma experiência pioneira no Brasil.
Antes mesmo de o atendimento ao consumidor começar a ser
discutido e mesmo não sendo fornecedora de produtos de
consumo final, nos anos 70 a empresa criou uma etiqueta para
ser usada pelas indústrias têxteis às quais fornecia matéria-prima
ou pelas confecções e malharias que usavam produtos
Rhodia. "Era uma forma de tentar impor padrões de
qualidade a um setor ainda razoavelmente
desorganizado", explica Plínio Carvalho, gerente de
Comunicação Social do grupo. Em 1981, foi estruturada a ação
da empresa nesse setor e em 1984 foi lançada a campanha
"Você fala, a Rhodia escuta".
Em 1985 foi contratada a primeira ombudsman empresarial,
a especialista Maria Lúcia Zülzke, oriunda do Procon.
"Ela criou a estrutura do serviço e impôs na empresa
a mentalidade de respeito ao consumidor. O sistema se
expandiu e, descentralizado, tornou-se rotina em cada área
empresarial", acrescenta Carvalho. No setor farmacêutico,
por exemplo, o sistema de atendimento ao consumidor quase
entrou em pane nos últimos meses, reflexo do episódio dos
remédios falsificados, comenta ele. "A cada nova notícia
divulgada pela imprensa, dobra o número de ligações telefônicas
de consumidores querendo esclarecimentos", diz. Isso
está contabilizado na empresa: quando a televisão mostrou
uma apreensão de remédios jogados num trecho de rodovia em
que apareciam embalagens de produtos da marca, o número de
telefonemas foi cinco vezes maior que a média diária, e a
empresa dobrou o número de atendentes. "O consumidor
queria esclarecimentos, e o canal de comunicação que
abrimos comprovou assim a sua eficácia."
Carvalho diz que essa filosofia foi importada da matriz,
o grupo Rhône Poulenc francês. "A idéia é estar
atento à sociedade e às suas mudanças, para, respeitando
essa demanda, antecipar soluções, o que funciona, no mínimo,
como bom alavancador de negócios." Mas, acrescenta,
"o conceito tem abrangência bem maior, como comprova,
no caso brasileiro, a pronta aceitação do Código de
Defesa do Consumidor pela sociedade. Veio com o CDC a pressão
por leis mais profundas para garantia de seus direitos, de
que são exemplos recentes as novas legislações do
seguro-saúde, sobre porte de arma e até do trânsito".
Mostrando a cara
Vera Giangrande tem, talvez, um dos
rostos mais vistos diariamente por milhares de pessoas. É
ela quem, desde 1993, mostra literalmente a cara do serviço
de atendimento aos clientes das 270 lojas de supermercados
do Grupo Pão de Açúcar, de que também fazem parte as
lojas Eletro, a rede de hipermercados Extra e a rede Super
Box.
Uma idéia de quantas pessoas
circulam por esses supermercados e lojas é dada pelo número
de tíquetes emitidos por suas caixas registradoras: são 14
milhões a cada mês. Ou seja, o equivalente a quase toda a
população da cidade de São Paulo. Sua fotografia está em
muitas dessas lojas, na parede de uma espécie de saleta,
com poltronas e sofás à disposição dos clientes,
permanentemente convidados a dar sua opinião, fazer sugestões,
apresentar queixas, reclamações e comentários. Essa é
uma gentileza até certo ponto incongruente com o conceito
de rapidez que caracteriza o auto-serviço, mas está
perfeitamente de acordo com a filosofia que Vera Giangrande
representa no grupo.
"O conceito que queremos fazer
valer é o de sermos parciais no atendimento ao
cliente", diz ela. "Temos de fazer o cliente
sentir que é único e insubstituível e, por isso,
importante e precioso para a loja." Isso norteia todo o
serviço (pró-ativo e reativo) de atendimento ao cliente:
cada caso, explica, é analisado sob o ponto de vista técnico
e legal, mas as decisões são tomadas só depois de
avaliado o grau de mágoa ou atingimento pessoal imposto ao
cliente ou nele provocado. "Nossa missão é resolver o
problema e recuperar o cliente, restabelecendo uma relação
cordial dele com a loja. Queremos clientes encantados
conosco."
Como isso se faz? O primeiro passo
é procurar uma relação mais direta entre o pessoal da
loja (e da empresa) e os fregueses. Vera e sua equipe fazem
visitas às lojas, promovem encontros com clientes (cafés
da manhã ou chás da tarde), organizam Conselhos de
Clientes que se reúnem mensalmente para opinar sobre o
funcionamento da loja.
A ação reativa do atendimento do
consumidor no Pão de Açúcar, diz Vera, é intensa, e os números
mostram isso: o serviço recebe 4,5 mil telefonemas por mês,
3 mil cartas são entregues nesse mesmo período nas caixas
de sugestão colocadas nas lojas e um número crescente de
mensagens chega pela Internet. A maior parte das ligações
se refere a sugestões e pedidos de informação, e não a
reclamações. Por mês, calcula Vera, são atendidos e
resolvidos 500 casos de queixas apresentadas por telefone,
150 deixados nas caixas de sugestão e 120 enviados pela
Internet.
O mecanismo de atendimento é o
seguinte: recebida a queixa, são ouvidos o cliente e o
pessoal da loja, para estabelecer a verdade dos fatos.
Depois, o assunto é examinado pelas áreas jurídica e técnica.
Definida a ação a ser tomada sob esses critérios,
avalia-se também o grau de mágoa ou insatisfação do
cliente e decide-se uma ação complementar, cujo objetivo
é reconquistar o cliente.
Casaco novo
Vera gosta de contar alguns casos
para mostrar como esse mecanismo funciona efetivamente, e não
acoberta "cala-bocas" para aquietar fregueses:
- O casaco manchado: uma cliente
reclamou ter manchado um casaco branco de couro por ter-se
encostado em uma parede recém-pintada e na qual não havia
aviso de tinta fresca. Para cumprir a lei, bastaria a loja
providenciar a limpeza do casaco, mas a cliente não se
satisfez, e a decisão foi mandar fazer um casaco novo, 100%
igual ao da cliente.
- O cartão de crédito: houve um
problema com o cartão de crédito de um cliente, que ficou
muito irritado, mesmo depois de resolvido o caso. Para pedir
desculpas, o gerente da loja levou ao freguês uma cesta de
frutas. O freguês recusou o presente e recomendou que as
frutas fossem dadas a um hospital de crianças. O gerente
fez outra cesta, convidou o cliente a ir com ele ao
hospital, entregou uma das cestas e levou a outra para a
casa do freguês, para comprovar sua boa vontade.
- O cheque sem cadastro: uma
cliente reclamou indenização pelo fato de não ter sido
aceito um cheque seu para pagamento pré-datado por falta de
cadastro. Consultado, o Procon informou que, legalmente, não
caberia indenização, no caso. Nada foi pago à cliente,
mas ela foi convidada a visitar o supermercado (loja e área
interna) em um determinado dia, quando foi recebida com
flores pelo gerente, pelo caixa e pelo fiscal, com quem
tomou um chá e foram dissipadas as divergências.
Além da ombudsman para o público
externo, o Pão de Açúcar tem uma para o público interno,
26 mil funcionários em todo o país. "Este pessoal
precisa estar convencido do valor de seu trabalho, para
atender bem o cliente", diz Vera, acrescentando que, se
o sistema tem funcionado bem, é também porque tudo o que
se faz passa por análises para detecção de erros que,
discutidos com a diretoria, resultam na tomada de soluções
permanentes. "Esse é o espírito do bom atendimento ao
cliente", conclui.
Canal aberto
A experiência da Rhodia e do Pão de Açúcar não é única
no mercado. Muitas outras empresas já descobriram que
montar um Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) é um
excelente negócio. É o que garante Paulo Gêzer Araújo,
presidente da Associação Nacional dos Profissionais de
Serviços ao Consumidor em Empresas (Secanp). "É uma
das melhores formas de conseguir a fidelidade da
clientela", argumenta, colocando em pauta o grande
sonho de qualquer empresário.
Um sonho difícil de transformar em realidade, diga-se de
passagem. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos mostram
que as empresas perdem, por ano, de 15% a 20% de seus
consumidores - ou seja, em apenas cinco anos todos eles
estarão comprando os produtos ou freqüentando a loja de
algum concorrente. O motivo? Simples: 70% deles abandonaram
o barco porque foram mal atendidos, como constatou a
entidade americana Forum Corporation. E conquistar um
cliente novinho em folha fica de cinco a sete vezes mais
caro que manter os atuais.
"A maioria das empresas está preocupada em
conquistar novos consumidores e não pára para pensar em
quanto está deixando de ganhar por não reter os que já
tem", explica Paulo Araújo. Um erro estratégico ainda
mais grave agora, quando o concorrente pode estar no próximo
quarteirão ou até do outro lado do mundo. Nesse sentido, o
SAC pode ser um poderoso diferencial competitivo, aliado, é
claro, a um bom preço e produtos de qualidade inquestionável.
Afinal, o serviço não serve, apenas, para ouvir lamúrias
e reclamações. Ele pode e deve ser um canal aberto para
detectar as ansiedades, desejos e aspirações do
consumidor, e para registrar sugestões valiosas para
aperfeiçoar produtos e processos. Não é à toa que
atualmente 2,5 mil empresas brasileiras já criaram suas
centrais de atendimento, como indicam estimativas da Secanp.
É bem verdade que algumas não passam de meros
"enfeites" - e certamente seus empresários vão
acabar pagando, a médio e longo prazos, um preço muito
alto por tentar iludir consumidores cada dia mais exigentes
e conscientes de seus direitos. As empresas mais inovadoras,
no entanto, usam as informações vindas através de seus
serviços para se manter na vanguarda.
"Em um mundo empresarial altamente competitivo, o
atendimento já é e continuará sendo o grande
diferencial", enfatiza Paulo Araújo. Um diferencial e
uma poderosa arma de marketing para quem souber usar o SAC
em toda a sua plenitude. Afinal, consumidor satisfeito
indica serviços e produtos para parentes e amigos. E já
está comprovado: não existe nenhuma propaganda mais
eficiente - e mais barata - do que o velho e bom
"boca-a-boca".
A experiência do SAC tem sido tão boa que os serviços
públicos também passaram a usar o 0800. Um deles é o
Disque-Saúde (0800-611997), criado em outubro de 1996 pelo
Ministério da Saúde para divulgar informações sobre Aids
e doenças sexualmente transmissíveis. Meio ano depois, o
serviço já fora estendido para informar sobre outros tipos
de doenças e tratamentos. Agora, a estrutura do Disque-Saúde
vai ser aumentada para atender a demanda, muito ampliada
durante a crise dos remédios falsificados. Quem liga não
precisa se identificar; o sistema apenas anota a idade e o
estado civil da pessoa e o estado de que está ligando, para
efeitos cadastrais.
Ellen Zita Ayer, coordenadora do Disque-Saúde, diz que
em junho e julho o sistema passou a receber de 10 mil a 14
mil chamadas diárias, o dobro da média dos meses
anteriores. O Disque-Saúde funciona 24 horas por dia, com
90 pessoas em três turnos.
Vêm de São Paulo as chamadas mais numerosas, assinala a
especialista, e a faixa etária dos consulentes mais freqüentes
é muito baixa, entre 13 e 15 anos. "A maior parte das
perguntas se refere a Aids, transplante e doação de órgãos,
o que nos sugere haver entre os jovens muita preocupação
pela cidadania", comenta.
O Ministério da Justiça também criou um número específico
para receber denúncias de remédios falsificados:
0800-610033.
O governador em exercício de São Paulo, Geraldo
Alckmin, era deputado federal nos tempos da aprovação do
CDC, e foi um dos seus mais destacados defensores. Ele
aponta alguns efeitos indiretos e diretos do código na gestão
pública, que, nos últimos anos, acabou sendo obrigada a
"tomar desde providências simples, de repartições e
empresas públicas que passaram a dar informações aos usuários
e atender queixas por telefone, até iniciativas mais
complexas", modificando comportamentos convencionais do
funcionalismo.
Entre estas, Alckmin cita a criação de uma ouvidoria na
polícia, que, em dois anos, recebeu 12 mil chamadas da
população. Segundo dados do governo estadual, nesse período,
1.382 policiais foram indiciados e 339 sofreram punição
administrativa.
Por influência do CDC, foram instaladas cinco varas do
Juizado de Pequenas Causas Especializado em Relações de
Consumo (que funcionam no prédio do Procon, para dar
agilidade ao atendimento). Também foram criados os Centros
de Integração da Cidadania, por meio dos quais diversas
secretarias estaduais são chamadas a solucionar situações
de conflito que envolvam pessoas comuns. Além disso,
conclui, todas as secretarias e empresas públicas
desenvolvem programas de qualidade: "Ainda há muito a
fazer, mas isso deve ser acelerado pela pressão dos
contribuintes, cujo sentido de cidadania se aprimorou depois
de aprofundada a consciência dos direitos do
consumidor", conclui Alckmin.
Rede de queixas
Atender o consumidor pela Internet, complementando os
convencionais serviços por telefone ou correspondência,
também já acontece em crescente número de empresas,
inclusive órgãos públicos.
Saude.gov.br é o endereço na Internet do Ministério da
Saúde, cuja página abre um bom espaço para o departamento
que, seguramente, é agora o mais conhecido pela opinião pública
brasileira: a Secretaria de Vigilância Sanitária (SVS).
Ela é conhecida; o site, ainda não: no começo de agosto,
registrava menos de 200 visitantes, mesmo oferecendo um
sistema de correspondência para facilitar a comunicação
(formulário pronto para gravar mensagem e remetê-la).
Outro problema: o site parece não estar sendo atualizado
com a rapidez que supostamente a crise atual exigiria: o último
Alerta Sanitário (serviço de informações sobre suspensão
e interdição de medicamentos) data de abril, e as
portarias ainda são assinadas pela antiga titular do cargo,
substituída em julho.
Mais dinâmico parece ser um "filhote" indireto
da crise dos remédios falsos: em dois meses de
funcionamento, um site aberto em Porto Alegre em parceria
com o Procon gaúcho recebeu pouco mais de cem mensagens
(queixas e denúncias, principalmente). O editor da página,
Chico Oliveira, diz que a origem do serviço está
relacionada com o caso dos remédios falsificados, tema de
boa parte das mensagens. O site recebe a queixa e a repassa
ao Procon, que dá andamento ao caso em prazo de 48 horas a
uma semana. O endereço é: riogrande.com.br/cons.
Na primeira semana de agosto, o site do Procon do Rio de
Janeiro na Internet (ibase.org.br/~proconrj) atingia a marca
de 45 mil visitantes. No mês anterior, o Procon cearense
(procon.ce.gov.br) inaugurara, em seu site, um novo serviço:
orientação para o consumidor reconhecer um remédio
falsificado e para evitar sua compra.
O Procon paranaense também presta contas de suas
atividades pela Internet (celepar.br/proconpr), e o governo
da Paraíba tem um site geral (parai.com.br/procon), criado
em janeiro do ano passado e que já foi visitado por mais de
135 mil pessoas. Faz parte da página paraibana um bom serviço
de divulgação do Código de Defesa do Consumidor, prestado
pelo Procon estadual.
Em São Paulo, o Procon não tem site na Internet e
suspendeu o e-mail por causa de problemas com linhas telefônicas.
O sistema está sendo reelaborado e a assessoria do Procon não
pôde precisar quando entrará em operação, mas já está
definido que não serão atendidas reclamações pela
Internet. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), que só
atende seus associados, tem e-mail (idec@uol.com.br), para
mensagens, e site (http://www.uol.com.br/idec), para informações
gerais.
Bronca na Internet
Mais de mil consumidores já apresentaram suas queixas ao
site carioca Reclame&Ame (reclama.com), criado em
janeiro de 1997 por dois irmãos, Liliane e Alexandre, e que
tem o objetivo de divulgar problemas para facilitar sua solução.
Os irmãos abriram o site quando se cansaram de pedir a uma
concessionária a segunda chave para o carro novo. Seus
pedidos não tinham retorno, e a idéia de expor o caso pela
Internet deu certo. A página não faz intermediação entre
as partes: "Apenas abrimos o espaço, e muitas vezes o
'reclamado' aparece no site, espontaneamente, para resolver
a questão". Quando isso acontece, o site comemora, e
surge no vídeo uma mensagem de congratulações. "É
uma forma de pressionar os empresários a se manifestar. O
êxito da Reclame&Ame - depende da percepção dessas
pessoas quanto ao peso do questionamento público de seus
produtos e serviços", diz Liliane, agora empenhada na
busca de anunciantes para ampliar o atendimento.
No Rio de Janeiro, surgiu, há alguns anos, o site Odeio
a Telerj, que acusa visita de 29.299 pessoas em seu endereço
na iss.com.br. Existem, também, as versões Odeio o Imposto
de Renda (no mesmo servidor) e Odeio a Cerj (geocities.com/TheTropics/2867).
Esta, criada em janeiro deste ano, registra quase 2 mil
visitantes, que fizeram 155 reclamações e denunciaram 190
cortes de energia em menos de um ano. A página tem atualização
diária. Meia dúzia de variações da Odeio a Telerj
aparecem em alguns servidores, algumas delas dando condições
ao visitante de repetir a queixa diretamente à Anatel, órgão
nacional encarregado das telecomunicações, nestes tempos
de privatização.
Carlos Magalhães, o criador da Odeio a Cerj, conta ter
feito a página em 1995 "em protesto contra a demora de
dois anos para conclusão de processo de ressarcimento pela
queima de uma bomba de água da minha piscina". Magalhães
venceu a causa, mas não desistiu: quer, com o site,
"chamar a atenção da Aneel, agência do governo
encarregada, com a privatização, dos assuntos de energia
elétrica, para os problemas da Cerj e conscientizar a
população do estado contra a empresa". Ele acha que
está dando certo: "Já é grande o número de e-mails
que recebo, e aumenta com a queda acentuada da qualidade dos
serviços da Cerj. As pessoas me param na rua, porque meu
carro ostenta o logotipo da campanha".
O mesmo sentimento levou Rômulo Fritscher a criar um dos
sites Odeio a Telerj em outubro de 1996. "Queria
desabafar com relação ao péssimo serviço técnico e
pessoal que a Telerj prestava na época, e o site fez com
que a empresa melhorasse um pouco o atendimento." A página
recebe correspondência dos consumidores, que não têm
obtido, diz Fritscher, respostas da Telerj. Mas a Anatel
respondeu ao seu primeiro e-mail e informou que passaria a
encaminhar "todas as mensagens recebidas aos órgãos
competentes". É um bom começo.
Sem medo de reclamar
Consumidor descobre que vale a pena apresentar queixas: só
no Procon paulista reclamações cresceram 93%
Há oito anos, grande parte das empresas temia fechar
suas portas, diante das exigências do Código de Defesa do
Consumidor. Mas, até onde se sabe, nenhuma empresa faliu
por não conseguir atender às determinações do código.
Muitas desapareceram, é verdade, por conta dos planos econômicos,
dos períodos de recessão e até das profundas mudanças
ocorridas na economia brasileira com a abertura do mercado e
a estabilização monetária. Transformações que
resultaram também em grandes avanços para o consumidor e
para toda a sociedade, como reconhecem alguns dos
personagens envolvidos na elaboração e aprovação do código,
reconhecidamente um dos mais exigentes do mundo.
"A lei deu suporte a um movimento mais amplo de
resgate da cidadania, iniciado com a abertura política e
estimulado, em alguns momentos, pelos planos econômicos",
analisa a socióloga Maria Inês Fornazari, 42 anos, metade
deles vividos no Procon, onde ocupa hoje o posto mais
elevado, a diretoria executiva. "Nestes últimos anos,
a sociedade brasileira se conscientizou da importância de
resguardar os direitos dos consumidores", reforça o
procurador do estado Marcelo Sodré, ex-coordenador do
Procon no período de 1988 a 1994. Hoje, grande parte do
empresariado reconhece, inclusive, que a lei contribuiu para
melhorar as relações de consumo.
Isso não ocorreu apenas por conta do código. A nova
"abertura dos portos" verificada nesta década fez
o cidadão comum descobrir que, na maioria dos casos, pagava
muito caro por produtos ruins - e ele resolveu colocar a
boca no trombone para exigir seus direitos. Esse foi um dos
subprodutos das importações que cresceram no país nesse
período. Do lado dos empresários, a concorrência dos
importados, que tiveram que enfrentar, obrigou as empresas
nacionais a se preocuparem não só com seus produtos e
serviços. A nova exigência, com a qual não estavam
acostumados, foi buscar a todo o custo a satisfação de
seus clientes. "O código acabou sendo uma enorme
vantagem competitiva para o empresariado nacional, por
antecipar, por exemplo, exigências com a qualidade dos
produtos, item fundamental para garantir a sobrevivência
das empresas nestes tempos de globalização", explica
a engenheira agrônoma Marilena Lazarini, que pilotou o
Procon de 1983 a 86, época do Plano Cruzado, quando foi
convidada a assumir a Sunab de São Paulo, onde ficou sete
meses, até abril de 87.
Nesses oito anos, o Código do Consumidor, respaldado
pela abertura econômica e pela estabilidade trazida pelo
Plano Real, fez os brasileiros perderem o medo de reclamar e
de brigar por seus direitos.
Aos poucos, parte do empresariado nacional passou a ver
seu cliente como o principal personagem da história de sua
empresa. Os avanços são evidentes. Além do aumento das
consultas e queixas aos Procons, as faculdades de direito
incluíram o direito do consumidor em seus currículos, a
Justiça criou vários tribunais de pequenas causas, as
empresas montaram seus próprios serviços de atendimento, só
para citar alguns exemplos.
A nova postura do consumidor, no entanto, foi a mudança
mais significativa para todos os envolvidos na criação da
lei. "A maioria das pessoas está preocupada em
resguardar seus direitos", explica Maria Inês
Fornazari. "Muitas brigam por valores muito pequenos,
para deixar claro que está em jogo um princípio, e não o
dinheiro." Bobagem? Longe disso.
Certamente isso é indício de que o código realmente
ajudou os brasileiros a resgatar parte de sua cidadania.
Ainda há um longo caminho a percorrer, é evidente, como
demonstra a história recente dos remédios falsificados. O
caso mais evidente foi o do laboratório Schering, que
colocou no mercado pílulas anticoncepcionais falsas,
produzidas para testar equipamento novo. "A empresa
deveria ter comunicado o problema imediatamente às
autoridades, alertado os consumidores e retirado o produto
do mercado, como determina a lei", esclarece o
procurador do estado José Geraldo Brito Filomeno, um dos
redatores do código. A falha acarretou problemas para
consumidoras que engravidaram, mas os prejuízos para a
empresa poderiam ser menores se agisse rapidamente. Em casos
assim, aguardar a denúncia é o pior caminho.
Falta também à sociedade criar entidades civis de
defesa do consumidor, como as que foram instituídas em
outros países - uma das poucas existentes é o Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Além disso,
grande parte das pessoas procura o abrigo do Procon como a
primeira instância para garantir seus direitos, até por
desconhecimento da lei. "É preciso investir na educação
formal e informal para o consumo", recomenda Filomeno.
O papel do Procon
Mesmo assim, os números são vistosos. Apenas o Procon
paulista registrou um aumento de 93,6% desde o início da
vigência do Código de Defesa do Consumidor. Em 1991, foram
feitas 123.086 consultas e reclamações. No ano passado,
foram 239.324 ocorrências.
Desse total registrado em 1997, a maior parte refere-se a
consultas (184 mil). As reclamações (20,9 mil)
concentraram-se mais na área de produtos e serviços (13,6
mil), mas também estiveram presentes no setor de saúde
(3,1 mil), serviços financeiros (2,3 mil) e habitação
(1,1 mil). Foram expedidas 33 mil cartas aos fornecedores,
em busca de solução de problemas apresentados pelos
consumidores.
Com uma estrutura muito enxuta, o setor de atendimento do
Idec, por sua vez, realizou 44.613 atendimentos entre março
de 1997 e fevereiro deste ano, e tem aproximadamente 700
processos tramitando na Justiça. Uma das grandes bandeiras
da entidade, a recuperação das perdas em poupança
ocorridas durante o Plano Verão, em 1989, conseguiu trazer
de volta R$ 2,3 milhões para o bolso dos consumidores.
Os mais exigentes diriam que, apesar de expressivo, esse
crescimento ainda é muito pequeno frente ao tamanho da
população paulista. E têm razão. No entanto, esses números
ganham novo destaque quando se coloca na berlinda a profunda
mudança de mentalidade que representam, não só por parte
dos consumidores, mais exigentes e conscientes, como por
parte das empresas. Balanço feito pelo Procon e pelo Idec
reconhece ainda avanços em diferentes áreas, como na
rotulagem dos setores de alimentos, vestuário, acessórios
domésticos, eletroeletrônicos e brinquedos.
A recente aprovação da lei que regulamenta a atuação
das empresas de convênio e seguro médico também pode ser
debitada na conta da atuação dos órgãos de defesa do
consumidor nos últimos anos. Nesse meio tempo, as cobranças
violentas e difamatórias saíram da ordem do dia, enquanto
o segmento habitacional ganhou leis específicas, mais
transparência nas propagandas e contratos mais claros - aliás,
as letras miúdas nesses documentos praticamente
desapareceram.
Ainda existem muitos problemas, é claro. Para o Procon,
as escolas particulares, por exemplo, continuam sendo um dos
segmentos mais resistentes aos avanços promovidos pelo código,
e os consumidores ainda enfrentam muita dificuldade para
lidar com os estacionamentos, principalmente nos casos de
ressarcimento por dano ou furto de veículo. Isso sem falar
em setores como o moveleiro, o automotivo e o bancário,
que, na visão do Procon, conseguiram piorar seu desempenho
nos últimos anos.
A função do órgão não é só defender, dar sugestões,
criticar ou cobrar. Desde 1992, o Procon também resolveu se
expor, contrariando um velho ditado - "casa de
ferreiro, espeto de pau". Criou uma ouvidoria para
registrar queixas e sugestões de seus "clientes"
sobre sua atuação, corrigir rumos e auscultar o público
interno, seus atuais 377 funcionários. Os trabalhos são
divididos entre a jornalista Vera Ramos, que se encarrega de
ouvir os consumidores, e a administradora de empresas Maria
Regina Vilhena de Almeida, escolhida para encaminhar as
sugestões da equipe, da qual faz parte há 19 anos.
"Os resultados são animadores, porque criamos um termômetro
adequado para acompanhar a atuação do dia-a-dia do Procon,
e que nos permite alterar rapidamente procedimentos
inadequados", conta Vera Ramos, que no ano passado
atendeu pouco mais de 26 mil pessoas, 90% delas por
telefone. No período de janeiro a julho deste ano, 4,5% dos
"clientes" entraram em contato com a ouvidoria
para fazer sugestões, 23,7% para reclamar, 3,8% para fazer
críticas, 5,5% para elogiar e 62,5% por outros motivos - a
maioria, solicitando informações não diretamente
relacionadas ao órgão.
E do que reclamam os consumidores? "Principalmente
da dificuldade para acessar nosso número de telefone,
1512", revela Vera Ramos. Apesar do aumento no número
de linhas, o sistema recebe cerca de 6 mil chamadas por dia,
e tem capacidade para atender apenas mil. Para amenizar o
problema na cidade de São Paulo, além do atendimento feito
nas unidades da Barra Funda, Centro, Estação Tatuapé e no
Poupa-Tempo da Sé, o Procon conta com a caixa postal 3050
(CEP 01061-970), com uma linha de fax (3824-0717) e estuda a
possibilidade de abrir um canal via Internet - atualmente,
existe um site da fiscalização (www.mtecnet.com. br/pessoal/proconsp),
onde empresários podem conhecer a legislação para evitar
problemas.
Outra grande queixa é quanto à demora no encaminhamento
dos problemas - algumas audiências podem levar seis meses
para ser marcadas.
Tudo o que chega à ouvidoria é levado diretamente à
direção do Procon, incluindo sugestões para instalar mais
postos de atendimento, aumentar o número de linhas,
agilizar os serviços ou colocar televisão nos postos, para
exibição de vídeos sobre educação para o consumo - uma
das práticas já adotadas. E como em todo bom serviço de
atendimento, todos os "clientes" recebem uma
resposta, incluindo os funcionários. "A iniciativa de
ouvir o público interno foi um enorme avanço, e mostra a
disposição do Procon de estar sempre à frente na defesa
dos direitos dos consumidores", conta Regina Almeida.
"Afinal, estamos caminhando para construir uma
sociedade melhor." (CZ e JS)
História de conquistas
1971 - Apresentado no Congresso Nacional projeto de lei
para assuntos de Saúde e Segurança do deputado Nina
Ribeiro / Criação do Conselho de Defesa do Consumidor (Condecon),
no Rio de Janeiro1975 - Criação da Associação de Proteção
ao Consumidor
1976 - Criação do Sistema Estadual de Defesa do
Consumidor no Estado de São Paulo
1977 - Lei Herbert Levy, que obriga a exposição de preços
à vista e a prazo
1979 - Primeiro Encontro Nacional de Entidades de Defesa
do Consumidor em Curitiba, promovido pela Adoc do Paraná /
Criado o Centro Nestlé de Informação ao Consumidor
1982 - Rhodia, Johnson & Johnson e Sadia montam seus
SACs
1983 - Criação da Delegacia do Consumidor (Decon) no
estado de São Paulo / Aparecimento de inúmeros Procons em
estados e municípios / Criada a Curadoria de Defesa do
Consumidor no estado de São Paulo / Começam a funcionar
Juizados de Pequenas Causas em vários estados
1985 - Criado o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor
1986/87 - Mobilização de entidades públicas e privadas
para incluir na Constituição o princípio de defesa do
consumidor
1987 - Nasce o Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor (Idec)
1989 - Apenas três estados brasileiros não têm Procon
/ Constatada a existência de 144 órgãos públicos de
defesa do consumidor no estado de São Paulo / Criada a
Associação Nacional dos Profissionais de Serviços ao
Consumidor em Empresas (Secanp)
1990 - Aprovada a Lei de Defesa do Consumidor
1991 - Lei de Defesa do Consumidor entra em vigência /
Constatada a existência de SACs em 50 empresas
1997 - Aprovado o Sistema Nacional de Defesa do
Consumidor / Mais de 2 mil empresas contam com SACs
(Fonte: Secanp)
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Inserido no site em novembro de 2003
