LIDERANÇA EM DISPUTA

Mercado discute no maior evento da área de mídia da América Latina
 
quem deve orientar a
comunicação integrada

Comunicação integrada é o discurso da moda no meio publicitário. Virou consenso que hoje não basta fazer propaganda, é preciso traçar estratégias de comunicação que agreguem diversas disciplinas - do marketing direto ao evento, da promoção ao sampling - para atingir os objetivos do cliente.

Mas, na hora de definir estratégias, a quem cabe liderar o processo? As agências de publicidade têm experiência suficiente para isso, ou as empresas de marketing direto, promoção ou mesmo relações públicas estão mais preparadas para lidar com esse leque de opções? A discussão promete esquentar o painel Sinergia e Multiplicidade de Serviços - Quem Está Preparado para Liderar o Processo, que será realizado durante  a décima edição do Encontro Internacional da Mídia, o MaxiMidia 2000, considerado o maior evento da área na América Latina, que ocorre entre os dias 25 e 28 deste mês no World Trade Center, em São Paulo.

“Muitos clientes têm delegado ao marketing promocional a tarefa de liderar ações de comunicação integrada, por ser a ferramenta mais próxima do dia-a-dia da empresa. Hoje não é mais a agência de publicidade que resolve tudo, até porque muitas vezes ela não domina as particularidades das outras disciplinas”, atiça Antonio Murena Jr., presidente da Associação de Marketing Promocional (Ampro) e diretor da Marketing Drive.

Para o moderador do debate, Paulo Zoega, sócio-diretor da QG, “a maioria dos anunciantes têm necessidades, em termos de comunicação, maiores do que o que o mercado publicitário tem sido capaz de entregar, pois os profissionais das agências tradicionais não têm know-how suficiente para fazer a integração”. Segundo ele, um dos grandes erros que as agências ainda cometem é achar que tudo se resolve apenas tendo empresas especializadas nas várias disciplinas dentro do mesmo grupo.

“Não adianta contar com recursos técnicos, com uma agência para cada coisa, se na hora de montar o planejamento não houver capacidade para compreender as necessidades do produto (ou da empresa) e decidir quais as melhores respostas em termos de comunicação”, afirma Zoega.

A dificuldade do mercado publicitário em transformar para realidade o conceito de comunicação integrada começa a gerar um novo modelo de agência, que já nasce voltada para prestar esse serviço. “O anseio do cliente é que faz com que ele se volte para as agências que ofereçam todas as ferramentas da comunicação. Nós temos isso na nossa formação genética, pois começamos com o design e incluímos todo o resto: marketing dirigido, promoção, Internet e propaganda”, diz Fernando Quinteiro que, juntamente com o sócio Paschoal Fabra Neto montou neste ano a The Sales Machine, definida como uma agência de serviços de comunicação de marketing. Como Murena Jr., Quinteiro acredita que as agências de modelo tradicional estão lutando para se adaptar aos novos tempos para não perder a parte da verba do cliente que escapa da propaganda para outras ações. “Mas não basta querer fazer, é preciso entender muito bem cada ferramenta para poder integrá-las”, resume o presidente da Ampro.

Meio & Mensagem - 04/09/2000 - Pg. 29 - Por Eliane Pereira


TRABALHO NO EXTERIOR

Como fazer carreira lá fora

O profissional que deseja fazer carreira no exterior tem, pelo menos, quatro caminhos a seguir para atingir o objetivo: fazer cursos de MBA (Master in Business Administration) em universidades e institutos de ensino mundialmente reconhecidos, estar empregado numa corporação (áreas onde é maior o número de oportunidades) e usar e abusar da Internet para entrar em contato com empresas do seu interesse profissional em outros países.

Na opinião da sócia e consultora da PriceWater house&Coopers, Olga Colpo, o melhor atalho para atingir a contratação no exterior é cursar um MBA nos centros de ensino onde as grandes companhias costumam recrutar diretamente os alunos. O MBA também é uma ótima fonte para ampliação da rede de contatos (networking) profissionais, já que nas aulas o aluno vai aproximar-se de pessoas que no futuro certamente serão úteis na hora de uma recolocação.

Vantagem a mais tem o empregado de uma corporação mundial, que pode contar com os planos de rotação da empresa para obter um cargo em outro país.  “Nesse caso, o profissional deve deixar claro para a corporação qual é o seu objetivo. No entanto, é bom não esquecer-se de ter outra alternativa para a carreira, caso seja impossível o remanejamento para o posto pretendido”, aconselha a consultora.

Outra opção é trabalhar em negócios globalizados, nos quais a oferta de emprego é maior. Entre os setores que hoje são mais valorizados estão o de suprimentos globais, mercado de capitais e alta tecnologia. O vice-presidente do Grupo Catho, Obadia Sion, observa que a Internet é um grande instrumento para o profissional que deseja estabelecer-se fora do país de origem.

“O executivo seleciona o setor em que deseja atuar. A partir daí, pode pedir informações aos consulados e embaixadas do país para onde deseja mudar-se sobre as principais empresas do segmento e entrar em contato com elas”, ensina Sion. Olga, no entanto, ressalta que o profissional não deve se limitar apenas ao envio de currículos pela Internet. “É claro que inscrever-se em banco de currículos de empresas de recolocação e nas próprias companhias em que deseja trabalhar é oportuno, mas não é suficiente”, argumenta.

Se não é possível definir com exatidão as virtudes do profissional que mais facilmente vai chegar a outro país, é aconselhável estar atento para os pré-requisitos básicos que Obadia Sion, do Grupo Catho, relaciona como sendo essenciais para o sucesso do executivo.

A fluência no idioma é o primeiro passo. Os profissionais devem estar conscientes de que seus conhecimentos no Brasil podem ser mais do que suficientes para a função exercida, mas dificilmente vai equiparar-se a um executivo nato do país estrangeiro.

Para atualizar-se, o executivo pode participar de cursos não diretamente relacionados à sua área de atuação mas que serão úteis, como, por exemplo, seminários para aprender sobre o sistema de tributação da região onde quer trabalhar. O currículo bem feito também é essencial, mas cartas de recomendação das empresas nas quais trabalhou são bastante úteis.

Conquistada a vaga, atenção para um fator que pode colocar tudo a perder: a adaptação tanto do profissional quando de sua família à nova terra. “A adaptação é um detalhe para o qual poucos estão atentos mas que, muitas vezes, faz o executivo desistir das experiências”, destaca Sion.

Correio Braziliense - DF - Seção Dica da Semana  - Pg. 02 - 27/08/2000


Ação e História

Paulo Nassar(*)

Integração

O dia 8 de junho de 2000 vai entrar para a história da ABERJE, da Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa (APCE) e da Associação de Comunicação Empresarial de Língua Portuguesa (ACELP). Naquela data, paralelamente à realização da cerimônia de entrega do Prêmio Aberje Nordeste, aconteceram o I Congresso de Comunicação Empresarial de Língua Portuguesa e o I Prêmio Acelp, para a escolha dos melhores trabalhos de comunicação empresarial de língua portuguesa. A iniciativa pioneira de unir representantes de organizações do Brasil e de Portugal foi abrilhantada com a palestra do professor da Escola de Comunicações da USP, Manuel Carlos Chaparro, português radicado no Brasil, que abordou o tema Atualidade no Jornalismo Empresarial. Participaram do congresso: Ruy Martins Altenfelder Silva, presidente da ABERJE, Vítor Baltasar, presidente da ACELP, Paulo Nassar,  diretor-executivo  da ABERJE e vice-presidente da Acelp, Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa, Álvaro Esteves, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Comunicação (Apecom), Sérgio Xavier, gerente de Comunicação do Sebrae Nacional, Natália Caeiro, responsável pela comunicação da Petrogal – zona de Sines, Rui Paulo da Cruz, vice-presidente do Observatório da Imprensa de Portugal, José Cerqueira Filho, gerente de Comunicação Social da Copene, Graça de Souza Ferreira, diretora de Comunicação Interna da Petrogal, Patrícia Fraga, site Manager da Petrobras, Valdemar Freitas, gerente da Coordenadoria Especial de Relações Institucionais da Chesf, e Gonçalo Meira, responsável pelo Centro de Formação dos Estaleiros Navais de Viana de Castelo, Portugal.

Rádio e Comunicação Empresarial 

Durante a 25ª jornada do Fórum de Comunicação Empresarial, dia 14 de junho, na FIESP, o jornalista Marcelo Parada, diretor de Jornalismo da Rádio Bandeirantes, falou da vocação da emissora para a prestação de serviços como linha-mestra de atuação e dos critérios adotados pela RB para escolha dos assuntos que terão cobertura jornalística, entre os quais as informações enviadas por corporações. Os participantes do fórum foram presenteados com o livro Rádio: 24 Horas de Jornalismo, escrito por Parada.

Cursos

Cumprindo as atividades estabelecidas em seu plano estratégico anual, a ABERJE promoveu dia 28 de junho o curso Comunicação, Cultura e Código de Valores, com o consultor João Alberto Ianhez. Dia 30 de junho, o jornalista Milton Bellintani proferiu o Curso Básico para Criação de Jornais Empresariais. E, em 5 de julho, foi a vez da professora de Comunicação, Izolda Cremonine, promover o curso Planejando a Comunicação Estratégica.

Assembléia Geral Ordinária    

Com a presença de associados, a ABERJE realizou dia 1º de junho sua Assembléia Geral Ordinária para apresentação de relatório, análise e aprovação das contas dos exercícios de 1998 e 1999.

Prêmio Aberje SP

O anúncio dos vencedores do Prêmio Aberje São Paulo 2000 foi feito dia 8 de agosto, no Maksoud Plaza, e consolidou-se como uma das mais importantes disputas da história do prêmio. Nesta, que foi a 26ª edição, foram inscritos 421 trabalhos entre as 23 categorias – com destaque para a inclusão da categoria Memória Empresarial. A cerimônia de entrega do Prêmio Aberje SP foi seguida da escolha das mídias do ano em comunicação empresarial, distribuídas nas categorias Rádio, TV, Jornal, Revista e Mídia Especializada.

História Empresarial

A ABERJE reuniu cerca de 200 especialistas em comunicação e memória empresarial de todo o Brasil para participar do II Encontro Internacional de Museus Empresariais, que se realizou no dia 23 de agosto, em São Paulo. Por meio da apresentação das experiências desenvolvidas dentro das principais organizações brasileiras, ficou claro o reconhecimento do papel que a preservação da memória tem para a conquista dos públicos e cumplicidade em torno da missão da organização. E mais: que isso tem se constituído em importante diferencial competitivo. O professor inglês Paul Thompson, da Universidade de Essex, falou da importância da história oral para o enriquecimento do material histórico coletado. Durante o encontro foram apresentadas ainda as experiências de preservação de memória desenvolvidas e os projetos futuros da General Motors, CTBC Telecom, Gessy Lever, Gerdau, Grupo Abril, Sesc São Paulo, Eletropaulo Metropolitana, Aventis Pharma, Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, Basf, Citibank e Prêmio Editorial. O III Encontro Internacional de Museus Empresariais já está programado para o ano que vem.

Prêmio Aberje Minas 2000

O anúncio dos vencedores do Prêmio Aberje Minas Gerais aconteceu dia 24 de agosto, no Minas Trade Center, juntamente com a realização do III Fórum de Comunicação Empresarial, cujo tema foi Comunicação e Mobilização de Pessoas – Impactos para o Clima Organizacional e os Resultados Empresarias. O evento foi aberto por Stefan Salej, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. Na seqüência, participaram dos painéis Luiz Edmundo Prestes Rosa, diretor corporativo de Recursos Humanos da Accor Brasil, Célia Marcondes Ferraz, diretora da Academia – Universidade de Serviços da Accor Brasil, José Luciano Penido, presidente da Samarco Mineração, José Eduardo Silva Gonçalves, vice-presidente Nacional da ABERJE e gerente corporativo de Comunicação do Grupo Andrade Gutierrez, e José Eustáquio de Oliveira Souza, presidente do núcleo ABERJE/Minas.

*Paulo Nassar é jornalista, escritor e diretor executivo da ABERJE.
E-mail: nassar@aberje.com.br

Fonte: Revista  Comunicação Empresarial - Aberje Ano 10 No. 36 - 3o Trimestre 2000


Novos termos para o serviço de advocacia

De uns tempos para cá, está aparecendo uma área negocial de atuação comum aos escritórios de advocacia  e agências de comunicação não publicitária: relações públicas (RP) e assessoria de imprensa. Fica cada vez mais evidente a necessidade de criar um plano estratégico de comunicação para informar aos interessados os serviços e atividades que escritórios de advocacia oferecem. Nesse sentido, providências estão sendo tomadas, sugerindo-se uma evolução no código de ética da classe. Dai chegamos à delicada questão dos instrumentos de comunicação que escritórios de advocacia podem usar. Obrigatoriamente terão que ser instrumentos éticos - o que descarta a publicidade paga e traz à mente os serviços de assessoria de imprensa e de RP que, por definição, entregam a informação ao “outro” para que este a avalie livremente. Historicamente, bancas de advocacia atuavam em uma área definida em que raramente se percebia a influência da comunicação externa. Os tempos mudaram e hoje há a necessidade de incorporar às suas ações um planejamento estratégico de comunicação.

Oswaldo L.Pepe -Advogado e diretor da Art Presse Comunicação Empresarial
Gazeta Mercantil -Seção Cartas & Opiniões - 04/10/2000 - pág.A2