Uma nova dimensão
Acreditando que as transformações do mercado de trabalho e as necessidades profissionais extrapolaram seu curso de Relações Públicas, a Anhembi Morumbi decidiu descontinuar seu ensino nas mesmas condições que vinha atuando. A turma derradeira se forma no final de 2000. “Acredito que o enfoque dado a relações públicas está superado. O que é necessário é um comunicador para trabalhar com a relação da empresa e seus produtos com seu público-alvo. É a visão mais ampla e global. A imagem do relações públicas estava mais estereotipada como ‘arroz de festa’”, explica o reitor da Anhembi Morumbi.
No lugar desse curso, a universidade Anhembi Morumbi criou o curso superior de formação específica – também denominado de seqüencial – de Gestão de Comunicação Empresarial. Implantada este ano, a novidade tem carga horária de 1,6 mil horas, o que pode ser cumprido em tempo médio de dois anos. Essa modalidade de ensino se caracteriza pela especialização em um recorte de determinado campo de atuação. De acordo com a Anhembi Morumbi, a autorização de funcionamento foi concedida pelo Ministério da Educação, que encaminhará o processo de reconhecimento ao longo de suas atividades.
“Já tivemos história forte em RP aqui, mas de cinco anos para cá, notamos que essa carreira por si só não responde ao mercado. O profissional de relações públicas foi ‘engolido’ por aqueles que atuam na área de marketing, que se apropriaram de diversas ferramentas de trabalho, que estavam anteriormente nas mãos dos RPs”, argumenta Soledad Galhardo, diretora-geral da Anhembi Morumbi. Ela defende que Gestão em Comunicação Empresarial supre as exigências da atual economia, pois seria mais abrangente em sua cobertura e formaria profissionais polivalentes. “Esse curso contempla conceitos do jornalismo, marketing, administração e também de relações públicas, que passa a ser uma das armas de estudo”, completa. Ela diz que o público-alvo são profissionais já atuantes no mercado, mais especificamente nas áreas de assessoria de imprensa, consultoria empresarial e outros prestadores de serviços.
Requalificação – Ao detalhar o perfil dos participantes, Douglas Tempel, coordenador da área de comunicação dos cursos seqüenciais da Anhembi Morumbi, diz que a idade média dos alunos é de 30 anos. “Eles buscam a atualização profissional exigida pelas empresas. Alguns deles, por exemplo, não têm diploma de nível superior e o curso pode preencher também essa lacuna”, diz.
O processo seletivo é bem flexível. Não há um vestibular como nos moldes tradicionais. “O trabalho de seleção é individual. Depois de se inscrever e preencher um questionário, o aluno responde a um teste de múltipla escolha e faz uma redação. Ele precisa atingir nota sete para passar”, explica. Outro ponto a se destacar é que o candidato pode entrar no curso em qualquer época do ano. “Há flexibilidade no currículo. Ele pode, por exemplo, entrar com as aulas em andamento. Então, ele cursa até o final e depois volta para cumprir somente as disciplinas que ele não fez”, afirma.
Tempel conta que o conteúdo está distribuído de forma que, no primeiro semestre, haja predomínio das matérias de formação geral, como as de humanas e, gradativamente, haja aumento de importância de assuntos mais técnicos. “No segundo semestre, o objetivo é dar fundamentação geral na área de Comunicação Empresarial. No terceiro e quarto períodos, entramos em aspectos mais específicos”, explica.
Comunicaçao Empresarial - Ano 10o No. 36 - 3o Trimestre - Revista da ABERJE
Presidentes de empresas de expressão como Petrobras e Citibank alicerçaram a importância estratégica da comunicação empresarial de direção nos eventos da Aberje.
Paulo Nassar*
Os Fóruns de Comunicação Empresarial realizados nesse primeiro semestre pela ABERJE e pelo IRS-Instituto Roberto Simonsen, que tiveram como convidados, em 12 de abril, o presidente da BASF Brasil, Rolf-Dieter Acker, e em 3 de maio, o presidente do Citibank Brasil, Alcides de Souza Amaral, confirmam a importância estratégica da comunicação empresarial de direção, entendida como o conjunto de ações de comunicação corporativa que tem no seu planejamento, implementação e avaliação o comprometimento e atuação da alta direção.
Rolf-Dieter Acker e Alcides de Souza Amaral (ver entrevista), nas suas palestras para os associados da ABERJE e do IRS, demonstraram que a construção da imagem corporativa não pode ser tarefa de quem não esteja no leme das organizações. Em resumo: o que é estratégico não deve ser terceirizado ou delegado. A regência excelente da comunicação é competência essencial e dela a organização pode conquistar, o que é cada vez mais raro, uma vantagem competitiva.
James Grunig na ABERJE
James Grunig, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Maryland e Ph.D. em comunicação de massa pela Universidade de Wisconsin – autor de um dos mais completos estudos sobre a excelência em comunicação organizacional – proporcionou aos associados da entidade outro grande momento de reflexão estratégica durante o II Congresso Internacional Aberje de Comunicação Empresarial e Corporativa, que se realizou em 21 de março. Grunig delineou, a partir de sua pesquisa, realizada junto a 4,5 mil funcionários de 300 organizações dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, as bases para se implementar o que ele conceituou como comunicação excelente. Os 300 participantes do Congresso assistiram também às palestras de Nemércio Nogueira, Margarida Kunsch e Marilene Lopes.
Jornadas de Comunicação Interna
Eraldo Carneiro, da Petrobras, e Flávio Schmidt, da Sine Qua Non, foram os palestrantes em 23 de fevereiro e 28 de março da Jornada Aberje de Comunicação Interna, que tiveram como tema "Como avaliar os Programas de Comunicação Interna". Marlene Marchiori, da March Comunicação, autora da dissertação de mestrado "Organização, cultura e comunicação: elementos para novas relações com o público interno", e Maria Aparecida de Paula, diretora da Idéia Comunicação Empresarial, debateram o tema "Comunicação Interna e Cultura Organizacional" durante a Jornada realizada em 4 de abril.
Posse em Minas Gerais
No dia 17 de abril, em Belo Horizonte, José Eustáquio Oliveira de Souza, da Aço Minas, tomou posse na direção do Núcleo Regional Aberje de Minas Gerais. A solenidade foi conduzida pelo presidente da ABERJE, Ruy Altenfelder, e contou com a presença do ministro das Comunicações, João Pimenta da Veiga Filho, e do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo da Presidência da República, Ângelo Andréa Matarazzo, que falou sobre a Política de Comunicação do Governo Federal.
*Paulo Nassar é
jornalista, escritor e diretor executivo da ABERJE.
E-mail: nassar@aberje.com.br