RELAÇÕES PÚBLICAS
Muitas pessoas pensam que trabalhar com relações públicas é viver entre coquetéis e recepções. Esse é um engano. Um relações-públicas é muito mais que um promotor de festas. Nas grandes companhias, ele está à frente das campanhas de propaganda institucional e opina em tudo que diz respeito à comunicação empresarial, da divulgação do plano de metas à estratégia de aproximação da empresa com a comunidade onde esta instalada uma nova fabrica.
“O relações-públicas é o profissional mais capacitado a liderar a equipe de comunicação empresarial”, acredita Valéria Cabral, gerente de comunicação interna do Unibanco. “Para o público interno, ele produz veículos e programas de integração, com o objetivo de ganhar o funcionário para a causa da empresa”, afirma a professora Margarida Kunsch, da USP, em São Paulo.
Esclarecer e informar o público externo - os consumidores e a comunidade - também está entre as suas atribuições. “É o profissional de relações públicas quem se ocupa do serviço 0800 A Voz do Cidadão, um canal de discagem gratuita para que as pessoas expressem suas opiniões sobre a atuação dos senadores”, conta Ana Lucia Novelli, relações-públicas do Senado Federal. Além disso, eles planejam e organizam solenidades e recepções para comitivas internacionais em visita ao Senado.
O Curso
Você vai ter muitas aulas teóricas e praticas. Nos dois primeiros anos, entre outras matérias, aprenderá antropologia, filosofia, psicologia da comunicação e teoria da comunicação. A partir do terceiro, enfrentará as disciplinas mais específicas, como cerimonial, eventos, planejamento, pesquisa de opinião pública e técnicas de relações públicas e de marketing. No último ano desenvolverá um projeto de conclusão de curso. Em geral, trata-se de fazer um plano de relações públicas para uma empresa, verdadeira ou fictícia.
Duração mínima: quatro anos,.
Mercado
Com o crescimento da concorrência, as empresas não estão preocupadas apenas em conquistar os consumidores. É necessário manter sua clientela. Assim, aumenta a importância de dar um bom atendimento ao consumidor, uma das principais funções desempenhadas pelo relações-públicas. Também estão em alta as áreas de relações com a comunidade e de comunicação interna nas empresas.
Salário médio inicial: R$ 850,00
Em alta: Atendimento ao consumidor.
O que você pode fazer como relações-públicas
Administração e gerencia: trabalhar a imagem de uma marca ou empresa, promovendo eventos e criando canais de comunicação com o público interno e externo.
Assessoria e consultoria: prestar serviços de comunicação empresarial estratégica para companhias e órgãos públicos.
Eventos: planejar e executar palestras, recepções, coquetéis e solenidades com o objetivo de promover a instituição.
Pesquisa de opinião: levantar dados e informações sobre o público da empresa (funcionários, fornecedores, consumidores e concorrência). Com base nessas pesquisas, criar um plano de comunicação.
Planejamento estratégico: Organizar e desenvolver programas e atividades para a promoção da empresa.
“Atendo três clientes, que oriento no relacionamento com o público e na construção de sua imagem. Além de lidar com a mídia, aproximo-os de entidades, órgãos governamentais e comunidades. Posso, por exemplo, fazer a ligação entre entidades assistenciais e alguém que queira investir em marketing social, ajudando os necessitados. Para isso, identifico as entidades que têm o perfil adequado ao meu cliente e faço os contatos”, diz Roberto Constante, 24 anos, São Paulo, SP
Guia Abril do Estudante 2000 - pg. 142
Para empresas, MBA da Dom Cabral é um investimento
O programa de MBA Empresarial da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, é uma boa opção para as empresas nacionais requalificarem seus empregados. Entre os pré-requisitos para cursá-lo, a administração do programa exige que o candidato tenha cinco anos de experiência e esteja trabalhando. É uma forma de fazer com que todos os funcionários qualificados tenham vivência no mundo corporativo e continuem enfrentando desafios práticos durante o período de estudos.
O formato do MBA, criado em 1996, permite que o aluno se afaste pouco de seu emprego. São cinco módulos de aulas presenciais, intercalados por períodos de ensino à distância, que compreendem trabalhos e leituras preparatórias para a reunião de classe seguinte. Os módulos são ministrados em Itu, interior de São Paulo, durante cerca de uma semana, com nove horas de aulas por dia. Neles, são aprofundados os conceitos apresentados durante o ensino à distância. O tempo de classe é balanceado e dividido em estudos de caso, discussões, trabalhos e palestras. O gerente do curso, Aldemir Drummond Junior, diz que a metodologia é variada para que as nove horas não se tornem cansativas.
Cada turma do programa tem em média 40 alunos, sendo no máximo cinco da mesma empresa. Companhias que pretendem ter mais funcionários cursando o MBA podem participar do programa em dois diferentes formatos: o fechado, só com alunos da empresa, ou o programa de consórcio, em que sete ou oito companhias criam uma turma. Isso permite que as soluções para problemas das empresas sejam estudadas dentro da sala de aula. Gessy Lever, IBM, Xerox e Elevadores Atlas foram alguns dos clientes da Dom Cabral. Uma lista de empresas de setores tão diferentes só é possível pelo fato da Dom Cabral privilegiar o ensino mais generalista da Administração, sem especializações em uma ou outra área. A idéia é tornar as turmas bastante plurais, para que os profissionais tenham experiência em diversos setores.
A ponte, entre a Dom Cabral e as empresas, é feita por um “sponsor” (patrocinador): um executivo da empresa do aluno que tem participação decisiva no trabalho individual da conclusão do MBA. Nesse trabalho, o Projeto Empresarial, o participante cria instrumentos gerenciais que podem ser aplicados em seu ambiente real de trabalho. A avaliação é feita por um professor da fundação e pelo “sponsor”, que avaliam o caráter acadêmico e também a praticidade da proposta apresentados.
A Dom Cabral traz também dois professores estrangeiros convidados por turma. Nos últimos anos, participaram docentes da escola francesa do Insead, considerado o melhor da Europa pelo “Financial Times” e “Business Week”.
Valor econômico - Seção Eu & Carreia - pg. D4 - 3/10/2000 - por Carlos Eduardo Valim
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ESTRÉIA NO MERCADO IMPÕE OBSTÁCULOS
Nem sempre é possível escapar de tarefas burocráticas, mas é hora de mudar se a função não oferece chance de aprendizado
Servir café, tirar cópias, passar fax e entregar documentos. Não pense que, por ser estudante universitário, poderá sempre escapar dessas tarefas na fase do estágio.
Diante de incumbências burocráticas, os jovens se dividem entre a indignação, por achar que isso em nada contribui para a formação, e a perseverança, desde que o estágio não se resuma a elas.
Para a estagiária da Bristol-Myers Squibb e estudante de relações públicas Karen Watanabe, 21, o
o problema é de conscientização das empresas, “que costumam ver o estudante como um auxiliar de escritório de luxo”.
“Nem sempre o estágio é encarado como um complemento da faculdade, e, especialmente para quem atua com relações públicas, é comum a confusão com o pessoal de vendas”, explica Karen.
A estagiária da Accor Brasil e estudante de administração de empresas Yolanda Junqueira, 22, fez o seu primeiro estágio em um instituto ligado ao ambiente.
Além de ser longe de casa, o trabalho não oferecia benefícios. “O único motivo para ficar era o interesse em trabalhar com gestão ambiental após formada”, diz.
Arquivar e atender o telefone eram a rotina da estudante, que, com o tempo, foi “promovida”a secretária. Hoje ela atua num projeto do Grupo Accor, que objetiva usar de forma racional a água e a energia nos hotéis da rede. “Além de dar idéias, tenho acompanhamento constante, e ninguém cobra o que ainda não sei fazer.”
“Usar o aluno para tarefas de pouca importância significa perder a oportunidade de ‘oxigenar’ a empresa”, analisa a professora e coordenadora-geral de estágios da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Ceres de Carvalho Medina.
Para ela, o estudante se torna uma ponte entre a companhia e a universidade. “pois muitas vezes traz para a escola questões que os professores ajudam a resolver”.
Folha de S.Paulo - Empregos Especial, por Thais Abrahão - 08/10/2000- pg. 5