Relações Públicas x Assessoria de Imprensa

Profissionais e assessorias de comunicação enfrentam novos e instigantes desafios em razão da maior presença global de seus clientes

    Com a descoberta da necessidade de uma comunicação cada vez mais intensa com seus clientes internos e externos, o mercado de trabalho para os profissionais de relações-públicas apresenta uma série de problemas.
    Atualmente, boa parte dos profissionais tem de disputar com jornalistas, publicitários e outras categorias um número cada vez menor de vagas de trabalho. Isso acontece porque no Brasil, ao contrário do que ocorre nos outros países, há um grave desequilíbrio de formandos nas áreas de publicidade, marketing e comunicações (leia-se jornalismo) e o número de vagas disponíveis para esses profissionais. Tais jornalistas e publicitários acabam por dominar as assessorias de imprensa, empresas de organização de eventos e áreas de relações institucionais das organizações ocupando muitas vezes as vagas dos relações públicas. A grande verdade é que os jornalistas acabam por tomar um número considerado das vagas devido à formação humanista geralmente mais complexa.
    Mesmo em menor número o profissional de relações públicas desenvolve suas atribuições no campo onde há mais contratações: nas assessorias de imprensa.
    Segundo Mário Ernesto Humberg, jornalista e presidente da Aberje e da CL-A Comunicações, a função do profissional de relações públicas é complexa do ponto de vista atual e essencial num mundo cada vez mais competitivo e globalizado. Todas as empresas precisam criar vasos comunicantes entre os vários departamentos, públicos, clientes, fornecedores e comunidade. "O profissional mais indicado para essa tarefa é o Relações Públicas, que adquire em sua formação os conhecimentos necessários para atuar em áreas como Comunicação Empresarial e corporativa, Relações Exteriores e Institucionais, Ombudsman, Endomarketing, Lobby, Assessoria de Imprensa, Organização de Eventos e outras áreas atendidas pela comunicação social", explica Humberg, acrescentando que o "bom profissional de relações públicas cria um trabalho planejado, define diretrizes e executa ações integradas, fornecendo apoio ao trabalho mercadológico da empresa ou organização a que está ligado, ajudando ainda a integrar os diferentes públicos que se relacionam com a empresa".
    Este trabalho é feito por meio da criação e consolidação da imagem da empresa e de seus serviços junto à mídia impressa e eletrônica. Na opinião de Humberg, existem atualmente no Brasil cerca de 30 empresas associadas a Aberp, e conceituadas em termos de Relações Públicas, isto é, que realizam todas as atribuições do profissional, ou seja, trabalhar a imprensa (coletiva), os clientes, preparar house-organs, fornecer apoio em programas de treinamento, realizar "invest-relations " (informar acionistas sobre diversas propostas de relações públicas), campanhas motivacionais, revistas, vídeos e programas de informação e utilidade pública.
    Para o sucesso na profissão, o Relações Públicas tem de possuir ampla bagagem cultural, saber impor limites e diretrizes aos colegas de trabalho e sobretudo possuir uma estrutura adequada para realizar suas funções e sair vitoriosos na assessoria em que trabalha.

Fonte: ART&COM - Revista Eletrônica de Comunicação da Universidade Metodista de Ensino Superior - Ano I No 1 Abril de 99