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A descoberta de uma profissão pode acontecer por acaso por Simone Pinto |
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Maria das Graças Ribeiro, quando adolescente, sonhava em ser uma especialista da voz. Acreditando que sua real vocação fosse a fonoaudiologia, jamais imaginou que ocuparia o cargo de Analista de Relações Públicas da General Motors, uma das maiores montadoras do país.
Graça conta que se decepcionou muito quando viu que seu nome não estava na lista dos classificados no vestibular de Fonoaudiologia. "Mas eu não queria ficar para trás, todos os meus amigos tinham passado". Então, em 1980, enquanto ainda permanecia na lista de espera de seu curso desejado, iniciou o de Relações Públicas, que escolheu como segunda opção.
Ela lembra que, no começo, foi difícil. "Me sentia um peixe fora d'água, sem aptidão nenhuma para a profissão. Queria mais é que os anos passassem rápido, para que eu pudesse prestar um novo vestibular e, aí sim, fazer o que escolhi".
Graça não tinha a menor idéia de como um profissional dessa área exercia seu trabalho, optou por ele pois lidava com pessoas, o que a fascinava.
Mas, logo no primeiro ano de faculdade, começou a ter aulas de Filosofia, uma matéria que falava de relações humanas. Lidando e discutindo o comportamento de cada um perante o mundo, ela começou a se interessar pelo curso.
Desde então foi se envolvendo cada vez mais, já se sentindo à vontade perante as colegas de sala e, conseqüentemente, tirando a Fonoaudiologia - o que chamava de idéia fixa - da cabeça. Com o tempo, cursar RP já tinha deixado de ser uma obrigação para se transformar em um grande prazer.
E foi no terceiro ano que ela realmente optou em permanecer na área, conseguiu um estágio de seis meses na mesma empresa onde trabalhava um professor, que lhe deu muitas dicas sobre como vencer na profissão.
"Esse estágio foi decisivo para que eu soubesse o que realmente queria fazer. Foi nele que descobri o caminho que queria seguir".
Em 84, Graça inscreveu-se como candidata a uma vaga na General Motors e em 85, ano de sua formatura, foi admitida como Representante de Relações Públicas, onde está até hoje, trabalhando e lidando com gente, "o que sempre quis fazer", conta.
Ela é responsável por toda parte social da empresa, como visitas à fábrica para demonstração de linhas de montagem e técnicas escolares, o que chamam de "visitor center". Também cuida da estadia de possíveis compradores estrangeiros à GM do Brasil, junto a uma empresa de turismo - segundo ela - escolhida a dedo.
Mas, ultimamente o que vem tomando seu tempo é o projeto de construção de uma mini-empresa para a especialização de alunos das escolas da localidade. E é nessa área de programas com a comunidade que ela diz se completar profissionalmente.
"Antes não acreditava em destino. Agora agradeço por não ter passado naquele vestibular", diz. Segundo Graça, ela se deixou envolver com RP por ser uma área dinâmica, o que dá muitas oportunidades, pois cria movimento e interação com o meio ambiente. E só pode entrar quem não tem medo de inovar, pois as mudanças são constantes. "O cotidiano de um RP nunca é igual", conclui.
Fonte: Jornal Eletrônico da Universidade Metodista de Ensino Superior - Rudge Ramos - SP- www.metodista.br