A MODA DO COLLEGE

Começa a proliferar no país os chamados cursos seqüenciais, mais voltados às exigências do mercado de trabalho. Saiba como distingui-los e descubra se eles atendem aos seus interesses.

Os efeitos das Leis de Diretrizes e Bases, publicada em 1996, já começam a ser sentidos no ensino superior de Brasília. O antigo conceito de nível superior, restrito a graduação e pós-graduação, foi ampliado e surgiram novos cursos, mais voltados para o mercado de trabalho. Eles receberam o nome de seqüenciais e já ganharam o apelido de college, referência a um sistema existente nos EUA e Europa.  São de curta duração e privilegiam o ensino mais técnico. Um prato cheio para quem quer distância do ensino teórico e generalizado. Harlei Rodor, 32 anos, estava à procura de um curso superior exatamente com esses requisitos. Há dez anos começou a trabalhar como vendedor, mas só agora percebeu que ficar atrás dos balcões não valia a pena. “Eu não tinha disposição  para fazer  um curso de graduação - cuja duração média é de 4 anos. Queria uma formação mais rápida e objetiva”, explica.

A solução encontrada por ele pode estar a seu alcance. Harlei matriculou-se em um curso seqüencial.  Diferente da graduação, eles são direcionados para campos específicos. Harlei está fazendo o curso de Internet Business e, depois de formado, poderá trabalhar com a elaboração de páginas comerciais na rede de computadores.    

Mas esteja atento. Os conselhos profissionais podem ou não reconhecer o seu diploma  Caso ele não reconheça, você corre o risco de não ter registro profissional. Mas, ainda assim, alguns empresários, principalmente da área de informática, admitem que o registro não é um pré-requisito indispensável para um bom profissional.

Segundo Bruno Carvalho, coordenador da União Educacional de Brasília (Uneb-College), os cursos seqüenciais são ideais para quem está há tempos sem estudar e quer um diploma para entrar no mercado, melhorar suas atividades na empresa ou fazer um concurso que exige nível superior. Mas, vá com calma. Caso esteja especificado no edital que o tipo de curso superior exigido é de graduação, o diploma de curso seqüencial não será aceito.

É, também, preciso estar ciente que um aluno formado no curso seqüencial pode não conseguir entrar em um programa de pós-graduação. A universidade Brasília (UnB), por exemplo, não aceita esse tipo de diploma. “Esse aluno não tem formação nem interesse suficiente para pesquisar na pós-graduação”, explica Rogério Aragão, do Decanato de Pós-graduação da UnB.

Ms não são só os seqüenciais que estão com o prestígio em baixa. Os programas de pós-graduação também põem barreiras para os alunos de graduação não reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Isso justifica a preocupação da fisioterapeuta Luciana Alves, de Goiânia (GO). Seu filho acaba de passar para Administração em uma faculdade particular do DF, mas o curso não é reconhecido pelo MEC (apenas autorizado). “O sonho do meu filho é estudar em Brasília por causa do mercado de trabalho amplo e os cursos de MBA (especialização em administração)”, diz Luciana. O reconhecimento de um curso só acontece depois que a primeira turma recebe o canudo, o que está longe de acontecer com cursos recém-inaugurados.

Serviço: Para saber se o curso já é reconhecido, ligue para o Conselho Nacional de Educação, no telefone 242-0340. Outras informações sobre pós-graduação na Internet, no endereço www.capes.gov.br.

APRENDA A ESCOLHER

Na hora de optar por um curso ou uma instituição de nível superior é fundamental saber como eles estão estruturados e para que servem. Quem procura uma formação mais técnica, vai encontrar nos cursos seqüenciais uma boa pedida. Já quem pretende seguir a carreira acadêmica, o melhor é procurar uma universidade ou mesmo um centro universitário. Confira abaixo qual curso e instituição combina mais com seu perfil.

TIPOS DE INSTITUIÇÃO

A classificação de um estabelecimento educacional é dada pelo MEC, no momento em que seu funcionamento é autorizado.

UNIVERSIDADES

São instituições que desenvolvem o ensino, a pesquisa e atividades de extensão em um campus - área física exclusiva. Pelo menos um terço dos professores tem mestrado ou doutorado e dedicam-se em tempo integral à instituição. Uma universidade tem mais de um curso reconhecido pelo MEC e possui autonomia para criar outros cursos, programas de ensino e ampliar o número de vagas para seus cursos sem antes consultar o MEC.

CENTROS UNIVERSITÁRIOS

São instituições que não precisam, necessariamente, desenvolver pesquisa científica. Os centros possuem, pelo menos, 80% de seus cursos de graduação reconhecidos pelo MEC e 20% dos professores com mestrado ou doutorado. Eles devem estar aptos a desenvolver trabalhos acadêmicos de extensão com a comunidade e oferecer pelo menos um curso de especialização. Essas exigências são uma vantagem para o aluno que poderá colocar seus conhecimentos em prática. Os centros também possuem autonomia para criar cursos, programas de ensino e ampliar o número de vagas para seus cursos.

FACULDADES

São instituições de ensino superior, autorizadas pelo MEC, mas que podem ter apenas um curso de nível superior reconhecido. As faculdades não precisam desenvolver pesquisa e, diferente dos Centros, não têm a obrigação de oferecer trabalhos acadêmicos à comunidade em formato de cursos de extensão. Caso a estrutura de uma faculdade seja ampliada, ela receberá o nome de Faculdade Integrada, degrau anterior aos Centros Universitários. As faculdades não possuem a autonomia das  universidades e dos centros universitários para criar cursos, programas de ensino e ampliar o número de vagas para seus cursos. Não há um número mínimo de professores com mestrado ou doutorado. O MEC avalia apenas a experiência profissional desses professores.

ESCOLAS SUPERIORES

Também chamadas de instituições superiores, ainda não estão em funcionamento no Brasil. Estão previstas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e substituirão o antigo curso normal de magistério para professores

CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR

GRADUAÇÃO

São divididos em área de conhecimento como Administração, Ciências Sociais, Medicina. Com o diploma de um curso de graduação reconhecido pelo MEC, você pode fazer pós-graduação lato-sensu e stricto sensu em qualquer universidade. Para ingressar em um curso de graduação, o estudante deve ter o 2o. grau completo e prestar um exame vestibular.

SEQÜENCIAIS OU COLLEGES

São divididos em campos de saber como, por exemplo, Administração Hospitalar e Gestão de Negócios Internacionais. A instituição de ensino superior que deseja oferecê-los deve possuir um curso de graduação equivalente a esse campo de saber. Por exemplo, para uma universidade oferecer o curso seqüencial de Administração Hospitalar, deve ter o curso de graduação de Administração.

Esses cursos duram em média dois anos e são subdivididos em duas categorias: complementação de estudos e de formação específica. O primeiro tem 900 horas de aula e o segundo 1.600. A vantagem do curso seqüencial de formação específica é que ele entrega diploma e não somente certificado, como no caso da complementação de estudos. Cada instituição define a forma de ingresso nesses cursos, por seleção ou inscrição.

Fica a critério da universidade aceitar ou não o diploma de cursos seqüenciais para ingresso em pós-graduação lato-sensu ou o aproveitamento de disciplinas do curso seqüencial em uma eventual graduação. O valor desse diploma no mercado de trabalho será definido, em grande parte, pelo reconhecimento dos sindicatos e conselhos regionais.

PÓS-GRADUAÇÃO

Lato-sensu

São especializações voltadas para a profissionalização e atualização de pessoas com nível superior. Ao final do curso, o aluno recebe um certificado de conclusão.

Stricto-sensu

São pós-graduações mais voltadas para a pesquisa científica. Subdividem-se em mestrado acadêmico, mestrado profissionalizante e doutorado. O mestrado profissionalizante difere do acadêmico por pesquisar um tema mais voltado para o mercado de trabalho e não dar direito ao aluno de fazer doutorado.

EXTENSÃO

Pela LDB, os cursos de extensão estão incluídos na lista de cursos de nível superior. No entanto, a única exigência é que eles sejam promovidos e organizados por uma instituição de ensino superior. Os cursos de extensão, voltados para áreas específicas, como, por exemplo, nutrição de bebês e conversação em Espanhol. Esses cursos foram criados para que os estudantes e profissionais atualizem seus conhecimentos. Quem faz um curso de extensão, recebe apenas certificado.

Correio Braziliense -DF - Guia de Domingo - Pg. 01 - 21/Jan /2001.