UM CARGO INÉDITO PARA O ASSUNTO DO MOMENTO: RESPONSABILIDADE SOCIAL

A Ford Brasil criou uma gerência de responsabilidade social que irá administrar
U$ 1 milhão destinados a projetos ambientais e de educação.

Por Stela Campos,
São Paulo.

O executivo Hélio Perini, 45 anos, como responsável pelas relações públicas e institucionais da Ford Brasil, já estava acostumado a comandar vários projetos relacionados à comunidade na área de educação e meio ambiente. Este mês, no entanto, o que era apenas uma parte do seu trabalho, se tornou a sua maior prioridade. Ele agora é o primeiro gerente de responsabilidade social da companhia no país. Um cargo inédito na empresa em todo o mundo. Sua missão, além de coordenar os projetos existentes, administrando quase US$ 1 milhão este ano, será conscientizar e mobilizar os 7,2 mil funcionários para que eles realizem trabalhos voluntários e entendam a importância dos serviços voltados à comunidade. Um desafio e tanto. Perini é formado em tecnologia mecânica e entrou para a Ford em 1976, na área de testes no centro de pesquisas e desenvolvimento de produtos. Passou por varias áreas ligadas à engenharia até que em 1983 migrou para um setor até então totalmente novo para ele, o de relações públicas e marketing. Na época, eu cuidava das atividades esportivas, conta. Ficou nesse cargo por 15 anos, até que em 1995 assumiu a área de relações públicas e institucional. O executivo sabe que para movimentar e dividir a responsabilidade social na empresa precisará bater muita perna nas quatro fábricas da Ford, localizadas em São Paulo e na Bahia. Desde 1999, a empresa vem enfatizando a importância do trabalho voluntário entre os funcionários. Já foram criados comitês de cidadania em varias unidades da companhia e a missão e Perini será fazer com que outros sejam criados. “Desenvolver esta percepção da importância do trabalho social não é fácil’’, diz. “Queremos difundir uma filosofia, estimulando ações não só pensamentos”. Para o diretor de assuntos corporativos da Ford Brasil, Célio de Freitas Batalha, a criação    dessa gerência espelha a vontade da empresa de se organizar melhor as atividades que já vem exercendo nessa área. Atualmente, a empresa tem vários projetos na área de educação em parceria com organizações não governamentais, governo e também sindicatos. Entre eles, está o MOVA (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos) em que atua desde 1999 junto com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O MOVA já criou 50 salas de aula e conta com participação de monitores, que, na verdade, são empregados voluntários. Outro projeto é o Alfabetização Solidária em parceria com o governo federal, que alfabetizou 250 jovens e adultos em 2000. No projeto Meu Guri, a Ford doou um terreno em Mairiporã, no interior do estado de São Paulo, para a sede do projeto que irá atender 120 crianças de até 3 anos de idade, oferecendo moradia, alimentação, educação e assistência médica. Na área ambiental, a empresa criou o prêmio Henry Ford de Conservação Ambiental e o projeto de Desenvolvimento Sustentável dos Biomas Brasileiros, que busca envolver as comunidades locais no esforço de conservação das regiões mais ricas em biodiversidade do país. Mas, a gerência de responsabilidade social não irá só cuidar de projetos educacionais e de meio ambiente, ela também deverá se envolver com todas as políticas relacionadas com os empregados. Cabe à nova gerencia ajudar a estruturar com o departamento de recursos humanos tudo que for relacionado à melhoria da qualidade de vida dos funcionários. Isso inclui até ajudar nas campanhas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Em situações mais delicadas como aconteceu no ano passado com o fechamento da primeira fábrica da Ford, no bairro do Ipiranga em São Paulo, cujas atividades foram transferidas o que implicou no corte de 300 funcionários, a nova gerência deverá atuar na amenizarão do impacto dessa ação junto à comunidade. Todos os departamentos já estão focados na ótica da responsabilidade social, garante Perini. O que é preciso é desenvolver uma cultura interna que incorpore esses valores.

Fonte: Valor Econômico - Seção Eu & Carreira - pg. D4  12/Fev/2001