PREPARE-SE PARA MUDANÇAS NO MERCADO DE TRABALHO

Flexibilidade é a palavra de ordem das empresas para os próximos anos

Daqui a cinco anos, ter um diploma de MBA deverá equivaler hoje a um mero diploma de 2o. grau. Ou seja: isso não será mais um grande diferencial, mas um curso obrigatório para os profissionais qualificados. Imagine também que, no primeiro dia de trabalho, o empregado poderá escolher   quais benefícios quer receber com possibilidade até mesmo de não receber beneficio algum em troca de um salário maior. De acordo com alguns especialistas, o mercado de trabalho promete passar por uma reviravolta nos próximos anos.

No que diz respeito ao horário de trabalho a opinião dos especialistas foi unânime: haverá maior flexibilidade. “Como o trabalho poderá ser feito em casa, o horário será mais flexível. O único problema é que se trabalhará muito mais e será essencial que haja disciplina por parte do funcionário. No entanto, se terá mais tempo para o convívio familiar e melhor qualidade de vida”, afirma o consultor da Kadan Consultores, Carlos Vitor Strougo.

O futuro também promete mudanças na remuneração, assunto que não deixa de chamar a atenção dos trabalhadores. “O profissional irá ganhar o referente a quanto ele vale no mercado e não mais por categoria, assim como os jogadores de futebol. O salário vai corresponder ao rendimento de cada um”, diz o consultor em gestão empresarial da VL3 Aprendizagem, Waldez Luis Ludwig.

De acordo com o headhunter da Korn-Ferry International Head-hunting, Augusto Dias Carneiro, outro fator que irá mudar a vida dos profissionais é o auxilio da internet na hora de procurar emprego. “Todos que ganham menos de 150 mil dólares por ano vão achar emprego somente pela rede e o método tradicional de busca de profissionais continuará a valer para profissionais com remuneração cima de 150 mil dólares, mas também terão ajuda parcial da internet”, afirma.

Para quem ficou seriamente preocupado com o futuro profissional, o headhunter Strougo oferece um calmante. “É certo que a velocidade com que as coisas mudam está aumentando cada vez mais. No entanto, não acontecerá nada de tão inovador quanto especulam”, afirma o headhunter, avisando que os profissionais que não querem perder seu espaço devem focar em seu lado pessoal.

“Deve-se investir nas características pessoais e não somente no conhecimento técnico. Um maior nível de intelectualidade será fundamental. As empresas não vão querer funcionários que apenas façam e, sim, que também pensem”, aconselha. “O profissional bom não vai ser quem seguir essa ou aquela carreira, e sim quem tiver características interessantes para a empresa”, finaliza Strougo.

Havendo ou não previsão de alterações drásticas no mercado de trabalho, o trabalhador deve ficar cada vez  mais seletivo. “O profissional deve ser mais cuidadoso com a carreira. Não deve aceitar qualquer coisa. Deixando de ser passivo em relação às mudanças, o profissional evita tantas mudanças de área e não deixa seu currículo sem direcionamento”, aconselha Augusto Carneiro, da Korn-Ferry, acrescentando que o profissional que estiver sempre bem informado sobre seu campo de atuação terá um grande diferencial.

A Gazeta do Povo - PR - Seção Classificados -03 /Jan/ 2001 - Pg.04