Mister Max

O QUE É... MBA ?

É um curso que não vai deixar você sair de uma entrevista com um sorriso amarelo

Ao concluir um curso universitário nos Estados Unidos, a pessoa recebe  um degree. Se o curso for numa área ligada à administração de negócios, esse degree é chamado de Business Administration, ou, abreviando, BA. No Brasil é a mesma coisa: o formando recebe um grau, e a cerimônia de conclusão do curso é chamada de “colação de grau”, sendo que essa “colação” nada tem a ver com o fato de alguém ter colado para passar de ano. Ela vem do latim collatione, “comparação”. Significa que o colado adquire o direito legal de ser equiparado a qualquer profissional da área. Mas aí o americano pode decidir que não quer apenas se comparar aos demais, mas se sobressair, e para conseguir isso ele terá de fazer um novo curso. Curso que, no Brasil, até pouco tempo, nós chamávamos de pós-graduação. Lá, esse curso suplementar permite colocar uma outra letrinha antes do BA: o M, de Master. Portanto, o BA dá direito a um degree, e o MBA a um pedigree.

Como todo mundo já percebeu, a sigla MBA colou no mercado de trabalho brasileiro, e o resultado prático disso é que nossos cursos de pós-graduação mudaram de nome. Mas muita gente recém-formada se pergunta se, depois de quatro longos anos de “facu”, é mesmo necessário encarar mais dois anos de MBA. A resposta é “sim”, e com ênfase absoluta. Mas, para entender exatamente por que, é preciso fazer uma profunda pesquisa de campo. A pessoa interessada deve se dirigir a um supermercado, procurar a seção de perfumaria, e parar diante da prateleira onde estão os cremes dentais, vulgo pasta de dente.

                          HÁ 40 ANOS, JÁ EXISTIA UMA GRANDE VARIEDADE

                          DE DENTIFRÍCIOS, TODOS MAIS OU MENOS IGUAIS.

E, quando isso acontece, a área de marketing tem de entrar em ação para criar um ‘fator diferencial da marca’. Foi o que fez a turma da empresa líder do setor, a Colgate: lançou o Colgate com gardol. Um sucesso instantâneo. Isso forçou a vice-líder Kolynos a reagir, o que ela conseguiu ao colocar no mercado o Kolynos com clorofila. E a competição esquentou de vez quando, logo em seguida, apareceu uma terceira marca, Signal, que tinha hexaclorofeno! Embora nenhum consumidor soubesse exatamente qual era o real impacto daqueles três ingredientes no seu teclado bucal, a verdade é que em pouco tempo ninguém mais queria consumidor uma pasta de dente que não oferecesse um  “algo a mais”. E isso obrigou as demais marcas a inventar um “componente x” qualquer, o que é a regra do mercado até hoje.

Dê só uma olhada aí na prateleira. O creme dental Phillips, por exemplo, tem LMP, e um asterisco na  embalagem  explica que isso é hidróxido de magnésio. Você sabe o que o hidróxido de magnésio faz? Nããão?  Pois é exatamente o mesmo que um MBA faz por sua carreira: chama a atenção diferencia, impressiona.

De certa forma, um profissional é como um tubo de dentifrício, que se expõe para chamar a atenção do consumidor final do seu talento. - a empresa - com o currículo funcionando como um outdoor. E, assim como o mercado de consumo adotou os hexaclôs e lemepês, o mercado de trabalho se encantou com  os mebeás. E com o mercado não se discute, adapta-se. Na hora da entrevista para um novo emprego, gardóis e mebeás têm a mesma finalidade: evitar que o pretendente seja rejeitado e aí tenha que dar aquele sorriso amarelo

Revista Você S.A. (www.vocesa.com.br) - Março 2001 -Edição 33 -  Pg. 134
por Max Gehringer
(max.g@uol.com.br)