A INSONDÁVEL LÍNGUA DO ‘C’
Que cargo você preferiria exibir no cartão de visitas: CÉU ou diretor-geral? CMO ou vice-presidente de marketing? Por alguma razão inexplicável, a simples conjunção de três letrinhas parece fazer com que a primeira opção tenha mais importância, senioridade e poder do que a segunda. Depois do chief executive officer, a onda de executivos-chefe-de-não-sei-o-quê vem se espalhando numa velocidade espantosa nos organogramas. O resultado é muita gente perdida, sem entender o que esses profissionais fazem. Para dar nome aos bois, ou melhor, aos cargos, elaboramos uma relação dos principais chiefs que estão por aí. E levantamos possíveis explicações para a existência deles:
1 - Estratégia. O profissional recebe o nome de principal executivo de alguma coisa - logística, por exemplo - para indicar tanto internamente quanto para o mercado que se trata de uma área absolutamente estratégica para a empresa. “Normalmente quem é chief senta no conselho e tem peso de voto igual ao do CEO”, diz o consultor Darcio Crespi, sócio da Heidrick & Struggles, uma das maiores empresas mundiais de recrutamento de altos executivos.
2 - Globalização. Ter um cargo que faz parte da terminologia corporativa mundial pode facilitar a comunicação entre empresas e profissionais.
3 - Sim, status. Há donos de pequenas empresas se intitulando chief executive officers. Ou diretores de finanças que, depois de colocar o CFO no cartão, acreditam que dar uma roupagem toda nova ao charmoso cargo de... diretor financeiro.
CEO - chief executive officer
Facilmente identificado, é o cara que manda em todo mundo - menos no chairman (ou presidente do conselho), a menos que ele seja poderosíssimo e acumule as duas funções. Pode ser chamado de principal executivo, presidente, superintendente, diretor-geral... As pessoas costumam fazer confusão quando a empresa tem os dois, CEO e presidente. Nesse caso, a função do segundo é mais representativa.
COO - chief operating officer
Seu nome é executivo-chefe de operações, mas você pode chamá-lo de braço direito do CEO. Enquanto o chefe pensa a estratégia, o COO cuida mais da rotina do negócio.
CFO - chief financial officer
Principal executivo de finanças
CHRO - chief human resources officer
Principal executivo de recursos humanos
CIO - chief information officer
Era mais fácil identificá-lo quando ele era o único executivo responsável pelo planejamento e pela implementação da tecnologia no pedaço. Mais aí surgiu o ...
CTO - chief technology officer
… e hoje há muita confusão . Em linhas gerais, o CIO cuida da estratégia por trás da tecnologia - como ela pode mudar a forma como a empresa faz negócios - enquanto o CTO comanda a arquitetura e a infra-estrutura dos sistemas. Há empresas com os dois profissionais.
CKO - chief knowledge officer
Também chamado de chief learning officer (CLO), é quem administra o capital intelectual da empresa, reúne e gerencia todo o conhecimento da organização. Entende tanto de tecnologia e processos quanto de pessoas. É um sujeito-chave, por exemplo, nas consultorias.
CRO - chief risk officer
O cargo surgiu quando empresas de todas as áreas - e não somente bancos - passaram a se preocupar com a administração de riscos. Além de questões financeiras, o CRO avalia itens como estratégia do negócio, concorrência, legislação e problemas ambientais. No Brasil, a Globocabo tem um.
CMO
- chief marketing officer
Executivo-chefe de marketing, certo? Na subsidiária brasileira do
BankBoston não é tão simples assim. Lá ele cuida também de novos negócios
e Internet.
CIO
- chief imagination officer
A fabricante de computadores Americana Gateway tem um executivo-chefe
de imaginação, responsável por promover a criatividade entre o pessoal.
Fonte: Exame -Edição 734 -ano 35 no. 4 -21/2/2001 - Pg. 119.