Olhos voltados para o mundo

Maria: "Não é só comunicar" Nuzzi: "Saber Português é vital"

O vestibulando que pretende seguir carreira na área de Comunicação Social deve estar atento e informado sobre tudo o que acontece ao seu redor.

Ler muitas revistas, jornais e livros, estar informado ou ‘‘antenado’’ em tudo o que acontece ao seu redor, ser curioso, gostar e ter familiaridade com a Língua Portuguesa, ser extrovertido e ter uma boa cultura geral são algumas das características necessárias aos estudantes que pretendem seguir carreira na área de Comunicação Social.

‘‘Atualmente, é errado imaginar que o profissional de comunicação só precisa saber se comunicar. Conhecer dois idiomas, ter domínio de informática e saber um pouco de tudo é mais importante do que simplesmente saber se comunicar’’, explica a professora Maria Aparecida Ferrari, coordenadora do curso de Relações Públicas da Universidade Metodista de Ensino Superior (Umesp).

Algumas características são inerentes aos profissionais de comunicação. Outras, as faculdades ensinam durante os quatro anos que os vestibulandos, que optarem pela área, terão de estudar. O curso de Comunicação Social abrange seis habilitações distintas: Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Relações Públicas, Radio e TV, Cinema e Produção Editorial e os estudantes escolhem por qual carreira seguir já no vestibular.

As faculdades organizam currículos diferentes para cada uma das habilitações, porém existe uma formação fundamental para todos os profissionais da área, que é dada nos dois primeiros anos do curso. Entre as disciplinas fundamentais os estudantes têm aulas de Língua Portuguesa, Sociologia, Psicologia, Ética e Legislação, Teoria Política e Teoria da Comunicação. ‘‘No começo do curso os estudantes têm o embasamento conceitual da comunicação, que dará ao aluno instrumentos para ele ter a capacidade de refletir socialmente. O profissional da área é um intérprete da sociedade’’, afirma o professor Rodolfo Konder, diretor de Comunicação Social das Faculdades Integradas Alcântara Machado (Fiam).

Para o professor Erasmo de Freitas Nuzzi, diretor da Faculdade Casper Líbero, a formação fundamental dos estudantes de Comunicação se baseia principalmente no estudo da Língua Portuguesa — instrumento vital no trabalho dos profissionais da área — e da sociedade e política nacional. ‘‘O profissional tem de saber para qual público ele trabalha e para obter este conhecimento é necessário que ele estude a sociedade e a política brasileira’’, completa.

Os alunos aprendem as disciplinas relacionadas à formação específica de cada habilitação desde o primeiro ano, porém as atividades práticas só começam a partir do terceiro. ‘‘Depois da metade do curso os alunos aprendem a trabalhar na prática, por meio do aprendizado das técnicas e dos instrumentos da comunicação’’, explica Rodolfo Konder.

No curso de Publicidade e Propaganda os estudantes têm aulas de Estatística, Comunicação Visual, Planejamento de campanhas publicitárias e Pesquisa de mercado. Em Jornalismo, eles aprendem os gêneros jornalísticos e as técnicas de redação para escrever para jornais impressos, rádio, televisão e jornais empresariais.

Os profissionais de Relações Públicas trabalham com a comunicação interna das organizações e a sua relação com o público em geral. Por isso, os alunos têm aulas de publicações institucionais, pesquisa de opinião pública e do Código de Defesa do Consumidor.

Na habilitação de Rádio e TV os alunos aprendem como produzir um programa completo de rádio e de televisão. Da mesma forma que os estudantes de Cinema têm aulas de todas as técnicas para produzir um filme, desde a captação de recursos até a conclusão do filme. Os estudantes que escolhem por seguir a habilitação de Editoração aprendem a produzir e editar livros, a escrever documentários e revistas segmentadas não jornalísticas. Estes profissionais trabalham na edição de livros e publicações impressas e eletrônicas.

Em qualquer uma das habilitações o mercado costuma exigir conhecimento básico de informática e de mais um idioma. O estágio não é obrigatório em nenhuma das especializações e na carreira de Jornalismo ele é proibido por lei.

Fonte: Diário Popular, 8 de abril de 2001, Ano 1, número 32, página 3, Cursos e Concursos, 1a e 3a páginas.