Na crise, informar bem é vital, diz Alvin Golin
Transparência é básico para se ganhar apoio dos consumidores, defende especialista em RP
CARLOS FRANCO
A transparência das informações, mesmo nos períodos de crise, é a melhor estratégia de uma empresa para angariar a simpatia dos consumidores e investidores, evitando até perda de mercado para concorrentes que aproveitam esses momentos. A receita, aparentemente simples, é de um dos mais respeitados profissionais de relações públicas dos Estados Unidos, Alvin Golin, o fundador da Golin/Harris International, hoje com 71 anos e uma coleção de histórias empresariais no currículo.
Ontem, no hall do luxuoso Hotel Renaissence, em São Paulo, antes de palestra no 4.º Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas, Golin falou de sua carreira e do início da empresa, hoje presente em 40 países e com contas do porte da DaimlerChrysler, McDonald’s, Disney, Nintendo, Hewlett Packard e KPMG. Ele tinha 37 anos quando abriu o que classificou de “modesto e pequeno escritório em Chicago”. Uma das primeiras iniciativas, lembra, foi procurar Ray Kroc, o fundador do McDonald’s. “Ofereci nossos serviços e ele assinou contrato com oferta de US$ 500 mensais, para testar, antes mesmo de ter uma agência de publicidade.”
Apesar do valor baixo, mesmo para 1958, diz Golin, o executivo que cuidava do negócio de Kroc, Harry Sonneborn, perguntou: “O que eles vão fazer?” Golin diz que Kroc naquele dia respondeu: “Não sei, mas tenho um pressentimento de que isso vai ser bom.” Segundo Golin foi, pois a estratégia traçada pelo seu escritório teve como ponto de partida o relacionamento com a comunidade, por meio de escolas, crianças, hospitais e bandas, que tornaram a marca simpática aos consumidores.
Os americanos são fixados em marcas e, quanto mais simpáticas e queridas, mais ficam na lembrança do consumidor. “Só que emoção vale para todo o mundo, tanto que ao doar um dia de vendas em Moscou para uma instituição que cuidava de crianças enfermas, o McDonald’s conquistou a população e obteve mais facilmente novas licenças para abrir lojas.”
Ele tem orgulho de ter trabalhado no projeto da Ronald McDonald’s Home, casas que dão assistência a crianças doentes, especialmente vítimas de câncer, para o qual a maior rede do mundo de fast-food, desenvolveu em todos os países do mundo.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - Sexta-feira, 6 de abril de 2001 - Economia