DIPLOMA
SEM GRIFE
Mercado dá conceitos para as
faculdades
FREE-LANCE
PARA A FOLHA
Inglês fluente, experiência anterior mesmo sendo recém-formado, pós-graduação
em andamento. As empresas não poupam exigências para a escolha dos
profissionais. E, como se não bastasse, ter cursado uma faculdade famosa também
tornou-se requisito.
O problema está nos conceitos dados pelo mercado. Conforme a fama da
universidade, ela é considerada de "primeira linha" ou "segunda
linha". Quem não estudou nas mais conhecidas precisa de muito empenho para
se destacar no início da carreira.
"É complicado classificar as faculdades, pois a escolha por esse critério
é incorreta e injusta. Mas o mercado considera como "de primeira
linha" instituições como USP (Universidade de São Paulo), FGV (Fundação
Getúlio Vargas) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), dependendo da área",
afirma o consultor Hélio Castro, 50, headhunter da Horton International,
empresa de consultoria e análise gerencial.
Concorrência e alto preço
Segundo a vice-presidente do Grupo Catho, Adriana Gomes, 36, a pessoa que não
teve acesso às instituições tradicionais muitas vezes demonstra mais garra do
que outra que sempre teve tudo nas mãos e se formou em colégios particulares e
caros.
O gerente de materiais da multinacional francesa Saint Gobain, Pedro Luiz
Martinazzi, 36, frequentemente faz cursos de aperfeiçoamento. Depois que se
formou em economia pelas Faculdades Oswaldo Cruz, já fez algumas especializações,
uma delas na Fundação Getúlio Vargas, que ele considera de prestígio.
"Era difícil passar no vestibular das faculdades renomadas. As públicas
sempre foram muito concorridas, e eu precisava trabalhar, não tinha o dia todo
para estudar. Já as particulares mais famosas eram caras."
Com a alta competitividade, Martinazzi pretende continuar investindo em
aprimoramento. "Quero agora fazer um curso de MBA (Master in Business
Administration), pois o mercado de trabalho exige", afirma.
Folha de São Paulo - Caderno de Empregos 13.05.2001