Edição: David Cohen
UM MARKETING QUE AJUDA
O
espírito que vende
Por Fábio Peixoto
Primeiro foi o corpo, depois a emoção e, agora, o espírito. Esta é a evolução
da propaganda, segundo a americana Marjorie Thompson, uma das diretoras da agência
de publicidade Saatchi & Saatchi - grupo inter nacional que tem como
representante no Brasil a F/Nazca. Nos anos 50, diz Marjorie, vendiam-se
produtos exibindo referências técnicas à sua eficiência. Na década de 70,
começaram as campanhas que apelam para a emoção, normalmente usando pessoas
famosas. "Agora as marcas, para ser completas, devem ter uma dimensão
social e ética", diz ela. "Hoje os consumidores perguntam pelos
valores da empresa, pelo espírito da marca."
Marjorie vive na Inglaterra há duas décadas. Lá criou e dirige, desde 1997, a Saatchi & Saatchi Cause Connection, a primeira divisão de publicidade dedicada exclusivamente ao marketing social. Ela esteve em São Paulo neste mês como palestrante do Encontro Nacional dos Anunciantes (ENA) 2001, e esclareceu para EXAME alguns tópicos dessa nova tendência corporativa:
Uma
troca de interesses
"Há várias definições para o marketing social. A principal
é quando uma empresa e uma organização social criam uma parceria para benefício
mútuo. Para a causa, o retorno é em dinheiro e em conscientização - as
marcas ajudam a passar a mensagem de um modo profissional, que torna o público
mais receptivo. Para a empresa, a vantagem é a diferenciação da marca diante
das competidoras. Aumentam as vendas e melhora a reputação. Se o preço e a
qualidade forem semelhantes, as pessoas preferem as marcas que apóiam boas
causas."
A
primeira campanha
"O marketing social começou a ficar popular nos Estados Unidos,
no início dos anos 80. Depois de apoiar algumas instituições municipais
ligadas às artes, a American Express lançou uma campanha nacional: cada vez
que alguém usava seus cartões de crédito, ia um pouco de dinheiro para a
restauração da Estátua da Liberdade. Como resultado, o governo não teve de
pagar pela reforma do monumento. Essa foi a primeira grande campanha de
marketing social."
Marketing
não é filantropia
"Você pode fazer doações ou caridade, mas isso não é
suficiente. Quando a empresa patrocina o balé da cidade porque a mulher do dono
pede, isso não é marketing. Uma campanha com causa social deve fazer parte do
orçamento do marketing, e deve ter sinergia com o produto ou serviço da
empresa. Por exemplo: a Procter & Gamble apóia uma campanha de higiene
pessoal na Nicarágua."
Não
dá para limpar a barra
"Uma empresa nunca deve se aproveitar de uma causa social nem
usar o marketing social para se livrar de problemas com imagem. Se ela tem um
problema, a campanha soa cínica e o tiro sai pela culatra. Nós recomendamos
que se inicie a campanha quando a crise já tiver passado."
Foto: Ricardo Benichio
Revista Exame, Ano 35 No 11 30.05.2001