Grupo de Mídia

O futuro da mídia. Você só pode estar lendo este artigo por dois motivos: ou é mídia (profissional de mídia, talvez ficasse melhor) ou é meu amigo (familiares não contam, eu vou mandar cópia para todos). Espero então que você seja condescendente com a falta de originalidade, mesmo porque ele não passa da repetição, ao menos em parte, de uma apresentação que eu venho fazendo (e ainda vou continuar a fazer) em seminários e palestras.
O título desta apresentação é um pouco pretensioso — “O futuro da mídia” —, mas considero o tema atual e me parece oportuno abordá-lo neste início de ano, neste período pós-Carnaval.


Deixaremos de ser mídias?

A nossa atividade vai mudar radicalmente nos próximos anos. E, talvez, o título “profissional de mídia” não defina com exatidão o que vamos fazer. Orlando Lopes, meu cliente e presidente do IVC, é um bom exemplo do que quero dizer. Ele não é mais diretor de mídia, é diretor de Canal de Comunicação da Unilever para a América Latina. As agências especialistas em mídia, que nós chamamos (com o perdão da palavra) de bureaus de mídia, passaram a ser chamadas, no mundo inteiro, desde o ano passado, de “agências de canal de comunicação”. E como no Brasil estas agências não podem operar, somos nós que vamos desempenhar este papel.


O que aconteceu?

Uma revolução atravessou o caminho da evolução da mídia tradicional. A explosão de veículos de mídia e o conseqüente estilhaçamento das audiências (maior ou menor dependendo do target) encontram um novo e soberano consumidor brasileiro do Plano Real e lhe dá ampla possibilidade de escolha, o que causa fenômenos como zapping, zipping, surf, edição etc. Tudo isso diminui a eficiência da publicidade, fica mais difícil atingir os consumidores e as mensagens se perdem com mais facilidade. Se somarmos a esta evolução um quadro de revolução, formado por algumas audiências como a de jovens, executivos e das famílias mais ricas que já têm uma “dieta de mídia” diferente da grande massa via mídia interativa, temos um cenário no mínimo perturbador.

— Os consumidores mudaram muito e se diferenciam por seu consumo de mídia.
— Não fazem distinção do que seja comunicação “above the line” (publicidade) e “below the line” (promoção, marketing direto, relações públicas, eventos, patrocínios, marketing esportivo etc.)
— Os clientes têm questões de comunicação mais amplas a resolver e só querem soluções efetivas.

A mídia de massa continua a oferecer cobertura e custo-benefício para muitas audiências e uma base sólida para desenvolver idéias para nossas marcas, mas nem a mídia tradicional e nem a “new media”, em muitos casos, se mostram adequadas ao nosso novo momento.

O que tem de mudar então na nossa atividade
Como o consumidor pode ter “experiências” com marcas em todo e qualquer lugar, não existem fronteiras para a mídia, que não pode mais viver restrita ao pensamento tradicional.
Temos de nos tornar parceiros na comunicação de nossos clientes para utilizarmos todas as formas de comunicação disponíveis, ou seja, temos de recomendar, com toda a consistência estratégica que caracteriza o planejamento de mídia atual, todos os canais de comunicação disponíveis. É isso aí. Promoção, marketing direto, relações públicas, patrocínios, eventos etc., vão fazer parte do nosso cotidiano e isto é inevitável.
A mídia tradicional vai continuar a evoluir e a demarcar o caminho adiante, o que vai permitir que tiremos a comunicação da caixa da publicidade. O exemplo da Ilha de Caras está aí para reforçar a minha tese. Trata-se de mídia? Promoção? Evento? Relações públicas? Patrocínio? Ou tudo somado?
Eu vejo a comunidade de mídia com justificada preocupação em treinar as suas equipes no que diz respeito à internet, mesmo que o faturamento das agências não seja expressivo neste meio.
O Grupo de Mídia, com a chefia, nesta área, do José Alves, promoveu recentemente um seminário que foi um sucesso de conteúdo e audiência. Precisamos promover seminários para todas as disciplinas já mencionadas (Promoção, RP etc.), no Grupo de Mídia e nos grandes eventos de mídia. Temos de nos inscrever e também nossas equipes em eventos de todas as disciplinas. Promover estágios nas agências especializadas de canal. É assim que as agências de promoção etc. (já repeti muito) serão chamadas e vão estar muito próximas da nossa atividade.
Por último, só um importante aviso: as agências de canal (agências especializadas em mídia) investiram muito tempo e dinheiro em softwares que põem todos os canais numa base única de dados, que permitem a definição de como toda a verba de marketing de um produto deve ser aplicada. Temos de investir nosso tempo e dinheiro para não perder o bonde da história outra vez.

Manoel Mauger
manoel.mauger@lowelintas.com
Vice-presidente de mídia da Lowe Lintas e membro do Conselho Superior do Grupo de Mídia