Talent destaca-se em ranking de AdAge

Cibele Santos

Agências geraram receita bruta de US$ 40,46 bilhões no ano passado

 

As agências mundiais incluídas no 57º Relatório de Agências de Advertising Age somaram receita bruta de US$ 40,46 bilhões em 2000, dos quais US$ 18,94 bilhões foram gerados nos Estados Unidos e US$ 21,52 bilhões em outros 124 países. Novamente reformulado por fusões e aquisições, o ranking dos cem maiores grupos mundiais de comunicação mostrou desta vez a WPP Group na primeira posição - resultado da compra da Young & Rubicam, sétima da lista de 1999, que contribuiu para a receita total de US$ 7,97 bilhões da corporação (crescimento de 19,9%). Com isso, o Omnicom Group foi remanejado para o segundo lugar, com receita de US$ 6,99 bilhões (11,9%), à frente do Interpublic Group of Cos., que reportou US$ 6,6 bilhões (16,9%). A liderança da WPP, entretanto, será transitória, porque a Interpublic dominará a lista de 2001 caso a compra da True North Communications (nº 9 do ranking de 2000) seja efetivada neste ano.

O ranking inclui seis grupos brasileiros. Eles são Talent, que saltou da 85ª posição em 1999 para a 50ª em 2000, batendo o recorde de crescimento de receita bruta entre os cem maiores grupos mundiais (119,6%); DPZ Duailibi Petit Zaragoza que, apesar de cair do 56º lugar para o 60º, avançou 9,6%; Fischer América Comunicação, com crescimento negativo de 14% (49º lugar para 63º); Euro RSCG Brasil e Propeg que, graças aos incrementos de 22,9% e 36,5%, saltaram respectivamente cinco e nove posições; e W/Brasil Publicidade, que recuou 0,7%, do 91º para o 97º lugar.

Os três maiores grupos de 2000 controlaram 38,6% do mercado mundial de agências (um ponto de share corresponde a mais de US$ 400 milhões em receita bruta), sendo que a Omnicom ficou com o maior share (13,9%), seguida por WPP e Interpublic (respectivamente, 12,4% e 12,3%). Também nos Estados Unidos, a hegemonia prevaleceu, com ligeira inversão: Omnicom (14,4%), Interpublic (14,1%) e WPP (11,9%). Em 2001, com a incorporação da TN, a Interpublic passará a liderar tanto em termos mundiais como nos Estados Unidos, com shares de 15,7% e 19,2%.

Novo quadro

O número de aquisições foi tão grande em 2000 que apenas 27 grupos mundiais reportaram receita bruta acima de US$ 100 milhões, comparados a 37 em 1999. Desapareceram do ranking: Saatchi & Saatchi Plc (comprada pelo Publicis Groupe); Lighthouse Global Network (Cordiant Communications Group); Nelson Communications (Publicis); e Deutsch e Nationwide Advertising Service, ambos anexados pela Interpublic. E as consolidações não se limitaram às Big 3; desde o começo do ano passado, 250 aquisições foram realizadas, sendo que as compradoras mais ativas incluíram Hawkeye Communications e Maxxcom (divisão da MDC Communications, de Toronto), ambas fortemente envolvidas em serviços de marketing. A Hawkeye cresceu 58,3%, para US$ 93,6 milhões, e a Maxxcom, 18,3%, para US$ 177,4 milhões.

As agências acompanharam a tendência dos anunciantes que, em busca de economias de escala, consolidaram pesadamente suas verbas em uma ou duas agências apenas. Foi o caso, entre outros, da DaimlerChrysler, Guinness, Exxon Mobil, Hasbro, Unilever, Volvo (Ford), Compaq Computer Corp., Philip Morris Cos. e Kellogg Co.

As dez maiores agências de mídia pertencentes aos grupos contribuíram com cerca de US$ 155 bilhões em faturamento mundial - cerca de 75% de todas as agências de compra e planejamento de mídia. A Interpublic liderou com US$ 31,2 bilhões (7,4%). Da mesma forma, pertencem aos grupos 17 das 25 principais agências de healthcare, e 13 das top 25 da área multicultural.

A concentração do setor de relações públicas nos Estados Unidos é ainda mais pronunciada: a especialidade gerou US$ 2,02 bilhões em fees para os grupos no país (31% de avanço), e quase dois terços dos fees gerados por 316 agências.

As agências interativas incluídas no ranking de 1999 foram retiradas da lista no ano passado pelos editores de AdAge, o que reduziu o quadro em mais de US$ 100 milhões. Foram eliminadas: MarchFirst, que entrou em concordata; Sapient Corp. e IXL Enterprises. A partir deste ano, as agências do setor serão apresentadas no relatório Interactive Media & Marketing, que será divulgado em 7 de maio.

Capitais da propaganda

Nova York liderou todos os mercados mundiais em receita bruta, com US$ 57,2 bilhões gerados por 143 agências (37% da receita total nos Estados Unidos). Na "Big Apple" a Grey Worldwide permanece isolada como a maior agência, com faturamento de US$ 3,66 bilhões. São Paulo ficou em 11º lugar, com um volume de US$ 5,5 bilhões, dominado pela McCann-Erickson Publicidade, com US$ 875,9 milhões. Em termos de crescimento, entretanto, a maior capital publicitária foi Toronto (21,9%), seguida por Tóquio (20,4%), Los Angeles (20,2%) e São Paulo (18,3%).

Mas em termos de país, os Estados Unidos continuaram imbatíveis: as 500 maiores agências geraram receita bruta de US$ 32,57 bilhões (avanço de 12,4% em relação a 1999), contra faturamento de US$ 295,28 bilhões. A parte doméstica respondeu por US$ 18,94 bilhões (14,6% de crescimento), e a externa, US$ 13,63 bilhões.

Meio e Mensagem - Edição 956 - 30 de abril de 2001 ediçao online 9.8.2001