Entrevista: Lowe Lintas prepara aquisições no Brasil
Após dois anos e meio à frente da presidência da Lowe Lintas & Partners Europa, o inglês Tim Lindsay foi promovido, em junho passado, a presidente internacional da rede, passando a ter sob seu comando 15 mil funcionários, dispostos em 170 escritórios, espalhados por 80 países. Há apenas dois meses na nova função, Lindsay veio à América Latina para conferir in loco o trabalho da região na qual, segundo ele, encontram-se algumas das agências mais criativas da rede. Em breve passagem pelo Brasil, onde compareceu à reinauguração do escritório paulistano da Lowe Lintas, na última quinta-feira, dia 2, o executivo concedeu esta entrevista exclusiva à About, na qual fala sobre os desafios que enfrentará no novo cargo, além de anunciar que o País se encontra na rota de aquisições de empresas especializadas em serviços de marketing, prioritariamente CRM e promoção. ABOUT — Há dois meses você foi promovido à presidência da Lowe Lintas & Partners Worldwide. Quais são seus maiores desafios no novo cargo? LINDSAY — O maior desafio de todos é assegurar que entregaremos o melhor trabalho aos nossos clientes, já que somos extremamente focados na criatividade e na qualidade do nosso produto final em toda a rede. A Lowe Lintas sempre foi muito criativa, desde a sua fundação, em 1981. Tanto o gerenciamento global como nossas atuações locais, e, especialmente, os profissionais que comandam todas as nossas agências, visam a oferecer ao mercado um trabalho melhor, cujo cerne, a meu ver, está na comunicação criativa. Nossa ambição é nos tornarmos a rede de publicidade mais criativa do mundo, apoiada por uma estratégia clara e bem articulada, tocada por pessoas que entendam bem o nosso negócio. ABOUT — Quais são as principais metas para a quinta maior rede global de comunicação, levando-se em consideração a convulsão e baixa do universo ponto com e a crescente tendência de tradicionais agências de publicidade tornarem-se full-service? LINDSAY — Há dois anos não havia a atual grande ansiedade sobre a internet, todos estavam muito felizes com a novidade, enquanto, no início do ano passado, não estávamos pensando onde esse meio nos levaria ou poderia chegar. Retomando a questão anterior, a segunda parte dos meus desafios é ampliar a gama de ofertas de serviços que podemos disponibilizar aos nossos clientes. Nós estamos num grupo da Interpublic, chamado The Partnership, que nos coloca junto a empresas cujas iniciativas melhoram a qualidade e o status de serviços que temos em nossas agências. Já trabalhamos com todas essas companhias, em diferentes partes do mundo, pois isso é parte crucial das estratégias locais da Lowe. Temos, por exemplo, um ótimo relacionamento com a Draft, na área de relações públicas. Continuaremos a fazer essas parcerias, pois acreditamos na manutenção de unidades especializadas. Não achamos que vá vingar a estratégia de se entregar, de uma vez só, um apanhado de serviços que envolvem disciplinas diferentes e vêm de apenas uma fonte operacional. ABOUT — O propósito da sua visita ao Brasil inclui estudos sobre aquisições de novas empresas no País? LINDSAY — Não se trata do propósito específico da minha visita, mas estamos planejando novas aquisições no Brasil. De maneira geral, nosso posicionamento é de incorporar companhias que compartilham a mesma paixão de entregar produtos com qualidade criativa. As empresas nas quais estamos interessados, e que querem fazer negócios conosco, oferecem produtos de primeira, sejam eles CRM, promoção, interativos etc. ABOUT — Em quais áreas o grupo Lowe Lintas pretende adquirir empresas no Brasil? LINDSAY — Faremos aquisições de empresas especializadas em CRM e promoção. ABOUT — Quão importante é a América Latina, e especificamente a operação brasileira, nos negócios globais da Lowe Lintas? LINDSAY — Algumas das melhores agências de nossa rede, em termos de criatividade, estão na América Latina. Financeiramente falando, a região ainda representa uma pequena parte do total. Não poderia precisar, mas acredito que cerca de 15% de nossos negócios advêm da região. Entretanto, é incrível o trabalho criativo de nossa rede latina, que está desproporcionalmente representada em nosso grupo mundial e que possui um grande potencial de crescimento no Brasil, Chile, Argentina, Colômbia e México. ABOUT — Você acredita que haverá, no futuro, um grande aumento nos negócios gerados pela região? LINDSAY — Tanto na América Latina quanto na Ásia, o crescimento recente e a previsão para o futuro são mais dramáticos do que na Europa e EUA, pois estes são mercados mais amadurecidos. ABOUT — Você acredita que a crise econômica argentina e a crise energética brasileira afetarão o Grupo Lowe Lintas na região? LINDSAY — Não posso lhe mensurar o quanto, mas certamente que essas crises ocasionaram um desempenho abaixo do que esperávamos para a região. Mas somos otimistas numa previsão a longo prazo. ABOUT — Em comparação ao ano passado, como está sendo 2001 para o Grupo Lowe Lintas? LINDSAY — Em 2000, passamos pela fusão entre a Lowe & Partners e a Ammirati Puris Lintas, anunciada no fim de 1999, o que me levou a fazer cerca de 250 viagens em torno da Europa para tratar de toda a transação. A transição em Milão e Londres foi muito complicada. Na Inglaterra, também, enfrentamos tempos difíceis. Houve certos conflitos, porém não perdemos muitos clientes. Alguns negócios se foram, devido ao processo de fusão, mas a maioria foi mantida, além de novos clientes terem sido conquistados. Este ano, as coisas estão mais devagar para todo mundo, o que tem um lado negativo, pois nosso mercado é imediatista e quer resultados rápidos. ABOUT — Como foi o desempenho geral da rede na última edição do Festival de Cannes? LINDSAY — Nossa unidade de Londres foi a única agência a conquistar consecutivamente Grand Prix em Cannes: ganhamos em Films, em 1999, e em Press & Poster, em 2000. Fomos brilhantes no ano passado, e nesta última edição nos saímos bem, mas não tanto quanto em 2000. Felizmente, neste ano, em Cannes, identifiquei uma tendência criativa de se retornar às boas idéias, depois de trabalharmos exaustivamente com o que a tecnologia podia oferecer.
Revista About on line de [08/08/2001]