Os sinais positivos do mercado
Ricardo Bakker


THOMAS CASE: negócios estão 
começando a ferver de novo, passado
o trauma dos atentados

Pesquisa Salarial do Grupo Catho, que começa a ser publicada nas páginas 4 e 5, constata aumento da oferta e avanço das mulheres em postos de comando

As perspectivas de crescimento do mercado de trabalho e de aumento real de salários este ano “são bastante animadoras”, na opinião de Thomas Case, fundador e presidente do Grupo Catho, um dos principais operadores nacionais na área de recrutamento e seleção. Do alto de sua experiência de 25 de mercado —- fundou a Catho em 1977 —- Case observa que “os negócios estão começando a ferver de novo” após o “final amargo de 2001”, resultado de dificuldades internas, especialmente o racionamento de energia, e do choque internacional provocado pelos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos. Mas, observa, o trauma decorrente dos atentados já passou.

Case destaca os sinais positivos de recuperação da economia americana e antevê “maravilhosos efeitos” no Brasil, em razão do aumento das exportações de produtos brasileiros para o mercado americano. Neste cenário, o recrutamento nos mais variados níveis hierárquicos, por parte de empresas de diferentes portes, conseqüentemente, volta a crescer. Case observa aumento da procura por profissionais de segmentos da área de serviços, particularmente de saúde.

Pesquisa

Estas tendências foram detectadas na tradicional Pesquisa Salarial do Grupo Catho, reconhecida como o maior e mais importante levantamento de cargos e salários realizado no país e que passamos a publicar a partir desta edição (veja quado nas páginas 4 e 5).

A pesquisa, em sua sétima edição, constatou sensível diminuição da diferença de remuneração dos homens e mulheres que exercem cargos executivos. De acordo com o levantamento as mulheres continuam ganhando menos que os homens, mas a diferença caiu de 17% para 10,3%. “É possível concluir que rapidamente as remunerações dos homens e mulheres executivos estão caminhando no sentido da paridade”, observa o Grupo Catho na análise da pesquisa. O levantamento constatou, entre outros detalhes, que ao longo da carreira a mulher ganha, em média, apenas 3% a menos que os homens, pois, normalmente, consegue promoções com maior rapidez.

Promoção

De acordo com o levantamento, a maioria das mulheres sobe do posto de supervisor para o de gerente, em média, com três anos de idade a menos que os homens.

Paralelamente as mulheres avançam na ocupação de postos de comando: já ocupam 13,8% dos cargos executivos de primeira linha e de 19,7% de diretores. O levantamento da Catho mostra que , em 1994/95, as mulheres ocupavam 8,1% de cargos de presidente ou principal executivo. A participação feminina em de gerências subiu de 12,4% em 1994 para 20,4% 2001. Na opinião de Thomas Case “os homens executivos devem se cuidar porque, provavelmente, em um futuro próximo, terão uma mulher como chefe”. Mas ressalva que “a vida empresarial talvez não seja tão dura com uma mulher no comando”, pois as pesquisas também mostram a grande diferença de personalidade: o sentimentalismo feminino.

De seu posto de observação, Thomas Case constata, sem disfarçar o entusiasmo, o avanço da Internet no recrutamento de pessoal.

Inexistente em 1996, o recrutamento on line, de acordo com os registros da Catho, começou timidadamente em 1997.

Naquele ano apenas 0,66% das buscas e ofertas foram feitas com a utilização da rede. Esta participação cresceu para 5,93% no ano seguinte, alcançou 15,13% em 1999, saltou para 29,92% em 2000 e conquistou a posição de “mais importante canal de recrutamento no Brasil” no ano passado, segundo Case, com 50,91% de participação. A procura e ofertas em certos cargos, como de supervisor, alcançou 62% e a seleção de estagiários voou para alturas correspondentes a 72,52%.

Diario de Sao Paulo, 11 de março de 2002 -Caderno de Empregos