| Segunda-feira,
11 de março de 2002
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Universidade corporativa atende executivos
O objetivo é desenvolver talentos e aumentar a competitividade
TERCIANE ALVES
Na perspectiva de incentivar o
seu capital humano, várias empresas estão investindo recursos
financeiros na criação de universidades corporativas - escolas por
elas desenvolvidas para formar seus funcionários e outros
interessados. Algumas injetam recursos que ultrapassam a casa de R$ 1
milhão para instituí-las. Tais programas não dependem de aprovação
do Ministério da Educação e oferecem cursos específicos do mercado
em que o profissional atua.
Mesmo executivos com graduação
e MBA são convidados a estudar nessa nova modalidade educacional
inspirada no estilo americano de gestão de pessoas, focado no
ramo de negócios em que a empresa atua. Tudo para torná-la mais
competitivas.
A Universidade daVisa do
Brasil (operadora de cartão de crédito), por exemplo, estenderá
neste ano os cursos de sua universidade corporativa para os
executivos da área. O programa da escola - que no ano passado
recebeu 900 alunos em 30 seminários, em geral profissionais de níveis
técnicos, operacionais e gestores - estenderá seus cursos para
funcionários com altos cargos. "Vamos organizar visitas técnicas
levando um grupo de dirigentes para conhecer o mercado externo,
visitar os Estados Unidos, Espanha e demais países da
Europa", antecipou a vice-presidente adjunta de Recursos
Humanos da Visa do Brasil, Maria Cecília Loverro.
"Nosso objetivo é levá-los
para conhecer casos de sucesso em bancos internacionais, ver como
eles estruturam suas operações de cartão de crédito e
programar participação em eventos de grande porte na área de
marketing."
Fundada no ano passado, a
Universidade Visa é a primeira do ramo corporativo no País
dedicada à formação de profissionais na área de meios de
pagamento eletrônico. Ela é resultado do avanço do Visa
Training, treinamento criado em 1997. A escola tem como público-alvo
funcionários da Visa, pessoas que trabalham nos bancos afiliados
e também as que atuam no mercado financeiro e estão interessados
na especialização. A organização surgiu do aporte de R$ 3 milhões
para criação e montagem da instituição.
Maria Cecília ressaltou que
o modelo da Visa revela também o quanto o modelo de universidade
corporativa pode ser auto-sustentável. A Universidade Visa já
obtém sua receita financeira. Ela provém dos recursos que
instituições financeiras pagam ao encaminhar seus profissionais
para os cursos. Por um programa de um dia para um funcionário,
por exemplo, recebe R$ 750. Já os temas mais complexos, abordados
em três dias, custam R$ 1,5 mil.
Como os seminários e
viagens focados nos executivos são mais complexos, a movimentação
financeira da universidade deve aumentar. Maria Cecília explicou
que todo o processo é muito transparente, a receita arrecadada é
utilizada integralmente para custear as operações, sem objetivo
de lucro.
O exemplo desta universidade
corporativa espelha bem os objetivos dessa modalidade educacional:
conduzir os talentos para o desenvolvimento de habilidades e
competências, o que permitirá que a empresa conquiste seus
objetivos. Por isso, em geral, tais cursos são abertos à funcionários
de grupos de parceiros ou fornecedores, como acontece na Boston
School, do Bank Boston.
O banco criou a universidade
em abril de 1999, com investimentos de US$ 1,5 milhão em
infra-estrutura e mais R$ 3,7 milhões em treinamento. Ainda este
ano, serão investidos mais R$ 4,5 milhões. Na Boston School, além
dos empregados do Bank Boston, familiares diretos e funcionários
de empresas clientes podem participar de cursos como Educação
Bancária Geral e Funcional, Desenvolvimentos Gerencial e
Executivo, Auto-Desenvolvimento e idiomas.
A diretora da universidade e
de Recursos Humanos do banco, Liliane Veinert, acredita que com a
globalização dos mercados, o acirramento da concorrência e o
advento da economia baseada no conhecimento, as organizações se
veêm diante do desafio permanente de aprender a aprender. "A
universidade corporativa dá ao indivíduo maior autonomia na
decisão do que e como aprender, gerando motivação para obter
mais conhecimentos e aprender continuamente, permitindo respostas
mais rápidas ao turbulento ambiente empresarial", afirma.
Desde a sua criação, a Boston School teve 36.080 participações.
Empresas de outras áreas de
atuação, que não a financeira, também já investiram nessa
modalidade educacional, como a operadora de telefonia Telemar, o
Grupo Accor de hotéis, TAM, Motorola e a Softway, do setor de
telemarketing.
Algumas têm prédio,
oferecem cursos para filhos de funcionários e têm crescido também
os programas que funcionam virtualmente, com aulas à distância.
Este é o caso da Universidade do Hambúrguer, do McDonald's,
voltada aos executivos da marca.