EM BUSCA DE UM MECENAS
Saiba onde conseguir uma bolsa de estudo ou um financiamento para estudantes universitários ou de pós-graduação.
Mas corra!
Quer incrementar o currículo, se aprofundar na carreira ou concluir a faculdade, mas falta dinheiro? Está aberta a temporada de bolsas. Agora, em fevereiro, é a hora de sair em busca de um mecenas para financiar seus estudos. É preciso sair correndo já se quiser entrar na sala de aula no ano que vem. E se a pretensão é estudar no exterior é provável que a burocracia que haverá pela frente só permita entrar na sala de aula em 2004. Portanto, planejamento, preparação e informação, muita informação, são fundamentais.
Primeiro passo: a quem recorrer e onde buscar dinheiro para estudar? Existem, basicamente, três tipos de instituições em que você pode bater à porta para conseguir diferentes modalidades de bolsas de estudo no Brasil ou no exterior. A principal fonte de recursos é o governo brasileiro, por meio de órgãos como Capes e CNPq (que, juntos, têm um orçamento próximo a 550 milhões de reais por ano para bolsas). Mas os governos de outros países também têm interesse em atrair mentes brasileiras espertas. Em seguida estão as entidades privadas e públicas especializadas na concessão de bolsas, como o Instituto Ling, de Porto Alegre, a Fundação Estudar, de São Paulo, e a Comissão Fulbright, dos Estados Unidos. Muitas das escolas particulares, como PUC, Fundação Getúlio Vargas e Mackenzie, também fornecem bolsas.
Uma quarta fonte de financiamento, que começou a ser oferecida recentemente, são os bancos estrangeiros. As agências do ABN Amro , Citibank e HSBC no exterior oferecem linhas de credito especificas para estudantes aceitos nos melhores MBAs (mestrado em administração) do mundo.
“Muita gente desiste de tentar bolsa por achar que é impossível, mas há mais fontes de financiamento do que as pessoas imaginam”, diz William Eid, professor da FGV-São Paulo e autor do livro Como Planejar a Educação.
Seja qual for a origem dos recursos, uma coisa é certa: conseguir uma bolsa não é sinônimo de estudo a custo zero. Junto com a preparação para os testes e documentos, é importante também se planejar financeiramente. As bolsas integrais são cada vez mais escassas. No Instituto Ling, por exemplo, as bolsas cobrem apenas um terço das despesas totais de um MBA, estimadas em cerca de 150 mil reais. Já o governo italiano paga a estadia, mas não o custo do curso. Segundo o International Student Handbook, um dos principais guias no assunto nos Estados Unidos, as bolsas para estudantes internacionais nas universidades americanas não cobrem mais do que 40% da média das anuidades.
Para quem pretende estudar no exterior, as contas devem ser feitas com cuidado redobrado. Além de uma eventual elevação de câmbio, é preciso considerar passagem aérea, moradia, transportes, alimentação, entre outros gastos inevitáveis, e compará-los em diferentes cidades. Nos Estados Unidos, de acordo com dados do Scholarship Almanac (Almanaque das Bolsas de Estudo), o custo de vida de um estudante oscila entre 800 e 1,2 mil dólares mensais, o equivalente a 1,9 mil e 2,8 mil reais. Segundo dados da Embaixada Canadense, são necessários cerca de 1,3 mil reais, em média, para viver um mês no país.
Na Europa, depois da adoção da moeda única, o euro, os custos entre os diferentes países ficaram mais uniformes. Com algo entre 700 euros (1,5 mil reais) e 950 euros (2 mil reais) mensais para cidades mais caras, como Paris, é possível cobrir despesas com moradia, alimentação, transporte e seguro-saúde nas principais capitais européias.
Viver em Londres e pagar todas as contas em libras esterlinas também é puxado. Em 1999, a advogada Camila Cortez, 27 anos, conseguiu uma bolsa do conselho Britânico para fazer mestrado de direito na Inglaterra, onde ainda vive. Na época, ela recebia 670 libras (cerca de 2,3 mil reis) por mês. Antes de partir, ela vendeu seu carro, um Fiesta 97. Mesmo com a bolsa e o dinheiro do carro, Camila conta como não foi fácil se adaptar à nova vida. “Eu economizava em tudo. Não comprava nem azeite e vinagre”, diz. “As saladas eram temperadas com água, sal e pimenta”.
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| Fonte: universidades e entidades que concedem bolsas (1) TOEFL – teste de conhecimento de inglês, válido nos Estados Unidos (2) SAT – Teste de conhecimentos gerais para admissão em cursos de graduação | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A preocupação com as finanças deve ser total para quem pleiteia uma bolsa restituível, na qual o aluno tem que pagar o empréstimo depois de um ano de formado. Em alguns casos não se cobra correção monetária. Em outros, não são cobrados os juros. No caso da graduação, por exemplo, todas as bolsas disponíveis no mercado são desse tipo. Na FGV, de São Paulo, uma das faculdades mais caras do Brasil (a mensalidade está em 1.145 reais) não há cobrança de juro, mas, depois de formado, o aluno paga correção monetária. Já no caso do Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior), programa do governo federal, o aluno que comprova necessidade pode pagar a divida com juros de 9% ao ano sem correção monetária. Como garantia para liberar o empréstimo e não deixar a inadimplência chegar nas alturas, há instituições que exigem um fiador. No Fies, por exemplo, o fiador deve ter renda mensal comprovada de, no mínimo, o dobro do valor da mensalidade que será financiada.
Entrar no mercado de trabalho com uma dívida pela frente não é nada tranqüilo. “Dá um pouco de medo se formar já com um saldo a pagar, mas tenho certeza de que é um investimento correto”, diz Kees Adolfo Jansen, 23 anos, aluno do último ano de administração de empresas da FGV. Sua dívida está em torno de 30 mil reais. Assim que conseguir um emprego, recomendam os especialistas, é fundamental ter disciplina para pagar essa dívida. No ano passado, Simon Fox, um brasileiro de 30 anos que está fazendo MBA numa das escolas mais tradicionais da Europa, a. francesa Insead, tomou um empréstimo equivalente a cerca de 80 mil reais (incluindo os juros de 7,5% ao ano) com o banco holandês ABN Amro para ser pago em cinco anos. Ele começará a saldar a dívida ainda em 2002 e a primeira parcela já está calculada em 700 euros (1,5 mil reais). “Tenho consciência de que é uma dívida muito alta e que começo a pagá-la independentemente de conseguir emprego mais tarde”, diz Fox. “Estou me preparando para passar o maior aperto.”
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| Fonte: universidades e entidades que concedem bolsas (1) dados referentes a 2001 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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| (1) TOEFL – teste de
conhecimento de inglês, válido nos Estados Unidos (2) SAT – Teste de
conhecimentos gerais para admissão em cursos de graduação (3) GMAT
– teste de aptidão para pós-graduação, específico para quem quer
fazer MBA (Master of Business Administration) (4) GRE – teste de aptidão
para pós-graduação para as demais áreas, que não o MBA (5) IELTS
– teste de conhecimento de inglês, válido no Reino Unido (6)
Programa para doutorandos brasileiros que queiram completar sua pesquisa
em outro país Revista Meu dinheiro, fevereiro de 2002 paginas 31 a 35 www.uol.com.br páginas 31 a 34. |
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