EXPOSIÇÃO DE COMPETÊNCIAS

"Status" cede espaço ao perfil profissional

GUILHERME CUCHIERATO
DA REPORTAGEM LOCAL

Batizada de "gestão por competências", a valorização das habilidades profissionais do funcionário, em vez da função ocupada, ganha força nas empresas.
De acordo com esse modelo de administração, os profissionais são pagos pelo que realmente "valem" e não porque têm um cargo com nome pomposo ou anos de experiência na mesma função.
Segundo levantamento da William M. Mercer, consultoria especializada em benefícios, 10% das empresas brasileiras adotam o modelo e outros 45% querem implantá-lo ainda neste ano.
Em outras palavras, as companhias pretendem valorizar muito mais características pessoais como criatividade, capacidade de decisão, liderança, visão sistêmica e iniciativa, entre outras.

Motivação
Raquel Schiavon Sanchez, 33, diretora da Talento Consultoria em Recursos Humanos, afirma que, segundo levantamento da consultoria, 39% das empresas adotam esse modelo, com o objetivo de atrair trabalhadores, motivá-los (e mantê-los motivados) e criar perspectivas profissionais. "É um percentual crescente e representa uma tendência", diz.
"Esse modelo de gestão permite que a empresa melhore a alocação de pessoas, de acordo com a necessidade dos processos, e ofereça a elas melhor visualização de carreira e de seu planejamento."
"É um conceito novo, que existe no Brasil há no máximo oito anos", afirma Mozart Amaecing Langbeck, 44, gerente de consultoria em gestão do capital humano da Deloitte Touche Tohmatsu.
Ele afirma que se trata de um instrumento de recursos humanos que leva em conta o "elemento que faz a diferença competitiva: as pessoas". "Assim, as empresas passam a atribuir maior importância às habilidades e às características comportamentais", diz.
De acordo com Amaury Moraes Júnior, 50, gerente de consultoria de remuneração da Manager, as empresas tendem agora a remunerar as pessoas, não o cargo. "As pessoas têm múltiplos papéis."
Para ele, a tecnologia e os serviços não fazem mais as diferenças. "Estas são feitas pelas pessoas. As habilidades são o "saber fazer". É o que se aprende com a prática."

Polivalência
No modelo de remuneração por competências e habilidades não existe o conceito de função.
"São criados cargos genéricos, que levam em conta a polivalência", explica Moraes.
"É como um almoxarife que, além de suas atribuições, sabe conduzir uma empilhadeira e controlar estoques de mercadorias. Quero que esses profissionais saibam sobre outras áreas, que conheçam melhor a empresa e sintam que fazem parte dela."
Senir Fernandez, 53, consultor da William M. Mercer, afirma que, se a ênfase da empresa for remunerar por habilidades, então são definidos salários mínimos e máximos, a partir do mercado.
"Depois a companhia estabelece um referencial de competências, os critérios de mensurá-las e, finalmente, paga os salários de acordo com o nível que cada profissional demonstrar possuir."
Segundo esse sistema, diz o consultor, os empregadores definem quais características deve ter o profissional para executar determinada atividade.
"Quando as competências esperadas são encontradas, as chances de alcançar as metas são maiores, e geralmente os resultados são obtidos exatamente pelos profissionais que têm essas competências", avalia Fernandez.

Fonte: Folha de S.Paulo, domingo, 31.03.2002 pag. 2  www.folha.com.br