FUNDAÇÃO GARANTE FORMAÇÃO DE EMPREENDEDORES

A Estudar dá bolsas de graduação e MBA em Administração. Veteranos ‘apadrinham’ novatos

Há três anos, o estudante de Direito Rodrigo Zago, 23 anos, andava cabisbaixo. Com salário líquido de R$ 300, só pagava a mensalidade da faculdade (a FMU), na época de R$ 450, porque  a empresa onde trabalhava subsidiava metade do custo. Mas o benefício foi suspenso. Os pais não podiam ajudá-lo. Com dívidas em atraso, Zago resistia à idéia de trancar a matrícula. Foi um balde de água fria para alguém que trabalhava desde os 11 anos.

Um amigo, porém, recomendou a ele a inscrição na Faculdade Estudar, uma organização que há dez anos ‘patrocina’ cursos de graduação, especializações e idiomas na área de Economia e Administração. “Quando soube da Fundação, pensei, era tudo o que eu achava que as pessoas deveriam fazer. Um povo evoluído ajuda outros a evoluírem”.

Zago passou nas provas de seleção e conseguiu a bolsa. Há dois anos estagia na área jurídica do banco BBA, na unidade da Avenida Paulista, o coração financeiro de São Paulo. Sua remuneração engordou. Dá até para bancar uma  escola de inglês, fundamental para os planos de se especializar em Direito Internacional. “Minha história é uma lição para muita  gente saber que não é condenado para o resto da vida”.

Quando Zago se formar, irá restituir a bolsa que recebeu na Fundação

com prestações camaradas de 10% de seu salário. Com esse dinheiro, mais o montante aplicado por outras empresas, a Fundação sobrevive, sem fins lucrativos, investindo na formação de empreendedores.

A superintendente da Estudar, Ilona Becskeházy, explica que a organização não tem um ranço paternalista.

“Buscamos perfis de potenciais de sucesso. Procuramos salvar quem possa salvar os outros”, conta. “Espero que o nosso exemplo inspire outras pessoas e que elas nos copiem, criando novas fundações em outras áreas.” Uma das obrigações dos bolsistas é dividir sua experiência com os demais.

Breno Machado, 32 anos, sabe bem disso. Estava desmotivado, em 1997. A Companhia Vale do Rio Doce ia bancar seus cursos, mas, com a privatização, desistiu. Ele vendeu o Fiat, outros utensílios domésticos e com a bolsa da Estudar e de outras fundações, conseguiu uma ajuda financeira hoje avaliada em US$ 80 mil para bancar curso na London Business School e a estadia em Londres.

Hoje é consultor de negócios de uma multinacional. Já atuou na Alemanha e voltou. Ele se diz mais autoconfiante e valorizado. “Mais do que o recurso financeiro, o maior benefício que a fundação me concedeu foi a rede de contatos”. Como diz Ilona, quem sabe empresas e alunos  copiem a receita da fundação. “É fácil. Basta vontade, dinheiro e alguém para administrar.”

Seleção de candidatos é aberta para todo o País

A Estudar concede bolsas para graduação em Administração e Economia no Brasil, mestrado  em Administração no País, MBA no exterior e mestrado em Direito Comercial e Societário nos EUA.

Na última seleção, foram distribuídas 25 bolsas parciais, também para MBA. Tais cursos em instituições norte-americanas como Harvard ou Stanford chegam a US$120 mil, incluindo despesas de moradia. Mais de 200 candidatos concorreram a uma vaga na seleção de 2001. Em dez anos, a Fundação investiu US$ 3,2 milhões em 200 bolsas. Ela promove cafés da manhã para bolsistas e empresários. Seus idealizadores são: Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, respectivamente executivos de Lojas Americanas, Companhia Cervejaria Brahma e do Banco de Investimentos Garantia. Mais informações: www.estudar.org.br.

Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo - Seção Capa - pg.1 -23/09/2001.