A MOTIVAÇÃO É O COMBUSTÍVEL DO SUCESSO
Peter
Drucker preconizou que o centro da gravidade das empresas deslocava-se em direção
ao administrador esclarecido e capacitado a utilizar o conhecimento acumulado.
Tal pensamento fora propagado em 1967, quando o autor expôs seus argumentos
no livro “O Gerente Eficaz”. Já naquela época, Drucker elegia a eficiência
como uma das vedetes do mundo corporativo. Dizia que seja num quartel, na indústria
automobilística ou numa pequena sapataria, a eficácia seria um divisor de águas
no processo diário de produção. Inteligência emocional e qualificação técnica
não mais seriam garantia de sucesso no comando dos negócios. Esse conjunto
de competências, essenciais para a sobrevivência no mercado, só terá
validade se for traduzida em resultados. E só se atinge este estágio por
meio da eficiência, comprometimento e principalmente, motivação.
Diante
deste cenário, o diferencial não mais depende apenas das estratégias
empresariais, mas basicamente e unicamente do talento dos profissionais que se
tem às mãos. O mundo globalizado nivelou a competição. Portanto, o que era
diferente, há uma década, tornou-se lugar comum. Todo mundo corre atrás de
conhecimento, aperfeiçoamento e informação. Idiomas, pós-graduação, MBAs
ou cursos de extensão no exterior tornou-se commodity. O segredo, no caso, é
se colocar sempre à frente do concorrente. Tira-se daí que a construção
dessa arquitetura chamada diferença é um caminho ardiloso, porém
compensador. E isso passa pela gestão da motivação, do presidente ao
funcionário.
Conheço
executivos que teimam em reclamar pelos cantos da empresa, lamentando-se a
todo instante. Alimentam tal martírio e transformam-se em prisioneiros e
dependentes do próprio drama. Tornam-se improdutivos, mal-humorados e
estressados. Tanto conhecimento e competência, no entanto, podem desabafar
diante desse estado de espírito. Desconectadas
com a missão das organizações, eles estão condenados ao fracasso. A
motivação é o combustível para o sucesso no mundo corporativo. A falta
dela é o precipício.
Caso
esteja lendo este texto e se sinta identificado com esses sintomas, não se
desespere. O remédio para curá-lo é mais simples que se imagina. A corporação
deseja e espera que você seja capaz de criar mecanismos próprios para se
motivar. Assim, a injeção de ânimo transformou-se numa questão autodidata,
pró-ativa, interior e particular. A boa notícia é que a motivação está
em suas mãos. A má é que ela não cai do céu. O estímulo depende da
vontade própria e, sem dúvida, é um handicap na busca deste diferencial
competitivo e fonte de desenvolvimento pessoal.
E
nesse caso não há saídas mirabolantes. Basta ter foco e definir aonde quer
se chegar. O perfil que as organizações modernas procuram e valorizam é
dotado de determinação e obstinação. Portanto, fixar os objetivos da
carreira a pequeno, médio e longo prazos vão eliminar esses problemas que
vira-e-mexe incomodam a rotina dos executivos. Não há prazer que dure se não
for reanimado pela variedade, já filosofava o poeta latino Publio Sírio.
Os
headhunters flertam com profissionais que possuem metas definidas e são
comprometidos até a alma com os objetivos traçados. Então, você assume a
tarefa de se motivar e, em troca, faz com que a corporação “compre” seu
estado de espírito e o classifique como um parceiro fiel, capaz de investir
na sua própria capacitação. Todos ganham. São esses profissionais que terão
maiores probabilidades de crescer, alcançar cargos do primeiro escalão,
escrever junto a história dessas empresas.
A
motivação ganha robustez porque se trata de um compromisso indissolúvel de
você com você mesmo. Esse diferencial vai garantir competitividade,
visibilidade e uma proteção adicional num período de turbulência. Existem
algumas maneiras de conquistá-la.
Estabelecer
desafios é um atalho seguro para viabilizar tal esforço espiritual. Traçá-los
e superá-los vira antídoto para manter o entusiasmo e a capacidade criativa.
Traga para si a responsabilidade de conduzir os processos, definir prioridades
e corrigir as eventuais falhas. Desenvolva um método de busca contínua de
melhoria. Una todos seus desejos pessoais e profissionais no dia-a-dia e
contamine a equipe. Seja como for, descubra qual é o lugar onde sua motivação
apareça mais. São condições que vão além do emprego e da carreira.
Dinheiro, poder e reconhecimento impulsionam, mas não é só isso. Ter prazer
no que faz vai abrir portas. Como definiu o escritor francês Bourget, é
necessário viver como se pensa, caso contrário acaba-se por pensar como se
viveu.
Fonte:
Jornal Valor Econômico - SP – Pequenas Empresas - pg.B11 – 29/03/2002,
por Julio Sérgio Cardozo, presidente da Ernst & Young.