QUALIFICAÇÃO

Mercado procura mestres de MBA

Alberto Cerqueira César Filho, de 55 anos, atualmente gerente de negócios corporativos da Serasa – empresa especializada em informações financeiras – viveu aos 45 anos um dilema comum aos executivos. Mesmo em posto de alta direção em uma companhia de renome, enfrentava o sentimento de frustração e tentava achar algo que o motivasse.

“Não estava feliz com o local de trabalho. Ao mesmo tempo, achei que precisaria atirar minha cabeça em novos desafios, com leituras e visões diferentes, buscando crescimento intelectual”, afirma.

Por orientação de um colega, decidiu ser professor de um curso de MBA – sigla de Master Business Administration, inspirado nas escolas de negócios americanas, que virou uma febre no Brasil. Ingressou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) para lecionar, onde continua há 10 anos.

Terceiro homem da escala hierárquica da Serasa, ele tem uma movimentada rotina de trabalho, mas não abre mão das aulas. Tanto que nos finais de semana, quando vai com a família para uma casa de campo, debruça-se sobre livros para preparar as aulas, à beira da piscina. O executivo se diz, agora, bastante satisfeito com o cargo e a empresa onde atua há seis anos.

Imposição

Na transição, impôs como condição a continuidade de sua carreira como docente. A história de Cerqueira César Filho é um caso típico dos profissionais que são recrutados por renomadas escolas de MBAs no Brasil. Executivos bem-sucedidos que optam por manter dupla jornada de trabalho.

Nessas instituições, voltadas para formar experts em administração e negócios, além da sólida formação acadêmica, a experiência de vida executiva ou de consultoria empresarial são fundamentais na hora da contratação e com peso equivalente.

Muitas dessas escolas garantem que a demanda por tais profissionais deve aumentar em até 30% de seus quadros. Esse é o caso da ESPM, Business School e Ibmec. Juntas, as três devem contratar pelo menos 100 profissionais de 2002 a 2003. “Tenho um gosto imenso em dar aulas”, diz o executivo.

Fonte: Jornal de Santa Catarina -SC – Seção Empresas Públicas - pg.02 – 23/03/2002.