UNIVERSIDADES ESTRANGEIRAS UNIDAS

A ESCOLAS BRASILEIRAS

Parcerias entre instituições de ensino ajudam a qualificar executivos

Nem só de currículo depende o executivo que deseja se inscrever numa pós-graduação. Em alguns casos, ele precisa de passaporte também.  É que muitas escolas estão fechando parcerias com universidade estrangeiras, em programas que incluem aulas aqui e lá fora. O curso fica mais caro – pode chegar a custar US$ 40 mil – mas garante vivência internacional e troca de experiência com profissionais de outros países.

Segundo os coordenadores das instituições de ensino do Brasil, os alunos destes cursos são, em geral, diretores e presidentes de empresa com idade próxima a 40 anos. Também é comum que estes profissionais sejam patrocinados pelas companhias, garantindo seu emprego durante os momentos em que será preciso se ausentar do trabalho.

- É comum muitos alunos já terem até MBA – acrescenta Paulo Roberto Ferreira, diretor do Instituto Superior da Empresa (ISE), que se associou à Universidade de Navarra, da Espanha.

A Fundação Getulio Vargas de Niterói, por sua vez, fechou um convênio com a Universidade de Ohio, dos Estados Unidos. Assim, o aluno pode cursar, por exemplo, o MBA em Logística Empresarial e obter o certificado de mestrado americano. Para isso, terá aulas no Brasil com professores credenciados pela universidade americana e também precisará, num período de dois anos, passar três meses estudando lá fora.

Universidade estrangeira também forma profissionais para seu país.

Será necessário fazer três viagens, o que permite realizar o curso nas férias ou negociar com a empresa. Quando estiver por aqui, haverá um acompanhamento via internet – diz o diretor executivo da FGV Management, Ricardo Spinelli, frisando que a instituição também está negociando com as universidades de Tampa e da Califórnia.

Para Roberto Ferreira, os profissionais que fazem este tipo de intercâmbio ganham uma visão de negócio globalizada, podendo atuar em qualquer organização internacional. No caso do curso que será dado em conjunto por ISE e Universidade de Navarra, as inscrições estão abertas. Ele será ministrado entre os meses de abril e outubro.

A especialização é feita em cinco semanas, sendo a última realizada na Espanha. Com professores de Navarra, o aluno entrará em contato com novas ferramentas de gestão.

Segundo Antônio Freitas, diretor das Faculdades e do Mestrado do IBMEC School, estas associações não são apenas importantes para executivos. As escolas estrangeiras, continua, querem profissionais capazes de trabalhar nas empresas de seu país.

Por isso, as parcerias acontecem em todos os níveis: da graduação ao mestrado. O título é o que menos importa, mas sim o peso que agrega ao currículo – diz Freitas, lembrando que o Ibmec fechou, há dez dias, parceria com a universidade francesa de Strasbourg.

A Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham-SP), por sua vez, promoverá, a partir de maio, no seu centro de convenções, o International Executive MBA of Pittsburgh, que vai durar 18 meses.  Neste caso, em princípio, não está programada viagem.

Fonte: Jornal O Globo – RJ -  Seção Boa Chance  - pg.04 – 17/02/2002.