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Sofrimento das Empresas

Haroldo S. Filho - diretor da FENACON*
(VOX NEWS) – 09/04/2002 

Do universo das associações de pessoas e instituições, as empresas comerciais são as mais novas, possuindo menos de 500 anos. Muito pouco comparado ao tempo de existência da civilização humana. Mesmo assim, pode-se afirmar, sem medo de errar, que elas vieram para ficar.

Tanto é, que muitos são os estudos, em todo o mundo, que procuram identificar as características das empresas mais longevas e, com isso, traçar um perfil que justificasse seu aparente sucesso, pelo menos em questão de resistência às mudanças do mercado.

Em 1997, Arie de Geus, escreveu uma das mais importantes obras sobre a sobrevivência das empresas de que se tem notícia. O livro "A empresa viva", é uma verdadeira obra-prima que compara a empresa a um ser vivo e, como tal, atribui a maior durabilidade às empresas que possuem capacidade de aprendizado. Em outras palavras, a instituição que responde de forma mais inteligente e rápida às mudanças do meio ambiente corporativo, isto é, aquelas que conseguem "aprender" com seus próprios erros ou com os dos outros, têm maiores chances de se manterem vivas na competição.

O grande interesse mundial na procura de uma "receita de bolo" que poderia levar mais empresas a se manterem ativas por mais tempo, se dá exatamente porque é através das corporações que várias necessidades sociais podem ser satisfeitas. Além disso, são as empresas as maiores responsáveis pela empregabilidade, desenvolvimento tecnológico, distribuição de renda (através dos tributos) e, finalmente, desenvolvimento econômico e social de uma nação.

No Brasil, quando uma empresa passa dos 50 anos já é considerada uma tremenda exceção, podendo servir de estudos para as pesquisas nacionais. Agora, imagine corporações empresariais de 100, 200 e até 300 anos? Foram estas as estudadas e delas chegou-se à algumas conclusões. Todas possuíam em comum grande desenvoltura nas seguintes áreas: capacidade de adaptação ao mundo exterior (aprendizado), seu caráter e identidade (persona), suas relações com as pessoas e instituições dentro e em torno de si mesma (ecologia) e a forma como se desenvolveu no decorrer do tempo (evolução). Uma combinação específica entre
estes quatro fatores foi a diferença que levou as empresas a sobreviverem por tanto tempo.

Mas, de todas as teorias da área de negócios, que se encarregam de explicar o sucesso e continuidade das empresas, uma em especial, me parece ganhar a
simpatia de todos. É a teoria do "sofrimento empresarial". Diz o estudo que quando a sobrevivência depende da mudança e isto implica superar resistências, uma única forma disso ocorrer é pelo sofrimento. A este sofrimento, numa analogia corporativa, chamamos de crise.

Conhecendo a característica pastosa da gestão de algumas empresas, às vezes, chego à conclusão (sádica, até...) de que muitas estão precisando mesmo é de uma dose da boa e velha crise. É por isso que, muitas vezes, quando um cliente me liga e diz: "A coisa tá feia e a culpa é da crise", eu não resisto em responder: "então sorria.  
Você pode estar muito próximo de resolver os problemas de sua empresa". Crise é vida, ou você tem alguma dúvida?

*Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis