APRENDA COM QUEM FAZ SUCESSO HÁ MAIS DE 2000 ANOS
Sergio Motta
Há quase
2.000 anos, bilhões de pessoas seguem os ensinamentos de Cristo. Alguns
discípulos são antigos; outros, muito recentes, mas todos com o mesmo
fervor. Qual o segredo deste líder que parece permanecer atual à medida
que o tempo passa? Quais são os seus ensinamentos?
Jesus reunia qualidades que o caracterizavam como um líder autêntico,
conquistadas ao longo de um processo gradativo. O caminho para inspirar e
transmitir segurança passa pelas atitudes do dia-a-dia. Por isso, a
liderança é o patamar mais próximo da auto-realização. Essa é uma
tarefa cheia de perigos e escolhas difíceis, mas oferece grandes
recompensas. Jesus foi um líder visionário, ousado, às vezes frágil
mas sempre corajoso, determinado, confiável, solidário, enérgico quando
necessário, e, acima de tudo, carismático e exemplar. Enfim, ele foi a síntese
do que existe de divino em ser humano. A seguir, apresento os 10
mandamentos da Liderança segundo Jesus Cristo, baseados nas características
humanas de Cristo.
1) COMPREENSIVO
Jesus confiava e acreditava em seu grupo, oferecendo-lhe a chance de
aprender com o erro. Incentivava os discípulos a tentarem sempre de novo.
A principal lição de Jesus é que não se pode julgar os outros com
severidade, porque, do mesmo modo que julgar, o indivíduo será julgado.
Quem não é compreensivo acaba sendo objeto de incompreensão. Jesus
perdoava ao constatar o arrependimento sincero pelos erros cometidos.
Nunca deixava de dizer a seus seguidores o quanto eles eram importantes e
sabia adequar o tipo de reconhecimento àquele que o estivesse merecendo.
Fazia isso por ter consciência de que a maior necessidade emocional de
uma pessoa é se sentir valorizada. Só é respeitado quem for capaz de
desenvolver a auto-estima, fundamental para a busca do autoconhecimento.
Jesus deixou claro que mais difícil do que perdoar é conscientizar-se do
erro e assumi-lo, porque isso significa reconhecer que é preciso mudar os
conceitos e o modo de agir. O importante é entender o equívoco para não
cometê-lo de novo ou, pelo menos, não repeti-lo em iguais circunstâncias.
Permissão para errar é permissão para crescer.
Cabe ao líder multiplicar competências, como Jesus fez com seus discípulos
ao incentivar as habilidades duráveis de todos eles que caracterizassem
um diferencial para atingir o objetivo. Para extrair esse tipo de energia
especial de uma equipe, ele leva seus integrantes a compreenderem o
significado a longo prazo do que estão realizando. Ao comandar uma equipe
que estava aprendendo algo totalmente novo, o fez com base no
companheirismo, no bom senso e na compreensão, fortalecendo as relações
humanas.
2) INSPIRADOR
Jesus se fazia seguir e obedecer por um grupo, de forma espontânea,
dedicada e motivada, em direção a um objetivo. Transmitindo confiança e
segurança, empolgava os colaboradores e os empurrava para a frente. Ele
estimulava a vontade de vencer em todos com quem se relacionava. Como líder
autêntico, encarnava as crenças e valores do grupo a que pertencia.
Com sua atuação carismática, conseguia que o grupo atingisse as metas
com maior eficiência. Tinha iniciativa de líder e atuava de maneira
preventiva, antecipando e estudando as possibilidades de erro. Estava
sempre atento para as necessidades de ação e mudanças, e jamais hesitou
em tomar providências que evitariam ou remediariam problemas. Jesus não
esperava as coisas acontecerem; ele as fazia acontecer em função dos
objetivos que perseguia.
3) ORATÓRIA
O discurso de Jesus era simples e claro, utilizando metáforas alusivas ao
cotidiano de seus espectadores. O objetivo era se fazer entender por todo tipo
de pessoa e levar o indivíduo a exercitar o raciocínio (daí o emprego das parábolas).
Jesus multiplicou seu talento de orador por vários discípulos e assim espalhou
sua palavra. Quando se dirigia a um grupo, sabia como eram os seus integrantes,
quais os interesses deles, suas expectativas, o nível de conhecimento e
compreensão. Era habilidoso em argumentos para mudar as ações, os pensamentos
e as opiniões de quem o escutava.
Jesus procurou não se desviar de seus objetivos e agia como orientador,
embora ele próprio enfrentasse constantes desafios, pois suas propostas
baseavam-se na igualdade e no amor ao próximo, ingredientes inovadores na época.
Era o entusiasmo de seus discursos que inflamava platéias imensas. Mas, como
era um líder agregador, utilizava como instrumento um processo de empatia e de
união - nunca de submissão ou opressão. Jamais subjugou alguém; impôs sua
autoridade cativando os outros. A segurança vinha de suas fortes convicções,
em acreditar no que dizia e demonstrá-las através de atitudes, quando proferia
os sermões.
4) CONSELHEIRO
Jesus foi um grande educador e conselheiro, repassando conhecimentos e valores,
tanto teóricos quanto práticos. A educação foi a prioridade número um de
Jesus. Essa preocupação se revela com clareza em seus ensinamentos: "Ou
fazei a árvore boa e o seu fruto bom: ou fazei a árvore má e o seu fruto mau:
pois que pelo fruto é que a árvore se conhece" (Mateus 12:33). Apesar de
falar com muita autoridade, Jesus insistiu com veemência na necessidade de se
ter a humildade de compreender que toda pessoa tem algo a ensinar e a aprender.
O ser humano está em constante aprendizado, mas a qualquer momento pode ter de
exercer o papel de educador e estar preparado para isso.
Assim, podia delegar poderes, pois não conseguiria (e não queria) fazer tudo
sozinho ("Os campos estão prontos para a colheita, mas os trabalhadores são
poucos"). Conceder autoridade é alavancar os dons pessoais dos
colaboradores, incentivando-os a crescer e a desenvolver sua capacidade crítica,
tornando-os multiplicadores de idéias. Isso é liderança autêntica.
5) CONFIANÇA
O líder tem uma visão mais ampla da realidade e assume como sua a luta pelos
interesses de todos aqueles que estão sob seu comando. Há ocasiões em que até
as pessoas mais próximas põem em dúvida a sua missão. É nesses momentos que
a confiança em si mesmo e nos outros e a determinação são fatores decisivos.
Jesus, por exemplo, estabeleceu suas intenções, metas, táticas, ações e
manteve-se fiel a elas.
Para concretizar o plano de propagar sua mensagem, procurou satisfazer três
necessidades: executou as tarefas a que se propôs, ensinando e realizando curas
e milagres; montou uma equipe de colaboradores e motivou-os; deu ferramentas a
seus seguidores para que crescessem e desenvolvessem a autoconfiança e a
iniciativa. Esta preparação tornou-o um exímio identificador de problemas no
grupo e habilitou-o a ter uma noção exata do rumo que os discípulos estavam
tomando.
Ele ensinou seus discípulos a verem significado e valor no trabalho que faziam,
e a sentirem-se responsáveis pelas conseqüências de seus esforços. Havia
confiança mútua e, no grupo, essa reciprocidade significava que todos os
envolvidos podiam expor seus pontos de vista e falar abertamente das discordâncias,
sem medo de retaliação.
6) COMPAIXÃO
A vontade sincera de auxiliar alguém com um problema era uma determinação
inabalável de Jesus, o que explica em parte a fama que obteve em tão pouco
tempo. A admiração de um grupo pelo líder vem da sua capacidade de solucionar
problemas.
Há duas qualidades básicas que explicariam o grau de fidelidade despertado por
Jesus na maioria das pessoas. A primeira era a capacidade real de resolver
problemas, os seus e principalmente os dos outros. A segunda era ser intuitivo
ao extremo. Todo fato é precedido de sinais que alguns executivos são capazes
de captar: eles pressentem um acontecimento antes de sua ocorrência. Além
desses fatores, Jesus, enquanto estimulava o crescimento de seus discípulos,
desenvolvia uma auto-imagem saudável e positiva, uma atitude de vencedor.
7) HUMILDADE
Jesus estava reunido com os discípulos e estes lhe pediram para dizer quem era
o maior no reino dos céus. Jesus, consciente de sua tarefa de líder, de
estabelecer objetivos e prioridades, orientar e coordenar, teve uma reação
diferente da que poderíamos imaginar. Como essa conversa se desenrolou depois
de pelo menos três anos de convivência com os apóstolos, ele percebeu que
irritar-se com eles seria didaticamente inútil. Pegou uma criança no colo,
deu-lhe um abraço e disse: "A menos que deis meia volta e vos torneis como
criancinhas, de modo algum entrareis no reino dos céus. Por isso, todo aquele
que for humilde, semelhante a esta criancinha, é o maior no reino dos céus; e
todo aquele que receber uma de tais criancinhas à base do meu nome, também a
mim me recebe." Ele fez das crianças os modelos perfeitos, porque estas são
naturalmente simples, puras, sem ambição e, na maioria das vezes, não estão
ainda contaminadas pelo senso de hierarquia ou preconceitos.
8) COMPROMETIMENTO
Jesus enfrentara inúmeros obstáculos intangíveis para transmitir a sua
mensagem. Como um líder que era, não podia se permitir o desânimo; precisava
manter acesa a sua crença ou, ainda que achasse uma tarefa difícil, motivar as
pessoas a acreditarem nela. A persistência de um líder pode fazer com que uma
meta aparentemente impossível se torne realidade. Um dos maiores diferenciais
de Jesus com relação aos demais: possuía a grandeza que só os efetivamente
iluminados têm de se dedicar a ideais que talvez não sejam concretizados no
espaço de suas vidas. Ele era um gerador de idéias novas. Sua grande
capacidade de contagiar os outros com os seus ensinamentos teve enorme efeito
multiplicador, gerando uma cadeia de comprometimento com a mensagem que
pretendia difundir.
Remetendo ao mundo atual, constata-se que os horizontes poderão se abrir para
quem sabe o que quer, porque não há concorrência quando existe um
comprometimento apaixonado. Não foi por acaso que Jesus perguntou aos seus discípulos:
"Vocês podem realmente me seguir?" O fundamental é desenvolver um
espírito de liderança comprometida. Mesmo assim, alguns pequenos percalços,
às vezes, não podem ser evitados. Todo líder se depara com as fragilidades de
seus liderados e tem de lidar com elas.
9) ACESSÍVEL
As referências aos seus milagres aparecem em profusão na Bíblia, o que
comprova que era um líder acessível. "Então correu a ele uma grande
multidão, trazia consigo mudos, cegos, coxos, enfermos e outros muitos: e lançaram-se
aos seus pés e ele os sarou" (Mateus 15:30). Se existia algum problema por
onde passava, ele dava um jeito de resolvê-lo. Ele enxergava o que os outros não
conseguiam ver. Como líder que era, fazia isso porque aprendera a entender a
realidade não apenas a partir de seus próprios referenciais, mas também pela
perspectiva daqueles que liderava, daqueles que desejava que seguissem sua
mensagem. Tinha a capacidade de olhar através da lente do seu seguidor.
Nunca foi arrogante, nem mesmo quando foi lançado ao sinédrio para julgamento.
O líder deve ter o coração aberto, ser flexível e receptivo.
10) TER FÉ
Os líderes surgem de maneira espontânea. Sempre existiram e irão existir. O
que os carateriza, em essência, é a crença na causa que abraçam. Essa crença,
por sua vez, "contamina" outros indivíduos, que se juntam a ele na
defesa dos mesmos ideais. Jesus destacou-se por promover o crescimento de outras
pessoas. E, até neste caso, exige-se crença bilateral: os discípulos
acreditavam no seu líder e ele acreditava na capacidade daqueles que o
seguiram. E um liderado ou discípulo, assim como seu mestre, não se torna
confiável pelo que diz ou ouve dizer, mas pelo que faz. Fé não é crença sem
provas, mas confiança sem reserva.
O "grande homem" não existe. Todos os homens têm limitações. O
importante é cada um despertar as suas qualidades e incentivar os seus
potenciais, visando ao enriquecimento do aprendizado. Vários fatores compõem a
liderança, mas o fundamental é que se use sempre o bom senso para nortear
qualquer decisão na vida pessoal e profissional.
Nosso maior desafio individual é conseguir compreender nossa missão
existencial, ou seja, o percurso a ser trilhado para alcançar objetivos
baseados na ética, em valores positivos e nos nossos sonhos.
Sérgio Motta é autor do livro Nazaré
Fonte: Vencer online 12/04/2002