O mercado de trabalho vive um momento único em sua história: nunca os profissionais estiveram tão comprometidos com a própria carreira. A maior parte não mede esforços quando o lema é o sucesso.
O mercado de trabalho vive um momento único em sua história: nunca os
profissionais estiveram tão comprometidos com a própria carreira. Eles
não medem esforços quando o lema é o sucesso – são altos os
investimentos em programas de desenvolvimento profissional, as salas de
aula dos cursos de MBA vivem lotadas e é impossível não se
impressionar com o crescente número de escolas de idiomas que surgem no
País.
Tamanha dedicação à carreira tem gerado nos profissionais, sobretudo nos mais jovens, o desejo do sucesso rápido e estrondoso. Essa “impaciência” pode justificar a alta rotatividade de funcionários nas empresas – há quem diga que uma pessoa não pode ficar mais de três anos em uma mesma companhia, caso contrário, corre o risco de viver sob o estigma de acomodada e defasada. Isso é verdade? Há um momento certo para deixar uma empresa?
Como regra geral, salários e benefícios mais atraentes não devem servir como justificativa para a troca de companhia. A nova “aventura” poderá ser divertida no início, mas se nela não houver motivações profissionais, a frustração é quase certa. Além disso, junto com a mudança sempre vêm os riscos – o que neste caso representa a falta de perspectiva que um novo emprego apresenta, já que o profissional vai se deparar com um ambiente de trabalho diferente, com pessoas e processos desconhecidos – no início isso pode parecer excitante, mas e depois? Para evitar armadilhas, o que resta ao profissional é o planejamento de carreira, que servirá de guia para os seus passos.
O planejamento começa com a escolha da profissão, que deve ser motivada pelo que desperta paixão no profissional, e que não o atraia apenas pelos ganhos financeiros. O próximo passo é definir quais competências serão primordiais para a sobrevivência no mercado de trabalho dentro da profissão que escolheu, e isso inclui cursos de especialização, pós-graduação, idiomas, participação em cursos e seminários, entre outros. Aumentar a rede de contatos e buscar constantemente notícias sobre o mercado em que atua também são ações de planejamento de carreira.
Por outro lado, há as empresas, cuja função atual é oferecer condições mínimas para o desenvolvimento profissional de seus colaboradores.
Ferramentas como avaliação de desempenho e plano de carreira trazem benefícios para os dois lados – companhias e funcionários –, uma vez que permitem identificar o que satisfaz ou não um profissional, que obstáculos ele está enfrentando, que desafios espera assumir e como ele está se relacionando com a equipe.
Mas essas ferramentas são insuficientes sem o auxílio do próprio profissional, afinal, é ele quem deve definir os rumos da sua carreira, o que mostra mais uma vez a importância do planejamento.
Permanecer em uma mesma empresa por vários anos só será ruim caso o profissional não demonstre crescimento. A estabilidade não deve ser sinônimo de comodismo e falta de sintonia com as mudanças do mercado. Agora, se o profissional sente que a empresa não lhe proporcionará condições suficientes para que atinja seu objetivo, mesmo após inúmeras tentativas de acordos, aí sim o momento pode ser propício à busca por novos desafios, em uma nova empresa.
Fonte: Computerworld - Edição 377 - 04/12/20 www.computerworld.com.br