COMPETIÇÕES
ESPORTIVAS AJUDAM A RETER TALENTOS
Os
campeonatos entre empresas geram lealdade e sentimento corporativo,
garante o gerente da Hewlett-Packard
Carly Fiorina, presidente da Hewlett-Packard, enviou em junho, de Palo Alto, nos Estados Unidos, a seguinte mensagem aos seus funcionários espanhóis, vencedores do Delman, uma competição desportiva entre empresas: “Minhas mais sinceras felicitações para todos da equipe! Obrigada por representarem a HP tão bem. Carly”.
As maiores empresas são
unânimes em afirmar que as competições esportivas são as atividades
de comunicação e formação mais baratas, divertidas e lucrativas.
Esses campeonatos geram lealdade à empresa e sentimento corporativo.
Para Jaime Nasarre, gerente da HP e organizador das atividades
esportivas da multinacional, “os funcionários mais jovens, quando vêem
que nós também não só participamos como também ganhamos torneios,
sentem-se membros de uma empresa líder, que valoriza outras coisas além
do trabalho. É uma grande formula para manter talentos.”
Orgulho pela empresa
O caso da HP não é novidade. Cada vez mais as empresas se conscientizam dos benefícios produzidos pelos campeonatos disputados entre si. Jogos de futebol, torneios de golfe, regatas, maratonas ou corridas de bicicleta são a desculpa perfeita para que os empregados se entusiasmem e desejem vencer.
Segundo José Maria Cobo, presidente da Strategic Company, grupo especializado na organização de campeonatos entre empresas, como o Raider’s Trophy, “as competições esportivas são o melhor exemplo de motivação e trabalho em equipe. As pessoas se animam com as disputas e o orgulho de representar sua empresa”, diz.
“Nessas atividades se busca o comprometimento de toda a equipe em defender suas cores. Entretanto tudo acontece em um clima lúdico, divertido, onde, além do desejo de vencer, se aprende a trabalhar em equipe e a valorizar os companheiros”, diz Sara Izquierdo, presidente do Club Escapada, organismo criado pelos empregados da Unión Fenosa, para incentivar as atividades esportivas.
Os campeonatos entre empresas, além de despertar a motivação, representam a “a atividade de relações públicas mais barata, divertida e lucrativa de todas as que realizo”, assegura Maite Simarro, da Altadis, empresa do setor tabagista na Espanha.
A Altadis organiza um campeonato para profissionais da área de comunicação, cujo custo representa apenas 1% da verba destinada ao seu segmento de Relações Públicas e, em troca, “me permite estabelecer inúmeros contatos, conhecer todos os profissionais do meio e, ainda, fazer amizade com alguns deles, o que não é nada mau”, comenta Simarro. Os participantes, quer vençam ou não, sempre se sentem os melhores. ‘Enfim vou me rebaixar a jogar com amadores’; ‘é bom que saiba perder, porque senão vai precisar de quem o console’; ‘quando estiver chegando na reta final, por favor me avise, porque já terei terminado e estarei no quaro, tomando banho’, são algumas das frases jocosas mais usadas nessas ocasiões.
“Fazemos isso porque estamos realmente motivados”, diz o funcionário da Endesa, Juan José Fernandez Fierro, a pessoa que mais venceu troféus na Raider’s Trophy.
“A Endesa jamais impôs limites ao financiamento aos esportes. Este ano destinou E60mil para as competições empresariais, e nos sentimos na obrigação de corresponder da melhor maneira possível”, diz Fierro.
O sentimento de pertencer também faz parte dos funcionários mas antigos, que são os que, em geral, promovem essas atividades.
“Há seis anos criamos o Club escapada entre seis pessoas, e hoje somos 150, e propomos todos os tipos de campeonatos e encontros”, destaca Sara Izquierdo.
Espírito esportivo
Para Cobo, a comunicação interna é um dos pontos fracos das empresas. “Os funcionários entram no elevador e nem se cumprimentam. É muito triste! Os torneios servem para demonstrar que é importante se abrir para os outros, conhecer o quadro de pessoal da própria empresa, pessoas com quem nunca se tinha conversado, e , também, os concorrentes diretos das outras companhias, com quem se acaba estabelecendo amizades”, completa Cobo.
Os esportes e a vida saudável são dois dos valores que as empresas desejam enfatizar. A Sanitas,, por exemplo, conta com um ginásio para todos os funcionários, embora alguns dos mais assíduos sejam os que participam das competições entre empresas. A equipe da HP, mais recente vencedora do Rider’s Trophy, passou todo o ano treinando.
Fernándes Fierro diz que quando entrou na equipe da Endesa tomou a decisão de se preparar para ter um bom desempenho. “Além disso, fazer esporte ou qualquer atividade semelhante permite compreender que a vida não é só ir trabalhar, voltar para casa, e vice-versa”.
JOGOS QUE TRAZEM BONS RESULTADOS
As competições esportivas empresariais são interpretadas muitas vezes de forma diferenciada. Há empresas que não colocam tanta ênfase na competitividade, que valorizam esses torneios sob m ponto de vista mais lúdico e divertido. O Hotel Salobrena, por exemplo, costuma premiar seus melhores empregados permitindo que participem das atividades esportivas entre empresas. “’E muito divertido. Fazemos novos conhecidos e nos sentimos valorizados pela empregadora”, disse um dos empregados do hotel.
As empresas também conseguem um benefício econômico com os campeonatos. Jaime Nasarre, gerente da HP, explica que este ano a “empresa destinou E18 mil para sua equipe, uma soma mínima para uma organização tão grande. Em troca, a imagem que transmite aos demais participantes, clientes, provedores e concorrentes não tem preço. Isso sem falar da publicidade, quando sai vencedora ou, simplesmente, por haver participado”, afirma.
A presidente do Club Escapada, Sara Izquierdo, reconhece que o Club é uma das divisões mais lucrativas da Unión Fenosa. “Onde vamos vestimos a camiseta da empresa e tentamos fazer o melhor possível”, diz.
Para o presidente da Strategic Company, José Maria Cobo, nessas competições devem ser evitadas as atitudes de “ganhar de qualquer jeito”, tão presente hoje no mundo real de muitas empresas. “Os torneis devem primar sempre pela solidariedade e o companheirismo”, assegura.
“Se tivesse que destacar as três virtudes mas importantes das competições esportivas entre empresas, diria que são a capacidade para alimentar a coesão e o trabalho de equipe; aprender a compartilhar as responsabilidades; e desenvolver um senso de estratégia e de tomada de decisão. Mas se tivesse que dar uma resposta meramente econômica, diria que é a atividade publicitária mais barata que existe”, conlui Cobo.
Fonte:
Jornal Gazeta Mercantil – SP, Seção Recursos Humanos, pg. C-3,
26/11/2002 (Expansion, de Madri)