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PORTUGUÊS FLUENTE
Profissional não fala a língua do mercado
Fernando Moraes/Folha Imagem
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O corretor de
seguros Ricardo Tomo, 40, que teve de recorrer a aulas específicas de
língua portuguesa para tentar melhorar sua
comunicação por escrito
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RENATO ESSENFELDER
FREE-LANCE PARA A FOLHA
Quantas línguas você fala? Essa
pergunta, tão comum em entrevistas de emprego, costuma causar
calafrios na maioria dos candidatos. Não mais satisfeitos com o
domínio de um único idioma estrangeiro (geralmente, o inglês
ou o espanhol), empregadores já exigem um terceiro. Antes de
sair correndo para aprender francês, alemão ou italiano,
contudo, certifique-se de que você fala bem a sua
"primeira língua" -no caso dos brasileiros, o português.
Pode parecer bobagem, afinal, todo brasileiro domina o português,
certo? A princípio, sim. Mas, em uma ocasião formal, que exige
o uso da norma culta da língua, a situação muda bastante de
figura.
"O bom português, que antes era uma obrigação, hoje é
visto até como um diferencial curricular", avalia Carlos
Henrique Mencaci, diretor administrativo do Nube (Núcleo
Brasileiro de Estágios).
No processo seletivo organizado pela empresa, o fraco domínio
da própria língua é o principal fator de eliminação de
candidatos. "O português é determinante, porque as
informações precisam ser transmitidas por meio de uma comunicação
clara e objetiva."
Os jovens têm mais problemas com o idioma materno do que os
mais velhos. Essa é a conclusão, baseada na experiência de
recrutamento, do consultor Norival Mantovani, da Power Land
Recursos Humanos. "De modo geral, os jovens estão
contaminados por vícios de linguagem. Empresas que primam pela
qualidade nem sempre aceitam isso."
O professor de língua portuguesa da Uninove, Sérgio Simões,
constata que há deficiências na formação dos jovens.
"Algumas falhas são comprometedoras, decorrentes da falta
de leitura e de prática da língua."
Falar bem, pensar melhor
Mais do que evitar situações consideradas constrangedoras,
como ter um erro corrigido pelo próprio chefe ou pelo
entrevistador, dominar o idioma ajuda a pensar e a resolver
problemas.
"Geralmente, quem escreve e fala bem apresenta pensamento
sistematizado, pois o ato de escrever e o de falar exigem raciocínio
lógico, reflexão, elaboração e planejamento", explica
Simões.
"Na base de tudo está a linguagem. Sem dominá-la, fica
difícil aprender outras coisas", completa Frederico
Eigenheer, consultor da Eigenheer Recursos Humanos.
Por isso, diz ele, as empresas procuram profissionais que se
expressem claramente -é sinal de que aprenderão novos ofícios
rapidamente. Nesses casos, a coerência verbal é sinônimo de
uma capacidade de raciocínio claro.
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