MARKETING PESSOAL:  entre o preconceito e a necessidade

Exposição de competências no meio profissional é um fator preponderante

para garantir empregabilidade

Um dos temas mais polêmicos em carreira no Brasil é o marketing pessoal. Ouço dos executivos uma consciência cada vez maior da importância do marketing pessoal, mas estes mesmos executivos também falam do tema com certo tom pejorativo como: “eu sou focado em resultados e não em ficar falando o que fiz”, ou “os resultados falam por si”, ou  ainda “ninguém faz nada sozinho, todo mundo depende dos outros, não é certo eu ficar falando de mim”, “ele é bom de falar, mas fazer mesmo (o famoso “muita espuma e pouco chopp”) etc.

Executivos e profissionais começam a reconhecer a necessidade de “fazer marketing” de sua competências e resultados, mas têm vários preconceitos contra falar sobre o que se faz. Mas será que todo mundo que fala não faz e todo mundo que realmente traz resultado e é competente não deve mostrar? Está na hora de acabar com este preconceito.

Num mercado de trabalho dinâmico, onde o tempo médio numa mesma empresa é de 5 anos, o marketing pessoal se torna uma ferramenta importantíssima no gerenciamento de carreira e na empregabilidade de qualquer profissional, por alguns motivos:

1. Provavelmente, você não passará os próximos 20 anos na mesma empresa. A empresa não tem como lhe prometer que você ficará lá todo esse tempo, mesmo que este seja um desejo dela. Portanto, mais dia menos dia, você terá que olhar o mercado e procurar um novo cliente para seus serviços (um novo empregador talvez). Acredite, isto será muito mais fácil se algumas pessoas do mercado souberem suas competências e que tipo de resultados você é capaz de gerar.

2. Os acionistas, alto escalão das empresas, corpo diretivo e mesmo gerencial mudam muito mais freqüentemente do que há 15 anos. Portanto, não adianta partir do princípio de que a empresa já conhece você, pois os novos dirigentes põem querer implementar novas estratégias, sem estarem comprometidos com a estória e resultados obtidos até então. Desta forma, é importante mostrar suas competências, resultados e marcar seu espaço.

3. Trabalho em equipe é, certamente, a chave do crescimento das empresas e também uma competência que sempre se busca num profissional ou executivo. No entanto, dificilmente uma empresa contrata uma equipe. Usualmente, a empresa contrata seus executivos e profissionais individualmente, pelo tipo de contribuição que eles já mostraram ou que a empresa acredita que serão capazes de mostrar.

Assim, garantir uma exposição tanto dentro da empresa quanto no mercado é, hoje em dia, um fator claro de empregabilidade. Esta exposição só é atingida por meio de um trabalho consciente de “marketing” de suas competências e resultados.

Quando ficamos estagnados nas razões e motivos acima, esperando que alguém descubra quão  maravilhosos somos e todos os excelentes resultados que obtivemos nos últimos anos, corremos um grande rico - o de deixar de conduzir a carreira e crescer profissionalmente.

Mas como fazê-lo? Cada um deve desenvolver seu plano de marketing de acordo com sua área de atuação, seu perfil pessoal e profissional e ambição de crescimento. Aqui vão algumas dicas de fatores que devem ser contemplados no seu plano de marketing individual: 

*  Identificar seus clientes. É preciso entender que você é um prestador de serviço com um único cliente - empresa empregadora - e é remunerado por isso. No entanto, este não é um contrato vitalício e pode se quebrado a qualquer momento. O primeiro passo, então, é saber quem seriam os outros clientes em potencial. Eles serão seu público alvo.

* Listar suas competências e resultados. Este é o seu diferencial como profissional/executivo. É nisso que uma empresa ou chefe em potencial estará interessado. São os diferenciais do seu produto/serviço.

* Identificar quem são as pessoas dentro da empresa (dentro ou fora do Brasil) que devem conhecer suas principais competências e resultados que já trouxe para a empresa.

4. Aproveitar e criar espaços, dentro da empresa, para falar um pouco dos projetos que vem desenvolvendo. Isto não precisa ser feito apenas em situações formais, como o meeting anual ou semestral. Uma conversa informal ou mesmo um jantar pode ser um espaço para discutir a estratégia da empresa, mostrar idéias e o que tem feito para atingir seus objetivos,. Isto significa - não perca a oportunidade e tente criar algumas para happy hour, almoço ou jantares não somente com o seu chefe, mas também com outros executivos de poder na empresa.

5. Ser político - saber como, quando e com quem falar.

6. Adquirir exposição for da empresa dando palestras, participando de comitês etc. em espaços como câmaras de comércio, associações de classe, universidades etc.

7. Identificar o tipo de mídia que pode lhe trazer benefício e escrever artigos, dar entrevistas etc. Não esqueça de considerar a mídia especializada da sua indústria ou área de atuação.

8. Inscrever projetos e participar de premiações de classe ou segmento de mercado.

9. Cultivar sua rede de relacionamentos - tenha certeza de que seus contatos sabem falar com clareza sobre o que você faz ou fez.

10. Cuidar da sua comunicação - ela é um elemento chave  no marketing de relacionamento. Você tem de ter desenvoltura para fazer apresentações, falar com a mídia, participar de entrevistas de seleção e trocar informações com contatos.

11.Se tiver interesse, participar de atividades voluntárias, clubes ou mesmo atividades de lazer e hobbies.

Lembre-se de que a chave do seu plano de marketing é conhecer e ser conhecido pelas pessoas que podem fazer diferença no seu futuro profissional.

Jornal O Estado de  S.Paulo - SP  - Seção Empregos - pg.Ce 2 - 19/01/2003, por Luciana Sarkozi, consultora especializada em gestão de carreiras e sócia-diretora da Career Center