A CONTINUIDADE NA COMUNICAÇÃO
Juvenal Azevedo*
Sofreguidão não funciona em políticas de marketing ou Relações Públicas
Assessores de imprensa e publicitários certamente já depararam, muitas vezes, com clientes que buscam resultados imediatos. Essa sofreguidão revela, logo de cara, um cliente mal informado quanto ao papel da comunicação de massa no marketing ou na política de Relações Públicas da empresa ou da pessoa física.
Pessoa física mal informada é, por exemplo, o candidato a um cargo eletivo que decide lançar mão da comunicação nos últimos dias da campanha eleitoral, crente que sua assessoria de imprensa e sua agência de publicidade poderão operar o milagre de elege-lo em algumas semanas ou meses, esquecendo-se de que a duração de uma campanha a vereador ou a deputado tem inicio ao começar sua vida de cidadão, até antes, e que precisaria de apoio profissional de comunicação, no mínimo, de dois a quatro anos antes do pleito.
Outro tipo de cliente problemático é o profissional liberal, padecedores todos do mesmo mal que acomete o político: o açodamento na busca de resultados rápidos.
Um das coisas que procuro esclarecer a nossos prospects, logo de saída, é a diferença entre assessoria de imprensa e publicidade ou propaganda.
Outro esclarecimento que faço também de imediato é sobre a eficácia da divulgação na mídia: como não sou dono nem herdeiro de nenhum veículo, não tenho como prometer a inserção de notícia em nenhum deles, do mais humilde jornal de bairro ao recordista de ibope na TV.
Como complemento dessa informação restritiva ao nosso negocio (em termos, já que a honestidade é sempre a melhor política), acrescento que, mesmo que consigamos divulgar com rapidez e bom volume de mídia as peculiaridades do negocio do cliente, ainda assim não temos como garantir êxito comercial a seu empreendimento, uma vez que a assessoria de imprensa não substitui a publicidade. Nem vice-versa. São duas ferramentas distintas, cada uma eficaz em seu papel, se forem bem manuseadas, isto é, com profissionalismo.
A assessoria de imprensa é adequada para ajudar a divulgar a política empresarial do cliente, suas preocupações sociais, econômicas e ambientais, colaborando, dessa forma, para melhorar sua imagem de marca junto a seus clientes, possíveis clientes, formadores de opinião, meios financeiros e governamentais. Não está comprometida em promover vendas, embora, muitas vezes, a divulgação correta acabe resultando em melhorias no marketing share.
Já a publicidade ou propaganda tem por objetivo a promoção de venda lato sensu, mas, dependendo dos meios e das mensagens utilizadas, colabora também para a formação e melhoria da imagem da empresa.
Portanto, se você esta inclinado a contratar uma assessoria de imprensa e/ou uma agencia de
Publicidade para conseguir rápido resultado para suas vendas, não o faça: é jogar dinheiro fora. Mas, se você pretende incorporar no seu orçamento uma verba permanente de comunicação, visando obter a médio e a longo prazo, não perca mais tempo: contrate já sua empresa.
Como costumamos dizer, a continuidade na comunicação é a alma do negocio.
* Jornalista e assessor de imprensa
Fonte: Gazeta Mercantil, Opinião, pág. A-3 25/26/01/03