Os efeitos de um
trabalho de comunicação geram valores que
aumentam, e muito, a responsabilidade dos profissionais da área.
É preciso
convencer os executivos da importância da comunicação social numa
organização porque ela é estratégica. A principal função do
dirigente é aumentar o valor da empresa. Não só o lucro, mas para
garantir a perenidade da organização. O valor de uma empresa cotada em
bolsa é calculado pelo resultado operacional multiplicado por um número
que pode ser 5, 10, 30. Se o resultado é de R$ 100 milhões e o múltiplo
10, vale R$ 1 bi. O múltiplo depende da capacidade de comunicação da
empresa. É maior para a que consegue convencer o mercado da
possibilidade de aumentar seus resultados no futuro. As afirmações são
do executivo Edson Vaz Musa, durante palestra no XVIII EEJAC.
Os banqueiros emprestam dinheiro olhando o balanço do tomador, o
passado. Um balanço bom indica mais chance de sucesso, mas a organização
pode afundar em seis meses por vários fatores. Os relatórios anuais
mostram pouco da capacidade de gerenciamento, valores e princípios. Os
profissionais de comunicação devem explicar esses aspectos para o
mercado e convencê-lo.
Mostrar o
invisível
Uma empresa tem valores tangíveis e intangíveis, ensina Musa. Entre os
primeiros estão as máquinas, fábricas e capital de giro. Os intangíveis
fazem parte da estratégia, dos valores que cada vez mais ganham importância
dentro do mercado, como a ética.
A Vivendi, grande grupo francês cuja ação chegou a valer 140 dólares
há um ano e meio, viu o preço cair a 13 dólares. Problemas éticos
destruíram o valor da organização. Faz parte do intangível a soma de
quatro formas de capital: o institucional, o de conhecimento, o humano e
o cultural.
Em 1982, das 500 maiores empresas na Bolsa de Nova Iorque, 62% tinham
valores tangíveis e 38% intangíveis. Em 2002, 80% do valor era intangível
e só 20% tangível. É evidente que há aí muita comunicação estratégica.
As assessorias de comunicação têm de manter foco na visão sistêmica,
nos vínculos com fornecedores, pessoal, clientes, acionistas e a
comunidade. Todas são partes interessadas, e aí está incluída a mídia.
Os projetos de comunicação precisam ser sólidos e afinados com os
objetivos da organização.
Recentemente, pouco antes de um congresso de RH, em São Paulo foram
ouvidos mais de cem presidentes de empresas sobre o tema Inovação. À
pergunta “Qual empresa é mais inovadora do mundo e qual a mais
inovadora do Brasil” venceram a Microsoft e a Natura, com 41% dos
votos. Musa tem certeza que os 41% não conhecem o que a Natura tem de
inovador como produto. Mas ela tem uma excelente comunicação.
Em 1993 o grupo Rhodia, presidido por Musa durante 13 anos, fez uma
abertura de capital para criar uma empresa. Se não fosse usado o nome
da Rhodia, o múltiplo para chegar ao valor seria de 7 vezes sobre o
resultado projetado. Com o nome da Rhodia, disseram os banqueiros, o múltiplo
seria de 13 a 14. É um exemplo incontestável do potencial de negócios
criado pelo intangível, que a Rhodia conquistara num trabalho pioneiro
e intenso de comunicação, como o ‘Você fala e a Rhodia escuta’.
Os dados colhidos serviram para antecipar a expectativa dos clientes.
Numa época em que não era comum, abriu-se à imprensa informações
sobre faturamento, projetos de investimento, colocou-se em discussão o
conceito de qualidade total. A comunicação integrada provocou o
interesse de outras empresas, gerou manuais e chegou ao meio acadêmico.Tudo
era comunicação calcada em fatos que garantiram presença
absolutamente fantástica na mídia durante anos.
Para Musa, os executivos têm de ajudar os jornalistas a transformarem o
fato em notícia e liderar o processo em momentos de crise. “A
primeira comunicação após uma crise ou resolve o caso ou acaba com a
empresa. Basta um idiota mentir e a coisa acaba mal”, prega o
executivo. Ele adverte que os dirigentes têm formação apenas para os
20% tangíveis. E comunicação é para profissionais. É uma discussão
que os sindicatos devem levar às empresas para ampliar o campo de
trabalho e fortalecer o desenvolvimento da sociedade.
FONTE: Comunique-se 15/01/04