As assessorias e as mudanças
    no mercado de trabalho

    Opainel que discutiu a quantas andam as relações de trabalho no mercado de assessoria de imprensa reuniu a secretária-geral do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e coordenadora da Comissão Permanente de Assessorias de Comunicação, Mara Ribeiro e o jornalista João Rodarte, presidente da CDN (Cia. de Notícias) e da ABRACOM (Associação Brasileira das Agências de Comunicação). Também participou o jornalista Valtemir de Melo, presidente do Sinco (Sindicato Nacional das Empresas de Comunicação).
    Mara Ribeiro ressaltou que a meta da comissão é obter respeito para o segmento de assessoria de imprensa/comunicação. Entre as vitórias, ter conseguido o maior piso entre os segmentos da profissão num mercado em que o emprego é cada vez mais difícil . A despeito da maioria dos jornalistas pretender carteira assinada, esse procedimento é cada vez mais raro, admite. As empresas contratam serviços de jornalistas que optaram por ser pessoa jurídica (PJ) e emitir nota fical ou atuar como free-lancer. “O Sindicato respeita a CLT e tenta mantê-la como base de luta, mas não se pode ir contra o que é real”, lamenta Mara.
    Antes do EEJAC, a Comissão realizou um pequeno fórum e ouviu dos jornalistas que eles querem é trabalho. Está se tentando saber como fazer as empresas de comunicação absorverem essa mão de obra sem correr o risco de naufragar por conta dos altos encargos por trás do registro em carteira. Numa fase em que se discutem reformas sindical e previdenciária é entender o que acontece com a categoria.
    A Comissão firmou parceria com a Manager para recolocação para jornalistas e tem promovido encontros estaduais e work shops para ampliar o instrumental de trabalho. A preocupação é manter condições para que os profissionais se mantenham ativos.

    ABRACOM e Sincor
    O presidente da ABRACOM, João Rodarte, apresentou dados que contribuem para o debate. A entidade organiza os interesses das empresas no mercado. Estima-se que existam mais de mil agências no país. O mercado cresce num ritmo favorável apesar da desaceleração da economia e o profissional principal continua sendo o jornalista. As contratações sempre cresceram nos últimos 10 anos, nem sempre por carteira assinada e há problemas de ordem jurídica para conceder benefícios. Está se incentivando a participação dos profissionais nos resultados obtidos nas contas que atendem.
    Segundo Rodarte, muitos profissionais optam por receber um valor maior diretamente, ficando com a parte que iria para o governo. As regulamentações criam camisas de força para as empresas pequenas. A ABRACOM estuda criar planos comuns de saúde e previdência privada para os funcionários PJ e estuda criar uma associação que permitirá aos PJ filiarem-se à entidade.
    O presidente do Sinco, Valtemir de Melo, defende uma nova relação entre o capital e o trabalho na área de comunicação face aos problemas operacionais e dificuldades financeiras e legais dos empresários.Ele afirma que está se tentando estabelecer com o Sindicato dos Jornalistas algumas condições para ao profissional fora da CLT, mantendo conquistas como 13º salário, vale-alimentação e férias.
    Pequenas e médias empresas tendem a não contratar pela CLT. Algumas empresas têm oferecido, em contrato, participação nos resultados, o que motiva o bom atendimento ao cliente. Para os profissionais liberais, a CLT não atende mais as necessidades, a realidade de mercado, acredita.

    Jornal Unidade - Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Est. de S. Paulo, No 257, Setembro de 2003, pag. 3