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Dona Laura e Kotscho estão numa boa
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Bush não gosta de ler e não lê jornais, segundo revela a veterana e confiável revista americana New Yorker. Dona Laura assumiu essa tarefa e, no breakfast, conta ao maridão o que andam dizendo a respeito dele. É claro que a turma da Comunicação da Casa Branca também prepara o seu clipping, assessores e cientistas políticos escrevem duas ou três páginas analíticas do que andam dizendo sobre o governo os mais importantes dos 1100 jornais diários do país. O tempo é a mais implacável influência sobre o comportamento humano. E tempo de presidente vale muito mais do que o ouro da sabedoria popular. Em Brasília, o veterano repórter Ricardo Kotscho cuida do mesmo trabalho de dona Laura e dos assessores de Washington. Lula também não é chegado nem tem paciência para leituras. Gosta mesmo é do Jornal Nacional e, de vez em quando, dá uma olhada no resumo especial feito pela Radiobrás. Mas confia mesmo é no antigo companheiro de 20 anos. Acredito que Schroeder, Berlusconi, Chirac, Koizumi, Putin e Hu tenham esquemas parecidos. Mas será que jornais são apenas isso, o que dizem sobre o poder? Jornalistas certamente têm mais necessidade de “saber das coisas” e mais tempo disponível do que presidentes e ministros. Leio diariamente três jornais em papel e mais quatro ou cinco na Internet. E sempre encontro em qualquer um deles algo surpreendente, algo além do que eu “queria saber”. Costumo dizer a meus alunos da Unicarioca que esse é o segredo de conservar leitores. O jornal (ou revista) deve oferecer tudo aquilo que se tornou parte da vida de cada um deles – as colunas do Elio Gaspari, as matérias sobre esporte, as novidades econômicas e vocabulares do Joelmir, as informações sobre cultura e arte, fofocas da Joyce. Mas deve sempre ter a preocupação de oferecer algo inesperado. Enfim, jornal deve ser como a vida, sempre igual e sempre diferente. Acho que, por isso, ler jornal é mais do que obrigação, é prazer. A CNN criou um belo slogan: Viver é saber (to live is to know). É pouco, acho que viver é aprender. Saber pode ser caminho para a arrogância. Prazer mesmo é aprender. Fico com pena do Bush e do Lula por não terem tempo de ler. Kotscho e dona Laura é que se divertem.
Fonte: Comunique-se 15/01/04
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