ATUALIZACAO PERMANENTE

     

    Abdib cria Universidade Corporativa da Infra-estrutura

     

    O setor de infra-estrutura - numa pretensiosa paráfrase ao presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy (1917-1963) - precisa de homens que saibam sonhar coisas inéditas. A necessidade é fruto da realidade: nos últimos anos, transformações estruturais, econômicas e financeiras imprimiram uma complexidade inédita aos negócios e têm requisitado um novo tipo de profissional. Ele tem de ser especialista o suficiente para prever a minuciosidade, gerente o bastante para administrar o tempo, generalista de tal forma que atue de maneira multidisciplinar.

    Canteiros de obras na infra-estrutura duram anos entre a primeira e a última pedra, o que requer habilidade e conhecimento excepcionais para manter planilhas de custos na cor azul. Nesse largo calendário, há um amálgama de fatores que incidem diretamente na viabilidade do empreendimento, como clareza da regulação, existência de riscos econômicos e políticos, estruturas variadas de financiamento, perfeição do projeto de engenharia e obediência às exigências ambientais, entre outros.

    Necessidades novas requerem competências e conhecimentos diferentes, remédios que os cursos de graduação nem sempre conseguem prescrever. A vacina para isso é a educação continuada, transformando desafios recentes em soluções nascidas entre o que existe de melhor entre a universidade e a empresa. No mundo da infra-estrutura, esse brado é premente. A resposta da Abdib é a criação da Universidade Corporativa da Infra-estrutura, um projeto que congrega a busca de conhecimento e uma atualização permanente dos 160 grupos empresariais associados à entidade, responsáveis por 295 mil empregos diretos e R$ 115,9  bilhões de faturamento.

    A iniciativa vem atender a demanda recente por programa de conhecimento flexível e de longo prazo para os setores da infra-estrutura. Há especificidades entre eles, mas um cardápio de novos requisitos mescla a todos. A saída foi a busca de conhecimento conjunto e o compartilhamento dele.

    O Brasil, em especial, atravessa um período de oportunidades singulares, onde a infra-estrutura volta a ser entendida como locomotiva do crescimento econômico sustentado. Entretanto, não haverá investimento no setor, entre outros requisitos, se não houver empresas competitivas e capazes de aplicá-lo. Estas, por sua vez, não existirão sem qualificação continuada dos profissionais.

    O lançamento da pedra fundamental será em 2004, quando serão iniciados os dois primeiros cursos de MBA, dirigido e tecnológico sobre infra-estrutura e sobre energia, em parceria, respectivamente, com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Epusp). Com a Universidade Corporativa da Infra-Estrutura, a Abdib quer apoiar fortemente a formação de lideranças que adquiram as competências de gestão demandadas atualmente e para participar da regulamentação - ou aperfeiçoamento dela - de políticas setoriais. A meta suprema é criar um ambiente propicio à criação, à transfusão e à transmissão de conhecimento. Esse é o fruto que só virá se a raiz for suficientemente profunda.

     

    Fonte:Jornal Gazeta Mercantil/SP; Seção: Opinião; Pg. A3; 05/12/2003, por José Augusto Marques, Presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).