MBAs
CRESCEM E MOSTRAM SUA FORÇA
Exigências do mercado e queda dos cursos de graduação impulsionam especialização
Master Business Administration. O nome pode parecer estranho, mas a sigla em inglês MBA é cada vez mais difundida como opção de cursos de pós-graduação existentes no País. Voltado para a formação, especialmente, do médio e alto escalão empresarial (diretores e presidentes), esses cursos sofreram uma verdadeira explosão nos últimos três anos. No ano de 2000, não ultrapassavam a casa dos 200, mas hoje já são mais de mil: um crescimento de 500%. Segundo especialistas, o boom foi impulsionado pela demanda de mercado, reflexo do aumentos da exigência do mercado empresarial e da queda na qualidade dos cursos de graduação.
“Como resposta a esse cenário, a solução foi unir em um único curso - feito em tempo bem menor que a graduação - a teórica e a prática voltadas especificamente para o atendimento dessa demanda”, explica Kelly Magalhães, diretora do Centro de Desenvolvimento Pessoal e Empresarial de Pernambuco (Cedepe).
Com uma carga horária média de 420 horas/aula cursada em apenas um ano, os MBAs oferecem conteúdo atualizado e prático. Além disso, os alunos fazem estudo de casses (termo usado para experiências específicas em ambientes de trabalho) e trocam experiências profissionais com os demais colegas e formadores (professores).
Ao contrário dos cursos de graduação, quando há uma freqüência diária na sala de aula, os encontros nos MBAs são em número reduzido - uma ou duas vezes por semana, permitindo maior flexibilidade aos alunos. “Mas em contrapartida, o volume de trabalhos e projetos práticos para serem executados é bem maior”, alerta Kelly Magalhães.
Ao término de cada módulo, os participantes são obrigados a desenvolver trabalhos finais que requerem muita pesquisa e vivência profissional. “Ou seja. Quem pensa que é moleza ser um dos diplomados em MBA está enganado. Dedicação, muita leitura e participação ativa nas aulas são exigências básicas”.
Mas tamanho esforço e investimento financeiro - em média um MBA custa em torno de R$ 10 mil - pode acarretar em resultados animadores. Com o diploma em mãos, o profissional é um forte candidato a ocupar cargos executivos de gerência e diretoria no ambiente empresarial. “A formação ainda é considerada um diferencial no mercado, inclusive visto como um nível a mais que apenas um curso de graduação”, diz. O que, na prática, acaba interferindo em salários diferenciados.
Entretanto, alguns cuidados devem ser considerados na hora de escolher um MBA. A coordenadora do espaço empresarial da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Evânia Pincovsky, diz que levar em conta a credibilidade da entidade escolhida e o nível dos professores reduz os riscos dos investimentos irem por ‘água abaixo’. Pedir informações ou conhecer a estrutura do local (computadores, projetores, bibliotecas) e o programa dos módulos também é recomendado. Também vale a pena conversar com alguém que já tenha feito o MBA em vista para saber se a experiência foi proveitosa.
CHARLATANISMO - As precauções servem para evitar casos que ocorrem há algum tempo, como a oferta de um MBA oferecido no Estado que prometia conclusão em apenas quatro meses e vínculo com uma instituição renomada no mercado internacional. Mas na verdade, era tudo charlatanismo e o caso foi parar na polícia.
É preocupada com situações como essas, que será criada a Associação Nacional dos MBAs (Anamba). A Associação será gerida por instituições reconhecidas como a USP/CIA e a Universidade de Pittsburgh, com a função de fiscalizar o setor. “É uma forma de coibir a criação desordenada dos cursos que não possuem uma qualificação mínima para funcionamento”, diz Pincovsky. A iniciativa quer criar parâmetros em comum que tenham a finalidade de medir o grau de eficiência das instituições já em operação e das que irão se candidatar para implantar um curso de MBA no País.
Fonte: Diário de Pernambuco/PE; Seção: Empregos & Diversos; Pg. 37; 07/12/2003, por Cleiton Fernandes