
Miriam Sion Adissi é psicóloga, especializada em Gestão
Estratégica de Recursos Humanos e em Career Counseling.
Autora do livro O executivo brasileiro - Como os
bastidores do poder decidem contratações e carreiras.
Correspondências para esta coluna devem ser encaminhadas
para o endereço eletrônico carreira@msarh.com.br
sob a sigla ACONSELHAMENTO.
"Sou engenheiro eletricista e trabalhei durante 12
anos na área Industrial; há três estou na área de
Educação (nível técnico). Tenho muito interesse em
trabalhar na Europa, mais como realização pessoal do que
profissional.
Qual seria o melhor caminho para realizar este intento?
Tenho dúvidas sobre qual empresa de recolocação
profissional procurar em função do sigilo, já que não
quero sair do meu trabalho sem ter outra oportunidade
profissional real.
Muito obrigado, desde já, pelo retorno,
E. M.
Rio de Janeiro - RJ"
Caro E. M.,
primeiramente, é de suma importância que você tenha
plena consciência da realidade do mercado para a contratação
de profissionais no exterior e que, mediante isso, faça
um plano estratégico e focado para realizar seu objetivo
dentro do nível de realidade, e não somente de aspiração.
Pelo seu relato e sua experiência profissional de 15
anos, presumo que tenha entre 35 e 40 anos, o que pode vir
a diminuir suas chances no mercado, principalmente se
ainda não possui proficiência e pleno domínio oral e
escrito em, pelo menos, dois idiomas (inglês e uma
segunda língua usual e reconhecida na Europa).
É importante, também, aprimorar sua formação acadêmica
com cursos de educação executiva continuada; eles abrirão
mais portas e alternativas.
Diante de tudo disso, você pode começar a traçar um
plano de ação efetiva para atingir seu intento. A
Europa, no cenário atual e com a economia em aquecimento
em alguns segmentos, pode vir a oferecer oportunidades
interessantes, principalmente em empresas de energia e
infra-estrutura. Outra área que você poderia focar seria
a de Terceiro Setor - ONGS e instituições sociais ou
culturais sempre buscam técnicos e profissionais de
diversos países para ocuparem posições didáticas ou de
treinamento.
Em suma, não é impossível atingir seu objetivo, mas
vale ressaltar que a trajetória para conseguir uma
oportunidade de trabalho na Europa é árdua e, muitas
vezes, requer planos a longo prazo, e não imediatos.
É relevante que você tenha ciência de que deve ter um
respaldo financeiro que dê suporte durante sua estada por
lá devido ao alto custo de vida da região, se comparado
com o do nosso país, e porque as ofertas para iniciante são,
muitas vezes, aquém da média salarial do Brasil, o que
impele o aspirante a ter que contar com outras fontes de
remuneração para custear sua permanência, como moradia,
transporte e alimentação, entre outros custos de
primeira necessidade.
Por outro lado, apesar das dificuldades para se
diferenciar e obter sucesso numa colocação profissional
no exterior, os sacrifícios são altamente compensados
pela oportunidade de conviver com outras culturas e
valores, propiciando um crescimento incontestável,
pessoal e profissional.
Vale a pena percorrer esse caminho, com certeza.
Boa sorte!
Miriam Sion Adissi
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