09 de dezembro de 2003 209ª EDIÇÃO EDIÇÃO SEMANAL

    Aconselhamento de Carreira
    EM BUSCA DO SONHO DE TRABALHAR NO EXTERIOR


    Miriam Sion Adissi é psicóloga, especializada em Gestão Estratégica de Recursos Humanos e em Career Counseling. Autora do livro O executivo brasileiro - Como os bastidores do poder decidem contratações e carreiras.
    Correspondências para esta coluna devem ser encaminhadas para o endereço eletrônico carreira@msarh.com.br sob a sigla ACONSELHAMENTO.




    "Sou engenheiro eletricista e trabalhei durante 12 anos na área Industrial; há três estou na área de Educação (nível técnico). Tenho muito interesse em trabalhar na Europa, mais como realização pessoal do que profissional.
    Qual seria o melhor caminho para realizar este intento?
    Tenho dúvidas sobre qual empresa de recolocação profissional procurar em função do sigilo, já que não quero sair do meu trabalho sem ter outra oportunidade profissional real.
    Muito obrigado, desde já, pelo retorno,
    E. M.
    Rio de Janeiro - RJ"



    Caro E. M.,
    primeiramente, é de suma importância que você tenha plena consciência da realidade do mercado para a contratação de profissionais no exterior e que, mediante isso, faça um plano estratégico e focado para realizar seu objetivo dentro do nível de realidade, e não somente de aspiração.
    Pelo seu relato e sua experiência profissional de 15 anos, presumo que tenha entre 35 e 40 anos, o que pode vir a diminuir suas chances no mercado, principalmente se ainda não possui proficiência e pleno domínio oral e escrito em, pelo menos, dois idiomas (inglês e uma segunda língua usual e reconhecida na Europa).
    É importante, também, aprimorar sua formação acadêmica com cursos de educação executiva continuada; eles abrirão mais portas e alternativas.
    Diante de tudo disso, você pode começar a traçar um plano de ação efetiva para atingir seu intento. A Europa, no cenário atual e com a economia em aquecimento em alguns segmentos, pode vir a oferecer oportunidades interessantes, principalmente em empresas de energia e infra-estrutura. Outra área que você poderia focar seria a de Terceiro Setor - ONGS e instituições sociais ou culturais sempre buscam técnicos e profissionais de diversos países para ocuparem posições didáticas ou de treinamento.
    Em suma, não é impossível atingir seu objetivo, mas vale ressaltar que a trajetória para conseguir uma oportunidade de trabalho na Europa é árdua e, muitas vezes, requer planos a longo prazo, e não imediatos.
    É relevante que você tenha ciência de que deve ter um respaldo financeiro que dê suporte durante sua estada por lá devido ao alto custo de vida da região, se comparado com o do nosso país, e porque as ofertas para iniciante são, muitas vezes, aquém da média salarial do Brasil, o que impele o aspirante a ter que contar com outras fontes de remuneração para custear sua permanência, como moradia, transporte e alimentação, entre outros custos de primeira necessidade.
    Por outro lado, apesar das dificuldades para se diferenciar e obter sucesso numa colocação profissional no exterior, os sacrifícios são altamente compensados pela oportunidade de conviver com outras culturas e valores, propiciando um crescimento incontestável, pessoal e profissional.
    Vale a pena percorrer esse caminho, com certeza.

    Boa sorte!

    Miriam Sion Adissi
    Newsletter da www.catho.com.br  fevereiro de 2004