Hoje, a política da Força Terrestre é "abra as portas do seu quartel" e por isso, todas as questões que envolvem a Comunicação Social são de interesse direto do Gabinete do Comandante do Exército, General Gleuber Vieira, que, em reiteradas manifestações, enfatiza a sua importância.
Na verdade, o Exército Brasileiro há muitos anos vem se preocupando com a Comunicação Social, tanto que mantém um curso no Centro de Estudos de Pessoal (Forte Duque de Caxias), com professores altamente qualificados, preparando quadros para as suas missões de melhor integração com a comunidade.
Realmente, o trabalho do professor José Gaspar Nunes Gouveia, com participação de oficiais do Estado Maior do Exército, já afirmava, em 1967:
As mudanças no sistema de ensino da nossa juventude prejudicaram o aprendizado sobre os heróis da Pátria e, ainda, sobre as missões das Forças Armadas.
E como dizia Aristóteles: "Não se ama aquilo que não se conhece".
Apesar de 82% população dar credibilidade ao Exército e às demais Forças (IBOPE - março/00), há ainda dificuldades a serem vencidas pelas Relações Públicas no seio da opinião pública: apatia em relação aos assuntos militares; sentimento de economia sobre os gastos operacionais; desconhecimento da população, dos assuntos ligados ao Exército e, particularmente, ação social cívica e moral praticada pelos seus integrantes; desinteresse dos políticos pelas Forças Armadas e a idéia falsa de que o Exército poderá entrar em ação, da noite para o dia, tornando desnecessária a cansativa demora e a dispendiosa preparação prévia.
Convidado pelo General de Exército Alcedir Pereira Lopes, Comandante Militar da Amazônia, proferi recentemente a palestra inaugural do "Simpósio Regional de Comunicação Social do CMA/2000", em Manaus, sobre "Relações Públicas e o Exército".
A tônica do Seminário foi de integração, pois ao lado das considerações sobre as "Operações Psicológicas no Exército", pelo Major Wallace, assistimos a conferências magistrais, tais como a do Professor Walmir Albuquerque Barbosa, Reitor da Universidade do Amazonas, sobre "A mídia e a Sociedade Brasileira". O Coronel Harada mostrou a importância do Tema "A Internet e a Intranet na Comunicação Social do Exército"; a 1ª Tenente Márcia Albuquerque, profissional de Relações Públicas, analisou, com propriedade, o "Plano de Comunicação Social do Exército"; e Vera Waissman, da Fundação Getúlio Vargas, com o tema "Marketing Institucional", concluiu o Simpósio. Parabéns ao Exército, ao General Alcedir, Comandante do CMA e ao General Cesário, Chefe do Ccomsex, pois o nível de integração entre civis e militares, tanto conferencistas, como assistentes, foi excepcional.
Cem inscritos entre civis e militares, sendo que alguns destes últimos provenientes das regiões mais longínquas do Brasil, pois são os guardiões das nossas fronteiras com os países irmãos.
Conhecendo o trabalho do Centro de Comunicação Social do Exército, que há cerca de vinte anos vem desenvolvendo um elogiável esforço no sentido de divulgar as realizações da Força Terrestre, infelizmente desconhecidas pela mídia e grande parte da população brasileira, senti-me gratificado pelo nível de interesse que encontrei, tanto em oficiais e sargentos, como , também, entre os civis: professores, pesquisadores e estudantes.
No Simpósio, lembrei a figura do Pacificador - Duque de Caxias - com a sua pregação do entendimento e reconciliação entre os irmãos, usando as armas da tolerância após as refregas fratricidas em nosso país. Enfatizei a importância da palavra básica das Relações Públicas - a compreensão. Complementei com o preâmbulo da Constituição de 1988 que afirma estar a sociedade brasileira comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias.
Paralelamente e antes de minhas considerações já havia tomado ciência da qualificação de nossas tropas, adestradas e preparadas, especialmente, nas unidades de Infantaria (das Armas a rainha...) de Selva para desenvolver e defender, adequada e inteligentemente, a vasta região correspondente à metade no nosso País.
Oportuna foi a realização do Simpósio, pois este é o momento para se mostrar ao grande público a importância do Exército ser forte, capaz, operacional e confiável. Não só em função de movimentos revolucionários em países limítrofes, na Região Amazônica, como nas reais ou, apenas, infundadas informações de incursões em território brasileiro. Entendo também que, atendidas as regras de segurança, é necessário mostrar a atuação do Exército, ou melhor, das Forças Armadas na Amazônia e a sua importância, não só na preservação de nossa soberania, mas também na assistência às comunidades. Na realidade, naquela região o Exército Brasileiro bem justifica a sua Idéia - força: "Braço Forte, Mão Amiga". A Força Terrestre vem atuando, há muitos anos, fundamentalmente, nos pelotões de fronteiras no resguardo das comunidades amazônicas. Não só no campo militar mas, essencialmente, na solidariedade e assistência a pessoas que vivem à míngua de recursos e isoladas na selva. O Exército, em tais comunidades, é a própria vida.
É necessário mostrar cada vez mais que a Comunicação Social é instrumento gerador de motivação, fator multiplicador do poder de combate e incentivadora da coesão, além de grande ferramenta facilitadora da ação de comando. O Exército tem o dever de mostrar a opinião pública que é uma grande escola de civismo. É o que a juventude brasileira está precisando.
Fonte: www.adesg.org.br/ * Relaçoes Públicas - fevereiro/2004