4 de março de 2004 219ª EDIÇÃO EDIÇÃO SEMANAL

    Artigo
    QUANTAS VEZES VOCÊ DEVE TROCAR DE EMPREGO EM SUA CARREIRA


    Caros leitores,

    Muitos executivos de destaque permaneceram em seus empregos durante a carreira inteira. Nomes famosos como Alan Belda, da Alcoa, Edson Vaz Musa, que era da Rhodia, e Henrique Meirelles, que era do Bank Boston e hoje é presidente do Banco Central, são maravilhosamente bem-sucedidos. Esses executivos ficaram no mesmo emprego praticamente a carreira inteira.

    Entretanto, a pesquisa A Contratação, a Demissão e a Carreira dos Executivos Brasileiros, com 41.395 respondentes, edição 2003, mostra que o executivo muda de emprego cinco vezes em toda a sua carreira. De acordo com o estudo, em média, ele fica seis anos em cada emprego.

    Na maioria dos casos, a troca de emprego acontece porque a pessoa pede demissão, e não porque foi mandada embora: 51% dos contratados em 2002 eram pessoas empregadas que pediram a conta porque conseguiram uma nova oportunidade.

    Tenho uma estatística surpreendente para revelar a vocês: em 2002, 54% dos executivos tiveram pelo menos uma oferta de emprego nos últimos 12 meses e 38% tiveram duas ou mais ofertas. Conclui-se que pelo menos para a metade da população de executivos existe a oportunidade de uma mudança de emprego com freqüência.

    Agora vem a pergunta: quando e quantas vezes mudar de emprego? É um assunto delicado. A pesquisa do Grupo Catho revela que 83% dos executivos têm objeção em contratar colaboradores que ficam somente dois anos ou menos em seus empregos. Instabilidade na carreira é muito mal vista. No entanto, isso não significa que você tenha que ficar 30 anos numa empresa, assim como fez Alan Belda, da Alcoa.

    Esse executivo brasileiro, que é chairman da Alcoa mundial, teve uma carreira sempre ascendente e nunca se aventurou no mercado. A estratégia dele deu certo. Porém, muitos executivos encontram o caminho para o sucesso com mudanças estratégicas de emprego.

    Por que as pessoas mudam de emprego? Normalmente para ganhar mais ou para ter um cargo maior. A pesquisa indica que 70% dos empregados que mudam de emprego ganham mais na troca, e o valor mediano é 27% maior do que o salário anterior.

    Normalmente, existe um grande incentivo para mudar de emprego, que é o seu bolso. Mas cuidado! Os riscos em mudar de emprego são grandes. Muitas pessoas ao aceitarem uma oferta perdem o trilho da carreira e sofrem sucessivas demissões depois de um longo período de estabilidade.

    Vou sugerir a vocês algumas regras para pensar na troca de emprego. Use essas regras para avaliar qualquer oferta:

    1- Nem pense em trocar de emprego se você não tiver pelo menos 30% de aumento em sua remuneração.

    2- Não mude de emprego lateralmente. Antes de aceitar um novo emprego, leve em consideração se essa mudança te oferece uma promoção hierárquica.

    3- Avalie a estabilidade financeira da empresa que está oferecendo o trabalho. Lembre-se que as empresas praticam o first in first out, ou seja, os mais recentes são os primeiros a sair.

    4- Não aceite uma oferta se você estiver menos de quatro anos em seu atual emprego. Estabilidade acontece somente depois desse período.

    A troca de emprego deve ser sempre estratégica. Você deve traçar seu objetivo de carreira para ter sucesso. Se o seu atual emprego atende as suas expectativas de crescimento fique e negocie para não sair. Se existem poucas oportunidades de crescer após quatro anos de casa, seja agressivo e procure seu sonho no mercado de trabalho.


    Forte abraço,

    Dr. Thomas A. Case
    Fundador
    Grupo Catho