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A Federação Nacional dos Jornalistas emitiu uma nota
comentando o arquivamento da proposta da criação do Conselho
Federal de Jornalistas na Câmara, nesta quarta-feira (15/12).
" O projeto do CFJ está morto e dançam sobre sua tumba os
interesses aparentemente mais contraditórios. Os empresários
da mídia brasileira devem se regozijar. Mais uma vez seus
desejos são atendidos. Escondidos atrás de um inverossímil
discurso de liberdade de imprensa, na verdade sempre tiveram a
mais medíocre das intenções: manter as condições salariais
e de trabalho dos jornalistas nos níveis mais baixos possíveis
para compensar suas cambaleantes taxas de lucros. Os empresários
não admitem a normatização ética da profissão, porque
querem manter o poder de decisão sobre o que pode e o que não
pode ser informado à população. Os donos da mídia e do poder
real, mais uma vez, impuseram sua vontade", diz o texto.
Leia, na íntegra, a nota da Fenaj:
"Patrões, parlamento e governo se unem para enterrar
projeto do CFJ
Fenaj segue na luta pela regulamentação, qualidade e ética no
Jornalismo
O projeto que propõe o Conselho Federal dos Jornalistas está
morto. A esperança de milhares de jornalistas e a expectativa
de segmentos sociais importantes foram enterradas pelos coveiros
tradicionais da democracia e da organização da sociedade,
aliados a inusitados novos cúmplices.
Criticado à histeria desde o anúncio do seu encaminhamento
à Câmara dos Deputados pelo Executivo, o projeto do CFJ foi
acusado, entre coisas, de ser autoritário, de atender a uma
suposta tentativa de cerceamento da imprensa pelo Governo
Federal e de manietar os jornalistas num código de ética
corporativo e principalmente, de ser ilegítimo por ser proposto
por uma entidade sindical, a Federação Nacional dos
Jornalistas. As verdadeiras intenções desses críticos ficaram
até agora encobertas pelo manto obscurantista de uma mídia
historicamente articulada com os segmentos mais atrasados do país.
O projeto do CFJ está morto e dançam sobre sua tumba os
interesses aparentemente mais contraditórios. Os empresários
da mídia brasileira devem se regozijar. Mais uma vez seus
desejos são atendidos. Escondidos atrás de um inverossímil
discurso de liberdade de imprensa, na verdade sempre tiveram a
mais medíocre das intenções: manter as condições salariais
e de trabalho dos jornalistas nos níveis mais baixos possíveis
para compensar suas cambaleantes taxas de lucros. Os empresários
não admitem a normatização ética da profissão, porque
querem manter o poder de decisão sobre o que pode e o que não
pode ser informado à população. Os donos da mídia e do poder
real, mais uma vez, impuseram sua vontade.
Indisfarçável satisfação devem estar sentido alguns
jornalistas desinformados e/ou mal intencionados,
notoriamente aqueles com espaço concedido e privilegiado, que
serviram como verdadeiros cães de guarda da monopolizada mídia
nacional. Durante o debate público, suscitado pelo envio do
projeto, era visível o alinhamento submisso à retórica
patronal de preconceito e infâmia.
Alívio deve estar sentindo o parlamento brasileiro. Um
parlamento que, composto em grande parte de proprietários de veículos
de comunicação, reproduziu mais uma vez o lamentável espetáculo
da barganha, chantagem, coerção e principalmente, covardia. O
processo, conduzido pelo presidente da Câmara, Deputado João
Paulo Cunha, pelo líder do Governo Deputado Luizinho e pelo líder
do PFL, José Carlos Aleluia, sonegou à sociedade brasileira a
possibilidade de continuar o debate sobre o mais secreto e
antidemocrático poder instituído no país que é o poder das
empresas de comunicação. Uma constrangedora unanimidade se
construiu em torno de um pragmatismo lamentável e, como cúmplice
silencioso, permitiu o assassinato do projeto. A maior demonstração
de subserviência, foi a indicação do deputado Nelson Proença
para a relatoria – um histórico defensor dos interesses dos
donos da mídia, proprietário de uma rede de rádios no
interior do RS. A FENAJ ressalva e louva a posição da bancada
do PCdoB que rejeitou o acordo de lideranças para sepultar o
projeto e estranha o comportamento de partidos do campo democrático
e popular que avalizaram tal impostura.
Melancólico foi o comportamento do governo que, se num
primeiro momento compreendeu a justeza da reivindicação dos
jornalistas e encaminhou o projeto, em seguida sucumbiu à prática
de balcão de negócios estabelecida com o Congresso e,
parecendo admitir as acusações de tentativa de cerceamento da
imprensa, abandona o projeto de organização da profissão de
jornalista à própria sorte.
Mas se o projeto do CFJ está morto, viva o Conselho Federal
dos Jornalistas que advirá desse embate. Não é possível que
o enorme esforço dos jornalistas brasileiros seja jogado no
lixo, como aliás está nesse momento a lei que regulamenta a
profissão. Não podemos permitir que manifestações generosas
e fraternas de alguns parlamentares, entidades e organizações,
como a OAB entre muitas, sejam em vão.
Os jornalistas brasileiros não desistirão de terem o
controle do seu destino, que é a auto-regulamentação de sua
profissão. Há 39 anos, o Congresso arquivou o primeiro projeto
de criação de um Conselho Federal dos Jornalistas. Essa não
é a primeira, e não será a última vez que nos mobilizamos. A
FENAJ - que nos últimos quatro meses liderou um rico e histórico
processo de debate sobre o jornalismo e os interesses privados
que controlam a mídia no país - seguirá firme na luta. Mais
do que uma legítima reivindicação de organização
profissional, o CFJ é um importante instrumento de valorização
da profissão e de garantia de uma informação de qualidade,
pautada em princípios democráticos e éticos.
Brasília, 15 de dezembro de 2004.
Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas"
Leia também:
Câmara
rejeita CFJ
Fonte: Comunique-se 15/12/04 |