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De
acordo com a profissional de Relações Públicas Maria Luciane Schmidt,
os lojistas ainda têm uma visão ultrapassada da atuação do RP no
varejo, que abrange muito mais do que a simples organização de festas e
eventos
O
que um RP pode fazer pela minha empresa? Essa foi a pergunta que a
profissional de Relações Públicas Maria Luciane Schmidt ouviu de um
empresário do varejo do ramo de vestuário. Antes de responder, ela
resolveu perguntar ao varejista qual era a informação que ele tinha
sobre o trabalho dos chamados RPs. A resposta foi idêntica a tantas
outras que já ouviu como consultora de varejo em Novo Hamburgo, no Rio
Grande do Sul: “O que eu sei é que estes profissionais realizam eventos
e festas de integração”. Na avaliação de Maria Luciane, essa visão
restrita faz com que muitas empresas de varejo continuem sem um projeto sério
e competente para lidar com os clientes, a comunidade e o público
interno. O resultado são estratégias de comunicação desencontradas,
empresários descomprometidos e funcionários descontentes.
Dirigente
Lojista – Qual é a importância do trabalho de Relações Públicas
numa empresa varejista?
Maria Luciane Schmidt – Um projeto de RP no varejo é muito
importante porque o setor lida diretamente com o público. Não adianta
ter uma loja bonita e com preços competitivos se o cliente não tiver uma
experiência agradável de compra. Uma das funções do Relações Públicas
é avaliar o relacionamento da loja com a comunidade e os clientes
internos e externos.
DL
– E o que um Relações Públicas pode fazer por uma empresa do varejo?
Maria Luciane – Nós desenvolvemos atividades que vão
desde os já referidos eventos até a assessoria à direção da empresa
para a elaboração de planos estratégicos de comunicação com os públicos
com os quais ela se relaciona e interage. Esses públicos incluem sócios,
funcionários, fornecedores, clientes, comunidade e imprensa. Primeiro, o
profissional de Relações Públicas avalia como é a comunicação da
empresa, se é clara, objetiva e compreensível. Depois ele define junto
com a empresa que tipo de comunicação ela quer fazer, qual é a mensagem
que quer passar para os seus clientes internos e externos. Nos casos mais
simples, as atividades de um RP podem ser restringidas a projetos isolados
como elaborar e aplicar pesquisas de opinião, realizar contato com o público,
representar a empresa, treinar funcionários, coletar informações úteis,
elaborar murais ou jornal interno e realizar campanhas. Nossa função é
tão diversificada e eclética que confunde os leigos.
DL
– Qual é o primeiro passo nesse trabalho?
Maria Luciane – A nossa principal ferramenta de trabalho é a
informação. O Relações Públicas começa o seu trabalho com um
levantamento de informações sobre a realidade da organização. A partir
daí é feita uma análise dos dados coletados para a elaboração de um
diagnóstico situacional.
"Uma
das funções do Relações Públicas é avaliar o relacionamento da loja
com a comunidade"
DL
– Quais são as principais dificuldades encontradas para a realização
de um projeto de Relações Públicas?
Maria Luciane – Um dos maiores problemas é a falta de
comprometimento dos próprios donos das lojas. Às vezes o funcionário
até participa de cursos, mas encontra resistência para implantar mudanças
na empresa porque o patrão não lhe dá abertura. Nas pesquisas de
opinião feitas com os funcionários é comum aparecerem sugestões práticas
para resolver necessidades do dia-a-dia. O dono da empresa tem que
conhecer e participar do dia-a-dia da loja. Só assim ele vai entender,
por exemplo, as reivindicações de seus clientes. Para que seu projeto
tenha resultado, o Relações Públicas também precisa ter abertura do
dono da loja e trabalhar junto com a diretoria. Se ele não tiver esse
respaldo, não vai conseguir realizar o seu trabalho. O RP precisa
circular pelos vários setores da organização para compreendê-la em
sua dinâmica administrativa, gerencial, operacional e comportamental. São
nestes contextos que se realizam os processos de comunicação e de
sinergia que viabilizam o desencadeamento dos demais processos numa
empresa.
DL
– E qual é a importância da participação dos funcionários nesse
processo?
Maria Luciane – O cliente interno é basicamente o responsável
pelo sucesso de uma empresa porque a empresa são as pessoas. Não adianta
ter um projeto que os funcionários não querem levar adiante. Por isso, o
endomarketing é um dos maiores campos de trabalho do Relações Públicas.
O que é mais gritante é a falta de importância que os próprios
lojistas dão para o treinamento de seus funcionários.
DL
– Quais são os maiores erros cometidos pelo varejo devido à falta de
uma política adequada de Relações Públicas?
Maria Luciane – Existe muito amadorismo no varejo. Muitas
empresas até têm bons projetos, mas na hora de comunicá-los não
conseguem transmitir o que querem. Para se ter uma idéia, muitos
programas de qualidade total são bem elaborados tecnicamente, mas não
conseguem atingir os funcionários porque as informações são jogadas
sem significado nenhum para os participantes. Já vi casos de lojas que
colocam uma campanha promocional na rua sem antes preparar os vendedores
para receber os clientes. Os consumidores entram na loja e não recebem
informações suficientes sobre os produtos porque o vendedor não conhece
o que está vendendo. O resultado é que o cliente passa a não acreditar
mais na loja. Outro erro bastante comum acontece na comunicação visual
da loja. Há muitos casos, principalmente em shopping centers, de lojistas
que oferecem produtos para a classe média numa loja preparada para
receber a elite. Os clientes que ele quer atingir não vão entrar nunca
nesse estabelecimento.
"O
mais gritante é a falta de importância que ocs próprios lojistas dão
ao treinamento"
DL
– Na sua avaliação, a preocupação com o trabalho de Relações Públicas
tem sido crescente no varejo brasileiro?
Maria Luciane – Eu acho que o varejo está acordando em
função da necessidade de se profissionalizar por causa da crescente
competitividade. Quando a concorrência começa a incomodar, os varejistas
partem para a busca de mais informação e qualidade. Mas muitas empresas
ainda contratam profissionais de Relações Públicas só para ficar na
frente da loja observando o cliente ou fazendo pesquisa de opinião. A
maioria ainda desconhece a função de um RP.
DL
– Qual é o resultado prático do trabalho de vocês para uma empresa de
varejo?
Maria Luciane – O resultado é muito positivo porque a gente
busca a satisfação do cliente e a boa vontade da comunidade para com a
empresa. Uma das funções primordiais do RP é zelar pela imagem
institucional da empresa. Quanto mais a empresa for aceita pela
comunidade, maior será o valor agregado. Por isso, qualquer organização
tem que ter uma postura social e comunitária. Ela pode desenvolver
várias ações como investir na preservação do patrimônio histórico e
do meio ambiente, na valorização de atletas ou até mesmo no apoio a uma
escola da região onde atua. A empresa tem que mostrar à comunidade que não
visa só o lucro. Fonte: Revista Dirigente Lojista, outubro
de 2000, pag. 56, 57 e 58 www.empreendedor.com.br/P/Editorial/DLojista/Outubro/Entrevista/Entrevista.htm
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